8.2.10

O FIM DA ESCURIDÃO (Edge of Darkness, 2010), de Martin Campbell

Bah! Não dou a mínima para o Mel Gibson ator, mas preciso reconhecer que às vezes ele acerta em cheio ao escolher alguns tipos de personagem, como neste veículo que serve perfeitamente ao seu retorno em frente às câmeras e que me lembrou bastante o mesmo papel que fez em O TROCO, um dos seu melhores trabalhos, embora não chegue nem aos pés do grande Lee Marvin em POINT BLANK...

O FIM DA ESCURIDÃO está longe de ser perfeito, mas assistir ao Mel Gibson à vontade atacando de policial durão amargurado num thriller político/policial é sempre interessante. Há bastante tempo o sujeito não atuava. Durante os anos de abstinência aproveitou para experimentar e amadurecer atrás das câmeras com A PAIXÃO DE CRISTO, que eu detesto, e APOCALYPTO, que eu gosto.

Este aqui é inspirado num programa de TV britânico homônimo da década de 80, tinha como seu diretor o mesmo cara que comanda esta versão, Martin Campbel, que me ganhou com sua visão de 007 em CASSINO ROYALE e que consegue imprimir um bom trabalho de direção neste aqui. O filme é um pouco truncado devido ao excesso de diálogos, informações e por causa da trama cheia de pretensões e detalhes que me desagradam, mesmo assim Campbell deu um pouco de vida a um material que nas mãos de alguns seria mais um filme medíocre feito exclusivamente para Mel Gibson. Na verdade, a impressão que dá é que se trata, realmente, de um filme exclusivo para o sujeito, mas Campbell tem seriedade e criatividade de sobra para impor seu estilo ao filme, diferente dos artesões da atual Hollywood.

Gibson, como eu disse, faz um tipo que eu adoro e consegue carregar a narrativa tranquilamente, mas não é o único destaque entre o elenco que possui ainda Danny Huston e o magnífico ator britânico Ray Winstone, marcando presença com sua voz meio rouca e muito talento.

O resultado disso tudo é um neo noir bem interessante que possui uma face dark e violenta e outra com um sentimentalismo banal para tentar agradar todo tipo de público, eu acho. Uma frieza maior por parte dos realizadores iria soar muito bem, mas difícil esperar por isso num filme deste porte, então tudo bem. Estória boa é que não faltou. Se não quiserem saber spoilers, parem de ler por aqui. A trama é sobre um policial (Gibson) que tem a filha assassinada e pensa, como todo mundo, que o alvo era ele. Começa a investigar por conta própria e descobre que os bandidos não haviam se enganado e que a situação é mais escabrosa que ele poderia imaginar!

Ok, se ainda estiverem com vontade, podem voltar a ler... Ah, mas também agora não tenho mais nada a dizer... chega por hoje.

ICARUS - trailer

Espero que o Dolph não estrague dessa vez, como aconteceu aqui...


6.2.10

DRIVEN TO KILL (2009), de Jeff King

O ano passado foi muito bom para Steven Seagal. Agenda musical lotada, reality show estreando na TV e seus três filmes, produções direct to video, foram acima da média, sem contar que ele filmou a sua participação no próximo trabalho de Robert Rodriguez, o mais que esperado MACHETE. Os detratores vão continuar falando mal, tudo bem, nós já nos acostumamos com isso. Mas, para os fãs de Seagal, 2009 foi uma ótima oportunidade para poder conferir bons filmes do sujeito: DRIVEN TO KILL, THE KEEPER e A DANGEROUS MAN. Mais do que isso, independente de ser estrelado por Seagal, foram três bons filmes de ação à moda antiga, com roteiros legais e simples e sem as frescuras das grandes produções.

Claro que a presença de Seagal conta muito e é difícil imaginar esses papéis na pele de outro astro. Em breve eu comento sobre THE KEEPER e A DANGEROUS MAN, podem me cobrar. Por enquanto, vamos ficar com o DRIVEN TO KILL, que embora o título na tradução literal seja “dirigindo para matar”, em nenhum momento alguém pega um carro e sai dirigindo com a intenção de tirar a vida de alguém... Eu tenho a impressão de que os realizadores resolveram adotar um título que faça referencia a filmes antigos do Seagal, como HARD TO KILL. Acho até que gastaram um bom tempo na pós produção pensando em qual verbo, adjetivo, etc, poderiam colocar antes do “to kill”. Finalmente, apesar de não fazer sentido algum ao filme, todos aceitaram o “driven”. Pra mim está ok! Brincadeiras à parte, o "driven" pode estar no sentido de impulsionado, sacou? Impulsionado a Matar! Um belo título para um filme de ação! hahaha!

De qualquer maneira, mesmo não atingindo o nível de seus primeiros trabalhos, DRIVEN TO KILL, dirigido de forma séria por Jeff King (que já havia trabalhado com o ator antes), é o mais próximo que se pode esperar neste sentido. Provável que seja o trabalho mais consistente de Seagal desde que entrou de vez na onda dos filmes que vão direto para o vídeo.
Seagal tatuado, concentrado em suas escrituras e tomando chá de alecrim...
O homem interpreta um escritor muito bem sucedido especializado em romances policiais que vive tranquilamente numa cidadezinha qualquer. Embora assine como Jim Vincent, possui sangue russo correndo nas veias, seu verdadeiro nome é Ruslan e fora um perigoso membro da máfia russa em outra cidade qualquer no passado (eu realmente não me lembro em quais cidades o filme se passa, só sei que foram filmadas no Canadá, onde certamente estavam tentando recriar cidades americanas, ok?).


Seagal tem aqui, além de uma boa performance, com direito a sotaque estrangeiro muito mal acentuado por sinal, uma rara mudança de visual com os braços tatuados e sem o famoso rabinho de cavalo. Percebe-se que Seagal está fazendo um esforço para melhorar seus trabalhos DTV, porque o nível de alguns filmes haviam baixado demais e era preciso uma tolerância extrema para gostar de coisas como FLIGHT OF FURY, por exemplo... e olha que eu sou um dos maiores fãs do homem que vocês vão encontrar por aí. Defendo até as mais absurdas porcarias que ele faz, mas às vezes é difícil!

Enfim, em DRIVEN TO KILL ele realmente constrói um personagem, apesar de suas limitações. É claro que acaba sendo a velha figura de sempre, mas já dá uma diferença. Para dificultar ainda mais o desafio da atuação, seu personagem possui um relacionamento distante da filha que vive com a mãe (na cidade onde era mafioso), hoje casada com um advogado milionário que tem “vilão” escrito na testa! Com sua filha prestes a casar, Ruslan precisa comparecer e fazer o papel de pai durante a cerimônia, conversar com seu futuro genro pra saber suas intenções com sua filha, etc...

Mexeram com a filha do homem errado!

O problema inicia quando a casa onde todos estão é invadida por mascarados e uma desgraça acontece. Casamento cancelado! Ruslan agora precisa reviver na pele o seu passado para descobrir a merda que aconteceu, isso inclui os ingredientes de sempre da boa e velha fórmula de um Steven Seagal's movie: brigas em bar, braços quebrados, vidros estraçalhados, muito tiro e até usar os corredores de um hospital como um verdadeiro campo de guerra... o que mais posso querer em um filme do sujeito?

Mais sobre Seagal e seus filmes aqui.

5.2.10

Hoje tem CINE TERROR NA PRAIA

Oportunidade única e sensacional aos meus conterrâneos! Hoje inicia uma mostra organizada pela trupe de Rodrigo Aragão, diretor de MANGUE NEGRO, onde serão exibidas produções locais de gênero fantástico, além de outras atrações. Confira a programação a baixo. O Dementia 13 estará presente, com certeza!

5 de fevereiro, sexta-feira
20h00 Guarapari Trash Part I: Águas da Vingança • Cachorro do Mato • Balada Sangrenta • Peixe Podre • Chupa Cabras
22h00 Recurso Zero Produções: Gato • Junho Sangrento • O Assassinato da Mulher Mental • Minha Esposa É um Zumbi
23h30 Sessão Maldita: À Meia-Noite Levarei Sua Alma

6 de fevereiro, sábado
20h00 Guarapari Trash Part II: Águas da Vingança 2: A Vingança • Cachorro do Mato 2 • Peixe Podre 2 • O Massacre da Espada Elétrica • Eve
21h00 Sessão Seu Osório
22h00 Estranho Sul: Quarto de Espera • Quiropterofobia • Cortejo Negro • João Ninguém • Sessão das Oito • Zombio
23h30 Sessão Maldita: Zombie

7 de fevereiro, domingo
20h00 Sangue Capixaba: Vampsida • Rito de Passagem • A Lenda de Proitner
21h30 Premiados CineFantasy: Manual Practico del Amigo Imaginário • Forecast • Porque Hay Cosas Que Nunca Se Olvidan • El Hombre de la Bolsa • DVD • A Última Noite • Romance

3.2.10

FÚRIA SILENCIOSA (Silent Rage, 1982), de Michael Miller

Um dos meus filmes preferidos do Chuck Norris é FÚRIA SILENCIOSA. É também um dos filmes mais estranhos do homem. Uma híbrida junção de slasher movie oitentista com uma pitada de sci-fi e os filmes de porrada que Norris estrelava naquela época, inclusive o seu personagem é o habitual xerife casca grossa de uma pequena cidade americana.

O filme inicia na casa de um sujeito de família. Claramente perturbado, ele pega um machado e faz sua esposa de picadinho. O xerife é chamado e depois de uma luta corpo a corpo com o sujeito, consegue prendê-lo. Os elementos bizarros começam a surgir nesse momento. Ainda algemado dentro carro, o moço quebra as correntes, arranca a porta do carro com um chute e o espectador fica sem reação com a força descomunal do homem, que precisa ser parado à bala!

Chuck Norris mais uma vez é o xerife durão!

O cara acaba morrendo na mesa de operações do hospital, onde os médicos ainda tentavam salvá-lo. A partir deste ponto, nota-se que estamos diante de um filme diferente estrelado por Norris. O sujeito, na verdade, era uma cobaia de uma experiência médica que reconstrói os tecidos humano rapidamente, igual ao Wolverine. Dois médicos resolvem ressuscitar o cadáver com uma dose do medicamento ainda em teste, o que eles não imaginavam é que, após acordar, o sujeito se tornaria uma máquina de matar com uma super força e invulnerável.

Cenário de Suspíria ou um filme do Mario Bava?

É isso mesmo, meus caros, por incrível que pareça Chuck Norris enfrenta uma espécie de zumbi em FÚRIA SILENCIOSA! Ron Silver interpreta um médico que se opôs aos seus colegas nas experiências em interferir com o destino do morto. Como na filosofia desta espécie, a criatura acaba matando seus criadores. Aliás, o ressuscitado acaba matando quase todo o elenco, exatamente como os slashers oitentistas. Ele só não contava com os roundhouse kick’s de um certo xerife.

roundhouse kick na cara!

Tirando uma cena de briga de bar, onde Norris enfrenta uma gangue de motoqueiros, toda narrativa de FÚRIA SILENCIOSA é tratada como um filme de suspense. O diretor Michael Miller optou por longos planos, especialmente dentro de ambientes fechados, e não são poucos os momentos onde o assassino com um objeto cortante espreita atrás de alguma vítima, com direito a câmeras subjetivas e atmosfera típica do terror da época.

A briga no bar é inserida de forma nada orgânica. Apenas para que o ator possa dar uma demonstração de suas habilidades de defesa corporal e também para os fãs que esperavam um filme de mais ação não saiam reclamando que o filme é uma merda completa. Ou talvez estava no contrato e o diretor só percebeu depois que já havia feito um filme de terror. “Diretor, quando é minha cena de luta?” “Hã?!”. Mas a sequência é excelente, diga-se de passagem...

Chuck Norris paquerando.

Momento de amor...

O filme tem ótimos momentos, como o videoclip ao som de uma canção romântica e imagens de amor entre Norris e sua garota. É um momento de amor, o cara também tem coração. E claro, temos o grande final com o confronto entre o herói e a figura bizarra que não morre. Norris mete chumbo grosso, joga o sujeito pela janela do sexto andar, um carro explode com o homem dentro e nada. O jeito foi resolver no tapa mesmo!

FÚRIA SILENCIOSA é um filme fascinante para quem acha que já viu de tudo. Vale a pena uma conferida!

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...