16.2.13

AMERICAN NINJA III: BLOOD HUNT (1989)


Já começamos mal neste aqui pela ausência do Sam Firstenberg na direção, que não era lá um John Woo, mas pelo menos comandou os dois filmes anteriores muito bem à sua maneira. E também sentimos falta do protagonista Joe Armstrong, encarnado pelo Michael Dudikoff, que resolveu dar um tempo para não ficar tão marcado pela série. Só que o sujeito se deu mal. Além de não conseguir deslanchar na carreira (a não ser em produções de baixo orçamento), dificilmente não terá seu nome associado à série AMERICAN NINJA.

Mas antes fossem apenas esses os principais problemas de AMERICAN NINJA III. O filme é decepcionante em vários sentidos possíveis.


De qualquer forma, cá estamos. Chegamos ao terceiro filme da saga dos ninjas americanos, dirigido agora por um tal de Cedric Sundstrom. Você leu direito, eu escrevi ninjas no plural. Porque o lugar de Joe é ocupado agora por Sean Davidson, vivido por David Bradley, que na infância viu seu pai ser assassinado e acabou sendo criado por um mestre ninjitsu e agora é o novo ninja americano. A história transcorre com ele já adulto, indo a uma ilha paradisíaca para disputar um torneio de artes marciais, sem saber que, na verdade, um magnata da indústria farmacêutica pretende encontrar o lutador mais forte para que possa carregar uma arma biológica em seu corpo.

Ah, um detalhe importante. O bandido comanda um exército de ninjas, é claro!

Sean mal faz sua primeira luta no torneio e já se torna alvo. Por algum motivo, o vilão ignora a presença de Curtis Jackson no local, obviamente muito mais forte. Sim! Ao menos Steve James marca presença por aqui. Além dele, temos um lutador americano todo amigão a quem Jackson se refere como Júnior e uma ninja japonesa que trabalha para o magnata, mas decide virar casaca e ajudar Bradley e sua turma.


A trama se desenvolve de maneira bem tola, como nos dois episódios anteriores. Mas por conta de alguns fatores, a coisa não corre muito bem. O diretor e o astro dos outros filmes realmente fazem falta, mas as cenas de luta também comprometem a diversão, são bem amadoras e sem graça, o filme não possui aquela energia das sequências de ação como em AMERICAN NINAJ I e II e não tem mais a química entre os personagens. A coisa pode ficar ainda pior quando se faz uma maratona com todos os filmes em sequência. Assistir a este terceiro logo após os dois clássicos que o precedem é pedir para se aborrecer.

Será que o pessoal da Cannon precisava mesmo de mais título AMERICAN NINJA? E por que colocar um sujeito que ninguém conhecia na época como protagonista numa série que, naquela altura, era famosa, fez bastante sucesso? David Bradley até realizou alguns filmes legais mais tarde, como HARD JUSTICE, mas nunca conseguiu substituir o Dudikoff...


Caramba! Faria mais sentido se pegassem apenas o personagem do Steve James e fizessem uma aventura só pra ele... mesmo que não tivesse mais um "ninja americano".

Enfim, AMERICAN NINJA III só não é a ovelha negra da série porque o quinto capitulo consegue ser muito pior. Aqui, pelo menos, temos Steve James badass distribuindo tiros e porrada em ninjas. O que já vale uma espiada para quem é fã do sujeito ou completista da série.

15.2.13

AMERICAN NINJA 2: THE CONFRONTATION (1987)


AMERICAN NINJA 2 foi reprisado um zilhão de vezes na Sessão da Tarde, no fim dos anos 80 e início dos 90, e devo ter conferido todas! Ok, exagero... Mas bastou colocar o filme na agulha ontem para rever e as suas cenas e imagens começaram a surgir na minha mente de maneira nostálgica, como se eu estivesse retornando a um lugar muito familiar...

A continuação de AMERICAN NINJA, realizado dois anos depois, reúne novamente o diretor Sam Firstenberg e o astro Michael Dudikoff, numa aventura mais simples, com mais ação e muito mais do melhor que já havia no filme anterior: STEVE JAMES! Dessa vez ele deixa de ser apenas um coadjuvante cool e badass e passa a ser um parceiro inseparável cool e badass, que divide a tela com o herói em quase todos os momentos. E quanto mais Steve James, melhor!


Na trama, Joe Armstrong (Dudikoff) e Curtis Jackson (James), em missão para o governo americano, são enviados a uma base da marinha numa ilha caribenha para tentar desvendar os misteriosos sequestros de fuzileiros navais norte americanos no local. Ninguém faz a menor ideia dos motivos e quem está por trás desses atos. Mas nós sabemos. São os Ninjas! 


Na verdade, o que temos aqui é um lance meio sci-fi. Trata-se da operação de um cientista maluco que pretende utilizar os soldados sequestrados como cobaias para fazer experiências de clonagem, criando uma nova raça de super ninjas! Porque o negócio é complicado... Se depender dos ninjas dessa franquia, como visto no filme anterior, os bandidos estão perdidos! Até o faxineiro do quartel consegue chutar a bunda desses ninjas de araque. E em AMERICAN NINJA 2, a coisa segue pelo mesmo caminho... acho que é por isso que estão tentando criar super ninjas. É, agora sabemos os motivos. Só me falta desvendar que "confrontation" é esse do título original... há uns 50 confrontos durante o filme, pô!

Enfim, assim que chegam à ilha, Joe e Jackson percebem como as coisas funcionam. Uma moleza! Os fuzileiros não querem chamar a atenção no local e usam roupas de surfistas para despistar. O próprio comandante da base, Wild Bill, dá o exemplo:


A primeira missão dos dois heróis, como forma de tentar descobrir os mistérios dos sequestros, é dar um mergulho numa praia paradisíaca. Ainda bem que de vez em quando o enredo nos lembra que estamos vendo um filme de ação. Portanto, não demora muito para que alguns ninjas entrem em cena para que Joe e Jackson lhes dêem uma bela surra.


E aos poucos os dois protagonistas vão fazendo descobertas, tendo ajuda das obviedades do roteiro. É possível que AMERICAN NINJA 2 seja ainda mais bobo que anterior, com uma trama básica, que é só um fiapo, mas compensada pela quantidade de sequências de luta. E em comparação com o primeiro filme, o nível das lutas é um pouco melhor. Especialmente as protagonizadas por Michael Dudikoff, que agora exibe uma movimentação mais convincente.

Já o seu desempenho dramático permanece o mesmo, com aquela expressividade que faria Steven Seagal sentir inveja. Como action heroe consegue passar segurança tranquilamente. Mas o grande destaque é Steve James. É ele quem fornece todo o carisma que falta a Dudikoff. O sujeito é engraçado, enegético e badass ao mesmo tempo. Algumas das melhores sequências do filme estão sob sua responsabilidade, seja para soltar uma frase de efeito ou quebrando braços de ninjas. Como disse no texto de AMERICAN NINJA, Steve James é o cara!


No entanto, os vilões de AMERICAN NINJA 2 não são tão marcantes quanto poderiam ser. Temos novamente outro mestre da arte ninjitsu, dessa vez interpretado por Mike Stone, que até consegue ser ameaçador, mas lhe falta alguma coisa. Talvez uns raios lasers da manga do seu uniforme ninja (apesar de apelar para uma escopeta na hora do desespero). E o cabeça da operação maléfica, conhecido como The Lion, está longe de ser um daqueles bandidos com personalidade que geralmente este tipo de filme possui.



Mas no fim das contas, esses e outros detalhes passam batido. AMERICAN NINJA 2 está tão empenhado em criar um espetáculo de pancadaria que acaba sacrificando alguns pontos que poderiam ser melhor explorados. Mas ao mesmo tempo, o resultado é um filme de ação movimentadíssimo do início ao fim, com destaque para o porradeiro na praia, as duas sequências de luta que acontecem num bar, e o gran finale, mais uma vez um exército ninja enfrentando um grupo de fuzileiros enfezados enquanto Dudikoff faz um duelo com o mestre ninja. Talvez não seja melhor, mas AMERICAN NINJA 2 consegue ser tão divertido quanto ao filme anterior. O mesmo já não se pode dizer do terceiro... Mas é assunto para um próximo post.


14.2.13

AMERICAN NINJA (1985)


Em uma época em que os adeptos da arte ninjitsu bombavam nas telas de cinema e vídeo locadoras, AMERICAN NINJA, produzido pela saudosa Cannon Group e dirigido por Sam Firstenberg, teve a proeza de ser um dos mais representativos exemplares realizados no ocidente. Pelo menos é a impressão que eu tenho. É um daqueles filmes que bate uma nostalgia boa dos velhos tempos, de quando éramos crianças, chegávamos em casa depois da aula e podíamos assistir a um filme de luta passando na TV. Como eu tenho pena da molecada de hoje...

Enfim, curiosamente, apesar do meu gosto por esse tipo de produção, nunca mais revi AMERICAN NINJA depois daquela época... Até ontem! Podemos dizer que ainda se trata de uma obra prima para o olhar ingênuo e infantil, mas vê-lo hoje é perceber como é muito mais bobo do que se espera e cheio de falhas. Mas por que estragar a diversão importando-se com esses detalhes? É exatamente o fator “tão ruim que chega a ser bom” que dá um charme interessante... O negócio é relaxar e deixar a coisa acontecer.


Vamos falar sobre Joe. Michael Dudikoff, hoje praticamente esquecido, interpreta Joe Armstrong, um sujeito aparentemente calmo, caladão e sereno, que gosta de ficar na sua, prestando serviços como bom soldado do exército americano numa ilha qualquer do pacífico. Ah, um detalhe importante sobre Joe: ele é um ninja. Não se sabe como nem porque adquiriu as habilidades ninjtsu, já que sofre de amnésia, mas quando surge necessidade, luta como um mestre ninja, sabe utilizar qualquer tipo de arma ninja, consegue espreitar como um ninja, segura com a mão flechas atiradas em sua direção, enfim, ele é um ninja. E é americano. O que faz dele o AMERICAN NINJA!


A trama é bastante simples. O alto escalão do exército se envolve com um traficante de armas, que por um acaso possui um campo de treinamento ninja no quintal, para praticarem vendas de mercadoria bélica do exército no mercado negro. A sorte é que Joe descobre tudo e começa a atrapalhar a vida dos bandidos de várias maneiras possíveis.

Joe conta com a ajuda de Jackson, interpretado pelo grande Steve James. A princípio, os dois não se dão muito bem e Jackson tenta lhe dar uma surra. Mas acaba facilmente derrotado e, como resultado, tornam-se grandes amigos. E Dudikoff vá me desculpar, mas Steve James é o cara! Sempre foi. Em todo filme que aparece rouba facilmente a atenção para si e aqui não é diferente. Sua morte prematura, aos 41 anos, foi uma das grandes perdas do cinema de ação classe B, no início dos anos 90, devido a um câncer no pâncreas.


Já o Dudikoff, apesar de não ser lá grande coisa como ator, até consegue demonstrar algum potencial como herói de ação. Os roteiristas ainda lhe fizeram o favor de lhe dar poucas falas, apenas o essencial, o que ajuda bastante. Mas é um sujeito que, aparentemente, administrou mal sua carreira e, ainda que sempre estivesse presente no cenário de ação menos abastado, deixa a impressão de que poderia ter ido mais longe. Um fato curioso é que a escolha inicial para viver o ninja americano do título era ninguém menos que Chuck Norris (e o diretor, Joseph Zito, a mesma dupla de INVASÃO USA). Esse tipo de peça publicitária chegou a veicular na época:


Outro destaque de AMERICAN NINJA é o nemesis de Joe, o mestre ninja que comanda o exército inimigo, encarnado por Tadashi Yamashita. O sujeito é tão mau que mata sem piedade até seus próprios aprendizes em um treinamento demonstrativo, só para provar seu grau de malvadeza insana. Imaginem o que não faz com seus inimigos. E o que é um filme de ação dos anos 80 sem um vilão corporativo, homem de negócios? Don Stewart ficou com a responsabilidade de interpretar Victor Ortega, o traficante de armas sem coração que sequestra até a filha do coronel para concluir seus negócios. Ainda no elenco temos John Fujioka, como o mestre de Joe, e a belezinha Judie Aronson, par romântico de Joe, que usa umas roupas para nos lembrar que estamos vendo um filme dos anos 80.



É preciso analisar com calma a questão da ação em AMERICAN NINJA. Sam Firstenberg não é nenhum Corey Yuen ou Chang Cheh, portanto, não esperem elaboradas sequências de luta ou que Dudikoff apresente complexos e acrobáticos movimentos de artes marciais. Alguns momentos de porrada são tão fajutos que os ninjas dão a impressão de que nunca deram um soco na vida! É fato que o próprio Dudikoff não sabia encenar um mísero chute com estilo antes de começarem as filmagens.

No entanto, se a ação não é de alta qualidade, também está longe de ser uma porcaria, e a quantidade de sequências de ação se encarrega do resto. Até porque Firstenberg sabe criar um espetáculo com todos os ingredientes necessários que o gênero permite. Há uma abundância de pancadarias, pelejas com armamento ninja, tiroteios, explosões, perseguições do tipo que o carro mal encosta numa árvore e já causa uma tremenda explosão, além de uma batalha de proporções épicas ao final, com o exército ninja e os capangas de Ortega enfrentando os soldados americanos.



O confronto final entre Dudikoff e Yamashita, ambos vestido com o pijama preto ninja, é sensacional. O vilão possui vários truques inacreditáveis escondidos na vestimenta, como um lança-chamas (!!!) e até um raio laser que dispara pra cima do herói. E a cena que Steve James entra na batalha disparando tiro para todos é totalmente badass!


Independente se você é criança ou adulto (contanto que seja um admirador de cinema de ação classe B), uma coisa é certa. Quando tu sentas para assistir a AMERICAN NINJA, noventa minutos de pura diversão são garantidos. Não espere nada mais além disso. Se você tiver seis anos então, vai querer sair por aí experimentando a arte ninjitsu com os amigos. Eu já estou um bocado velho pra isso, mas lembro perfeitamente que na época que assisti a esses filmes de ninja pela primeira vez, uma das minhas profissões dos sonhos era ser... ninja! Mas americano! Os japoneses, pelo visto, são bem mequetrefes!


11.2.13

CONSPIRAÇÃO FATAL (Storm Catcher, 1999)


STORM CATCHER é um caso interessante, porque há alguns anos o saudoso Carlão estava escavando a filmografia do Anthony Hickox, filho do diretor Douglas Hickox, e relatando suas valiosas descobertas em seu blog, como CONSEQUENCE e LAST RUN, ambos com o Armand Assant. E Hickox dirigiu dois filmes com o Dolph Lundgren, sendo que um deles, STORM CATCHER, pelas palavras do Carlão, parecia ser uma obra prima obscura do cinema de ação, um verdadeiro milagre da natureza gravado em pelicula, etc... Bem, fui conferir e infelizmente não consegui enxergar o mesmo filme.


Mas não quer dizer que seja ruim! O Dolph tem filmes melhores? Sim, claro. Mas para quem curte o gênero nos moldes do baixo orçamento ou é fã do sueco, vai encontrar em STORM CATCHER aquilo que procura: um bom entretenimento, divertidas cenas de ação, atuações ruins, historinha boba, precisa de mais alguma coisa para uma tarde chuvosa de domingo, acompanhado de algum inebriante e uma turma que sabe apreciar esse tipo de produção?

Na trama, Dolph é um renomado major, piloto da Força Aérea americana, e comanda um jato stealth, desses “invisíveis”, em treinamento com armas nucleares. Os problemas começam quando um grupo terrorista consegue roubar o jato e planeja um ataque nuclear à Casa Branca. A coisa fica mais feia ainda para o herói quando os bandidos utilizam o seu uniforme de vôo, dando a impressão de que o próprio Dolph tenha sido o responsável pelo delito. E para quem acha que não poderia ficar pior, os meliantes ainda atacam a casa do protagonista colocando em risco a vida de sua esposa e filha.


Um fato curioso é que a cena do roubo do avião praticado pelos terroristas foi utilizada em outro filme do Dolph, AGENTE VERMELHO, e acho que cheguei comentar isso quando postei sobre este. O filme é muito ruim, mas de tão ruim chega a ser engraçado. Jim Wynorski, contratado para substituir o Damien Lee e tentar salvar o desastre que era o material filmado até então, é rei do stock footage e aproveitou para inserir a sequência inteira, que é tensa, cheia de tiros. Mas é engraçado notar como a cena se encaixa lindamente em AGENTE VERMELHO, talvez até melhor que aqui! Wynorski é gênio! Hahaha! Mas o importante é que a cena é boa suficiente para prestar em mais de um filme!

Outras sequências de ação que merecem destaque é o ataque à casa do herói, com Dolph tendo que defender sua família, enfrentando vários mercenários fortemente armados, e a cena na qual Dolph está prestes a ser eliminado por uns bandidos dentro de um carro de sorvetes em movimento, mas sua resistência e força bruta atrapalham um bocado os planos dos seus adversários. Sem contar o climax final, explosivo, que reserva uma boa dose de tensão.


Portanto, se vocês são desses que não deixam nenhum filme do Dolph escapar, precisam dar uma conferida em STORM CATCHER. Há vários elementos que vão lhes interessar além dos que já citei, como o elenco formado por atores sem muito talento para a profissão, como Mystro Clark, o grande Robert Miano, Kylie Bax, que faz a esposa, e o próprio fator Dolph, que está sempre esbanjando carisma e soltando algumas boas frases. Não considero a obra prima suprema que o Carlão dizia, mas muito longe de ser uma perda de tempo. Agora, dependendo do seu grau de tolerância, pode ser que esse filme não seja tão divertido assim... estejam avisados.

10.2.13

A FORÇA EM ALERTA 2 (UNDER SIEGE 2: DARK TERRITORY, 1995)


Steven Seagal começou sua carreira de action heroe mandando muito bem desde seu primeiro trabalho, NICO, ACIMA DA LEI (1988). Aliás, e isso eu sempre repito por aqui, seus quatro primeiros filmes são excelentes exemplares de ação, independente se tu gostas ou não do ator de rabinho de cavalo. Mas foi com seu quinto longa, A FORÇA EM ALERTA, que o sujeito alcançou o seu maior sucesso comercial. Já comentei sobre o filme aqui, mas vale lembrar que se trata de uma espécie de “DURO DE MATAR em um navio militar”, numa bela época em que “DURO DE MATAR em qualquer situação” funcionava tão bem quanto a combinação Robert Mitchum e film noir na década de 40 e 50. Ou seja, uma maravilha.


E já que A FORÇA EM ALERTA fez tanto dinheiro, por que não trazer o personagem do ex-agente especial militar, agora cozinheiro, Casey Rybeck, de volta em uma nova aventura? Portanto, surgiu A FORÇA EM ALERTA 2, dirigido por Geoff Murphy e escrito por Matt Reeves (que faria alguns anos depois CLOVERFIELD e a refilmagem de DEIXE ELA ENTRAR), também conhecido como “DURO DE MATAR em um trem”. Dessa vez, Seagal embarca com sua sobrinha para ir ao funeral de seu irmão no mesmo trem que um gênio/louco capaz de controlar uma arma satélite que cria terremotos em qualquer ponto da terra decide começar uma operação de destruição de escalas globais durante a viagem. Com a ajuda de um bando de mercenários, todos os passageiros são colocados como reféns no último vagão para que a operação ocorra dentro dos conformes. Exceto, é óbvio, Rybeck que precisa agora utilizar todo seu conhecimento de cozinheiro para atrapalhar os planos dos malvados.


Nisso, o que não falta em A FORÇA EM ALERTA 2 são algumas sequências bem constrangedoras para qualquer herói de ação que se preze. Mas, hey, ninguém vai ver um filme do Seagal esperando uma obra prima do Peckinpah, não é?. Além do mais, com exceção dos primeiros quatro filmes do homem, a graça e o charme de ver um filme com o selo Steven Seagal é justamente se deslumbrar em situações que beiram o ridículo. Um bom exemplo é no climax final, quando acontece o choque entre dois trens e que, por um acaso, Seagal ainda se encontra dentro de um deles, mas usa toda sua experiência em quebrar as leis da física para se safar, enquanto os piores técnicos de efeitos especiais em CGI dos anos noventa dão o seu melhor.


O que mais você precisa? Steven Seagal fazendo o de sempre, um grupo de mercenários crueis formado por umas figuras como Peter Greene, Jonathan Banks, Patrick Kilpatrick e liderados por Everett McGill, que aliás, demonstra o filme inteiro que é casca grossa suficiente para encarar o herói num mano a mano. Mas isso é só até começarem a grande luta final e Seagal arrebentá-lo com a facilidade que lhe é habitual. Ainda temos Eric Bogosian, que antes dava espetáculos de atuações, como em TALK RADIO, de Oliver Stone, e não faço ideia de como veio parar aqui, fazendo um dos vilões mais toscos do cinema de ação dos anos noventa, o tal maluco que comanda os satélites. Sem contar a presença de Nick Mancuso, Kurtwood Smith e Katherine Heigl antes da fama, fazendo a sobrinha de Seagal (e deve se envergonhar até hoje disso).

Sobra ainda muita pancadaria, tiroteios, explosões, alta contagem de corpos e várias frases de efeitos espalhadas pelo filme, tudo para não deixar A FORÇA EM ALERTA 2 cair na monotonia. Infelizmente, apesar de todas essas "qualidades", foi um fracasso de bilheteria na época, derrubando um pouco a moral que Seagal havia conquistado. E dá pra entender os motivos. No entanto, os amantes hardcore do cinema de ação vão encontrar, ou redescobrir, uma pérola do exagero por aqui e saberão apreciá-lo da maneira correta.

26.1.13

DJANGO LIVRE (Django Unchained, 2012)


Se tem uma coisa que ainda aprecio no cinema do Tarantino, além do seu próprio talento como fazedor de filmes, é a brincadeira de pescar referências, por mais que toda gente já esteja de saco cheio disso! Gosto de perceber as coisas, encontrar o significados de alguns itens espalhados pelos filmes e descobrir de onde vieram a partir da cultura cinematográfica do diretor.

Nesse quesito, DJANGO LIVRE foi um prato cheio. Diverti-me à beça ligando os créditos iniciais e o nome do personagem principal a um spaghetti western de 1966, dirigido por Sergio Corbucci; o mesmo western interpretado por um italiano que atende pelo nome de Franco Nero e que faz uma ótima participação por aqui; ou o tema dos escravos lutadores nos faz lembrar de MANDINGO, de Richard Fleischer; o corcunda que aparece rapidamente por causa do personagem de Klaus Kinski em POR UNS DÓLARES A MAIS, de Sergio Leone; ou que os protagonistas vão para uma região coberta de neve apenas para fazer alusão ao spaghetti IL GRANDE SILENZIO, também do Corbucci; e que Samuel L. Jackson não consegue terminar sua derradeira frase só porque o Tuco (Eli Wallach) também não consegue em TRÊS HOMENS EM CONFLITO, de Leone... etc, etc, etc... não me canso disso.



A trama de DJANGO LIVRE não é preciso comentar, pois vocês já devem saber. Para estarem lendo isso aqui com certeza vocês já devem ter conferido a obra, afinal, é Tarantino... Ninguém vai ler uma resenha de um filme dele antes de assistir, não é? Você meio que já sabe o que esperar, ao mesmo tempo não faz a menor ideia do que vai ser e sabe que vale a pena esperar para descobrir no momento da projeção. Bem, pulemos a descrição do enredo e comecemos com uma rasgação de seda de 90% de DJANGO LIVRE.

O filme tem uma duração total de 2 horas e 45 minutos. Dentro desse tempo, aproximadamente 2h20m passaram voando, achei simplesmente maravilhoso! É o primeiro longa linear do Tarantino, sem tramas paralelas nem personagens que precisam de flashbacks em desenho animado, etc. Da abertura ao desfecho, acompanhamos o mesmo personagem. Tudo sob um domínio de ritmo e visual impressionante que me absorveu completamente, marcado pelos habituais diálogos espertos e afiados; personagens bem construídos; uma trilha sonora eclética que funciona como uma sinfonia; doses cavalares de humor...

A partir do momento em que surgem na tela aquelas rochas amarronzadas e os créditos em vermelho, ao som do tema do DJANGO original, eu abri um sorrisão que durou muito tempo... DJANGO LIVRE é filme pra se ver sorrindo, soltando algumas gargalhadas de vez em quando, como na cena pré-KKK, que parecia mais um esquete do Monty Phyton. Enfim, são duas horas e vinte de cinema grande, da mais pura qualidade.


Méritos também ao elenco. Christoph Waltz e Jamie Foxx são o coração do filme. Não acho Foxx um ator espetacular, mas quando bem dirigido demonstra segurança. E sabe se fazer de badass! Agora, o Waltz, que ator magnífico! Rouba completamente o filme para si e transforma o próprio Django num mero coadjuvante. Mais uma vez Tarantino lhe presenteou com um papel incrível, da mesma forma que em BASTARDOS INGLÓRIOS. Mas bem diferente também. Um caçador de recompensas europeu, nos moldes de outro personagem de Franco Nero, o traficante de armas sueco de VAMOS A MATAR COMPAÑEROS!, outro filme excelente de Sergio Corbucci. Sentimental, humano e correspondido por Waltz com um desempenho de encher os olhos.


A coisa fica melhor ainda quando surge em cena o personagem de Leonardo Di Caprio, que também dá um show. Os dois contracenando é um duelo magnífico de diálogos bem sacados, é um puta tour de force quando estão juntos. São vários momentos marcantes, para entrar no hall de boas cenas da filmografia do Tarantino, como o monólogo do Di Caprio manuseando um crânio. O diálogo final entre ele e o Waltz também é uma coisa linda.



Samuel L. Jackson é outro destaque, está impagável fazendo um personagem sinistro e ao mesmo tempo engraçadíssimo. E como Tarantino é mestre até em reunir atores de alto calibre, temos participações de Don Johnson (que está ótimo), James Remar (em papel duplo), o já citado Franco Nero, James Russo, Don Stroud, Bruce Dern, Jonah Hill, Lee Horsley, Robert Carradine, Tom Savini, Walton Goggins, e vários outros.

DJANGO LIVRE não tem muitas sequências de ação. Claro que não faltam tiros, violência, contagem alta de corpos, cachorros estraçalhando um escravo, uma sangrenta luta entre mandingos... Mas uma sequência de tiroteio bem arquitetada, temos apenas uma. Mas é uma para arregaçar! DJANGO LIVRE, para quem não notou ainda, é um western, um gênero que às vezes a coisa é mais interessante pela maneira na qual os personagens se preparam para sacar um revolver do que realmente atirar. Mas quando James Foxx resolve mandar chumbo grosso para cima dos capangas do Di Caprio, Tarantino devia estar muito inspirado e disposto em criar o tiroteio de faroeste mais definitivo do mundo! Não chegou nem perto, é claro, mas conseguiu criar uma sequência magnífica em termos de ação. Um espetáculo de balas e sangue estilizado jorrando "pra tudo quanté lado", com todos os elementos em cena precisamente coreografados, inclusive o sangue e as balas... A maneira como o ambiente fica pintado de vermelho me fez pensar da mesma forma que o meu amigo, Osvaldo Neto: Tarantino é o Pollock do cinema.








E, bem, essa cena de ação termina justamente ao final das 2h e 20, uma das melhores coisas que o Tarantino já filmou. Os 25 minutos seguintes, um prolongamento do final, tem um propósito bem definido, compreensível, mas infelizmente não consegue ter a força que DJANGO LIVRE tinha até então. Não é questão de ser um final desnecessário. Serve para mostrar que Django evoluiu e agora pode agir e tomar decisões sozinho. O problema, para mim, é a maneira na qual isso tudo é explorada. A sequência que o herói é mantido preso e convence que o libertem em troca de dinheiro, com o papo furado da recompensa, é uma solução muito fácil para um roteirista que tinha construído 90% de um filme extremamente inteligente. Claro que algumas coisas justificam, como ter o próprio Tarantino sendo explodido, mas ao mesmo tempo temos que aguentar Foxx fazendo gracinha em cima do cavalo, que eu achei um troço extremamente ridículo. No fim das contas, meu veredito é que DJANGO LIVRE  é mais um filmaço do Taranta. Isso é fato. Mas o sujeito perdeu uma grande chance de deixar o filme ainda melhor, tudo por causa deste final estendido, que não estraga a diversão, não é ruim, mas não consegue manter o nível.

Sobre temas polêmicos de escravidão, política, etc, não esperem nada por aqui. Me dá uma preguiça só de pensar. E sei que muita gente tem tratado o filme por esse lado, o que acho uma besteira. A intenção do Tarantino era de fazer um western com um herói negro, apenas isso. A escravidão é consequência dramática, não tenho porque ficar procurando mensagens, significados e pêlo em ovo...

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...