31.1.10

NOT OF THIS EARTH (1988), de Jim Wynorski

Remake de um sci-fi de mesmo título dirigido por Roger Corman em 1957, NOT OF THIS EARTH pode ser considerado tanto como gozação quanto uma homenagem aos clássicos do gênero. A idéia é do próprio Corman, que colocou na direção o seu pupilo do momento, Jim Wynorski. Mas em 1988 o grande público já não queria ver um filme B com efeitos especiais fora de moda e estória ingênua que não faz a mínima questão de se levar a sério. Sobrou apenas aos fãs ardorosos de tralhas divertidas o prazer de desfrutar mais uma maravilha da dupla Corman/Wynorski.

Uma das principais atrações é a atriz principal, Traci Lords, em seu primeiro papel “sério” no ramo, levando em conta que já havia atuado em mais de 60 filmes pornôs até então. É uma pena que seus atributos sejam tão pouco “aproveitados”, protagonizando apenas uma ceninha de topless. Ela até que se sai muito bem interpretando uma enfermeira que acaba se envolvendo numa trama onde um vampiro do espaço, que parece ter saído de OS IRMÃOS CARA DE PAU, precisa colher sangue humano para tentar salvar o seu planeta.

Para os créditos iniciais de NOT OF THIS EARTH, foi feita uma montagem com cenas de vários clássicos dirigido pelo mestre Roger Corman e insere de uma maneira bem interessante o espectador no plano dos filmes B, produções de baixo orçamento realizadas em tempo recorde!

As filmagens deste aqui, por exemplo, foram cumpridas em apenas onze dias e meio, sendo que Jim havia apostado com Corman que conseguiria filmar em doze dias. E é com este espírito que o filme também deve ser visto. Uma diversão sem compromisso, cheio de clichês que mistura elementos sci-fi com terror e comédia, várias cenas de nudez gratuita, situações engraçadas, personagens burlescos, diálogos ridículos e todos os ingredientes de um ótimo filme B dos anos 80.

29.1.10

THE SWORD AND THE SORCERER (1982), de Albert Pyun

Não se preocupem, este ainda é o Dementia 13 de sempre, voltado para o lado obscuro do cinema, mas com um visual mais claro... aquele fundo preto, embora eu goste bastante, estava me dando dor nos olhos quando eu lia os textos. Então espero que não se importem, porque ainda temos muitas surpresas para serem comentadas, começando com mais uma pérola do Albert Pyun.

Fui logo de uma vez para o seu filme de estréia, que eu nunca tinha assistido, embora o gênero aventura/fantasia tenha sido um dos meus prediletos durante a infância. E como não me lembro de ter postado sobre algum Sword & Sorcerer movie aqui no Dementia 13, por que não começar com aquele filme cujo título nomeou o gênero?

O herói com sua espada cheia de surpresas...

Os anos oitenta deixaram um vasto acervo de exemplares deste estilo que tratava de tempos longínquos e misturava realidade e fantasia em aventuras alucinantes que maracaram época. A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo jovem público de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um SENHOR DOS ANÉIS a descobrir filmes como EXCALIBUR, KRULL, THE BEASTMASTER ou até mesmo algo mais trash, como DEATHSTALKER. Filmes infinitamente superiores do que aquela viadagem de Frodo...

O feiticeiro Xusia mostrando a Cromwell seu novo esmalte de unha.

Mas infelizmente, e até curioso isso, THE SWORD AND THE SORCERER acabou no ostracismo, como tantos filmes do gênero. Merecia ter-se tornado no mínimo um clássico! Além de ser uma ótima aventura, com bastante humor, mulheres nuas bem à vontade, violência gratuita e efeitos especiais à moda antiga de primeira qualidade, o filme foi um enorme sucesso comercial levando em conta seu orçamento discreto. Para ter uma noção, CONAN, em toda sua magnitude, lançado no mesmo ano e com capital mais espaçoso que este aqui, arrecadou apenas dois milhões a mais. Nada mal para o estreante diretor.

Segundo o produtor Brandon Chase, valeu a pena arriscar com Pyun na direção. Haviam cinco anos que os roteiristas Tom Karnowski, John V. Stuckmeyer e o próprio Pyun estavam trabalhando na idealização do projeto. Nada mais justo deixar que o jovem diretor de 26 anos colocasse em prática os “ensinamentos” lhe passado pelo mestre Akira Kurosawa. Claro que pelo resultado na tela em muitos de seus filmes parece que quem lhe ensinou foi o Ed Wood, mas Pyun mandou bem em muitos detalhes de SWORD AND THE SORCERER, especialmente no ritmo ágil que garante diversão, assumindo uma postura de aventura B com bastante graça.

Não podia faltar, não é mesmo?

A trama é basicamente uma estória de vingança. Temos o rei Cromwell (Richard Lynch, sinônimo de vilão) tentando conquistar um reino cujo exército é invencível. Mas com a ajuda de Xusia, um feiticeiro monstruoso e muito poderoso, consegue vencer a batalha e fazer daquele local o seu reino maligno. A estória continua anos mais tarde, quando Talon (Lee Horsley), o filho do Rei assassinado que conseguiu escapar naquela altura, se torna um guerreiro mercenário e lidera um grupo de saqueadores que realiza jornadas de cidade em cidade. Quando retorna ao antigo reino de seu pai, Talon resolve se vingar daquele que matou seus pais, libertar o povo da tirania e ainda conquistar o coração da princesa.

O conselheiro de Cromwell chegando por trás...

Richard Lynch deve ter aqui um de seus melhores desempenhos. É desses atores que parece estar sempre dando tudo de si mesmo que esteja envolvido na maior das porcarias, o que acaba valendo a pena pela sua presença sempre marcante nas fitas dentre as quais participa. Não foi preciso aqui, pois se trata de um ótimo filme, embora a sua presença seja crucial.

Já Lee Horsley, que dá vida ao herói, possui trejeitos que me lembram muito o grande Errol Flynn. Demasiado canastrão que sabe se impor em cena, inclusive a semelhança física entre os dois reforça esses devaneios meus...

Alguns dos pontos de maior relevância, entretanto, são os efeitos especiais e maquiagem. Logo no início, na caverna onde Cromwell ressuscita, há uma parede de rostos que adorna a tumba do feiticeiro cuja concepção visual é muito interessante. O próprio Xusia é um ser repugnante com um aspecto monstruoso bem legal. Brilhante também a trilha sonora David Whitaker e a fotografia de Joseph Mangine que realçam muito bem a atmosfera das locações e ambientações.

Eca!

Podemos dizer que Albert Pyun iniciou a carreira com o pé direito. Teve liberdade total para ousar, possuía muita gente boa trabalhando na produção e parte técnica, um excelente ator como Richard Lynch no elenco e não desperdiçou a oportunidade de realizar um belíssimo filme. Uma pena que seus trabalhos seguintes não tiveram a mesma repercussão. Mas há quem goste. Eu estou aguardando ansiosamente por cada filme. Existem pelo menos quatro previstos para serem lançados este ano, incluindo TALES OF ANCIENT EMPIRE, sequência de THE SWORD AND SORCERER que estava nos planos dos produtores desde aquela época...

25.1.10

MANSÃO DO TERROR, aka O POÇO E O PÊNDULO (Pit and the Pendulum, 1961), de Roger Corman

Se O POÇO E O PÊNDULO não for a melhor dentre as adaptações da obra de Edgar Allan Poe realizada pelo Roger Corman, ao menos é provável que seja a mais assustadora. A ORGIA DA MORTE permanece no topo, na minha opinião, pela combinação visual impressionante, o uso das cores de maneira única como elemento de horror e a fotografia sensacional de Nicholas Roeg, além, é claro, por Vincent Price numa atuação impecável incorporando o diabólico Prospero.

Vincent Price e seu sorriso sapeca...

Mas O POÇO E O PÊNDULO também é uma autêntica obra de arte do terror clássico dirigido magistralmente pelo mestre Roger Corman. Desses filmes que chega a bater uma tristeza e nos faz refletir o que aconteceu com o gênero... Por que não se filma mais com tanta elegância, beleza e atmosfera? Claro que existem ótimos casos que ainda salvam atualmente, mas de uma maneira geral o plano mais insignificante de um filme do Corman humilha qualquer coisa do gênero produzida por um grande estúdio americano nos últimos anos.

Um belo quadro filmado por Corman.
A trama central levanta questões sobre catalepsia e o pavor do enterro precoce, tema explorado com mais ênfase em seu filme seguinte, PREMATURE BURIAL, estrelado por Ray Miland (acredito que A QUEDA DA CASA DE USHER também tenha, mas ainda não assisti). O jovem Francis (John Kerr) chega ao castelo de Don Nicholas Medina (novamente Vincent Price) em busca de respostas sobre a recente morte de sua irmã, esposa de Medina. Francis desconfia bastante de seu cunhado, mas uma vez que a trama revela o passado de Nicholas, em sequências alucinatórias bem interessantes, Francis passa a tomar conhecimento dos mais profundos medos de Medina, que acredita piamente que sua mulher foi enterrada viva.

Ops!

O tormento por esse pensamento persegue Don Medina desde pequeno, quando viu seu pai, um entusiasta da inquisição espanhola que possuía sua própria câmara de tortura no porão do castelo, praticando o hobby em sua mãe, deixando-a viva somente para poder enterrá-la ainda naquele estado.

Ah, aí está o pêndulo do título!

Vincent Price está sublime, mais uma vez, interpretando Nicholas Medina, um personagem ambíguo e de transformações radicais e que já se tornou elemento essencial na composição do estilo de Corman, juntamente com o visual caprichado e a atmosfera densa. Outro grande destaque é a presença expressiva da musa do horror, Barbara Steele, no papel de Elizabeth, mulher de Medina. Todos esses elementos ajustados num clímax de tirar o fôlego, quando o vilão da estória finalmente utiliza-se do famoso pêndulo cortante que desce gradativamente até partir ao meio a sua vítima amarrada logo abaixo, possibilitam ao filme tornar-se digno de antologia.

23.1.10

RANGERS (2000), de Jim Wynorski

Enquanto Hollywood prepara outro filme caríssimo qualquer que seja sobre a situação no Oriente Médio, guerras e intrigas políticas altamente elaboradas, com um elenco formado pelo alto escalão do cinemão americano, cenas de ação explosivas e efeitos especiais de primeira, com exceção de poucos filmes o resultado é sempre mais do mesmo.

Sendo assim, prefiro sossegar no meu confortável sofá, degustar de um bom inebriante e colocar na agulha uma tralha do nível de RANGERS, filme onde um roteiro cretino é mero detalhe, os atores são péssimos, as situações são forçadas e o resultado é ruim de doer! Ao menos não possui pretensão alguma e cumpre muito bem o papel ao qual foi designado: servir de diversão aos fanáticos por tosqueiras de baixo orçamento.

O filme é mais uma proeza do Jim Wynorski, discípulo de Roger Corman que apareceu com seus primeiros filmes nos anos 80 e não parou mais, possuindo atualmente 79 filmes catalogados no imdb, mas como nem o famoso site consegue acompanhar o ritmo desses caras, aposto que o número deve ser um pouco mais alto... principalmente quando se trata de pessoas que adora um pseudônimo, como é o caso de Jim. Em RANGERS ele assina como Jay Andrews. Costumo dizer que Jim Wynorski e Fred Olen Ray são Joe D’Amato e Jess Franco da nossa geração em termos de quantidade produtiva. Os filmes desses dois, somados, daria mais de 200 filmes de qualidade duvidosa para serem saboreados.

O protagonista com a esposa gostosa que só quer um pouco de atenção...

Jim ainda possui a façanha de ser considerado o mestre do “stock footage cinema”, como diz o meu amigo Osvaldo Neto. Ou seja, para que gastar um dinheirão filmando determinadas cenas se todas elas já foram filmadas por outras pessoas? Então não é novidade a inserção na montagem de cenas de multidões, explosões, aviões e helicópteros pertencentes a outros filmes. No caso de RANGERS, Wynorski pegou pesado! O sujeito catou sequências inteiras de INVASÃO USA, de Joseph Zito, estrelado por Chuck Norris, de 1985, para serem implantadas à narrativa na maior cara de pau!!!

A trama envolve um grupo de agentes especiais do governo americano que inicia o filme numa missão no Oriente Médio. O objetivo é capturar Hadad (Edouard Saad), um terrorista que possui a cabeça a prêmio. Só que a missão dá errado, traições acontecem, reviravoltas e mistérios super criativos para não deixar o espectador bocejando (e isso em menos de 10 minutos), tudo porque há uma jogada intrigante por parte do governo americano e da CIA para eliminar seus próprios agentes, fortalecer suas relações com os terroristas e obterem petróleo de uma forma mais fácil. É, a trama é barra pesada!

O oficial Shannon, de herói à bandido, fazendo cara de quem quer vingança!

Os agentes, liderados por Broughten (Matt McCoy), conseguem escapar levando Hadad como prisioneiro, mas acabam deixando pra trás o oficial Shannon (Glenn Plummer), que dá um jeito de se acertar com os terroristas prometendo Hadad de volta e aproveita para bolar seu plano para se vingar daqueles que armaram contra ele. É aí que entram em cena os enxertos de INVASÃO USA, já que os terroristas árabes invadem o país com a ajuda de Shannon para libertar seu líder. Mas, peraê, os terroristas do filme de Chuck Norris não eram árabes... ok, isso também não importa, mas é de rolar de rir com o resultado.

Não tinha uma arma menor?

Um tanque de guerra saído de INVASÃO USA

A sequência de ação final de INVASÃO USA na qual os terroristas enfrentam o exército americano nas ruas da cidade foi inserida TOTALMENTE em RANGERS. Existem várias outras cenas roubadas, é impressionante. Mas o melhor de tudo ainda está por vir.

Uma explosão de INVASÃO USA

O duelo final entre Broughten e Shannon é inevitável. O segundo foge do primeiro, pega o primeiro ônibus estacionado que encontra e foge dirigindo. Broughten para um outro ônibus, tira o motorista de dentro e inicia a perseguição pela cidade movimentada. Aposto que os mais nostálgicos e fissurados por cinema de ação já sacaram. Que filme acontece uma perseguição de ônibus no meio do trânsito entre o vilão e o mocinho no final? Acertou quem disse INFERNO VERMELHO, de Walter Hill, estrelado pelo Arnoldão. E vocês acham que o malandríssimo Wynorski iria filmar uma sequência como essa? É óbvio que não! E tome mais enxertos na cara dura!

Só mesmo num filme B de ação colocariam um sujeito com essa cara de bunda mole para ser o herói!

Para completar a diversão, não deixe de reparar os furos de roteiro, cortesia do fiel colaborador de Wynorski, Steve Latshaw, diálogos impagáveis, a sombra da câmera aparecendo diversas vezes dentro do quadro, as expressões faciais do protagonista Matt McCoy, disputando com Dartanyan Edmonds, Glenn Plummer ou Rene Rivera quem tem a atuação mais ridícula. Alguém consegue me explicar como um sujeito sendo perseguido de carro consegue acertar um tiro no vidro de trás do outro carro que está na sua cola sem acertar o vidro da frente? Na cabeça desse picaretas tudo é possível!

22.1.10

Filmes recentes...

Meu tempo de dedicação ao blog anda bem curto, por isso a falta de atualização com textos maiores, mas vou arriscar algumas palavras do que tenho visto neste primeiro mês de 2010 dentre os filmes novos. Fui ao cinema com a patroa assistir ao mais recente Guy Ritchie, SHERLOCK HOLMES. Como defensor confesso do cinema do ex-marido da Madonna, apesar de tantos detratores, saí um pouco decepcionado da sessão. Não que o filme seja ruim, mas não está a altura de seus melhores trabalhos. É uma boa diversão e só. Quem ganha muito com isso é Robert Downey Jr. que aproveita um bocado o momento para fazer o que sabe melhor (e que o público tem adorado): mais uma variação do mesmo personagem...

Assisti também a BLACK DYNAMITE, que é uma delícia de filme e merecia um post a parte. Fica a recomendação. 500 DIAS COM ELA tive que ver com a patroa, não faz muito o meu gênero, mas é bem simpático. Mas um filme que quase me colocou de joelhos foi HARRY BROWN, do estretante Daniel Barber, uma investida séria e bastante atual ao subgênero “Vigilante”, no melhor estilo de DESEJO DE MATAR, estrelado por Michael Caine, magnífico como o protagonista vingador que resolve pegar pesado com os meliantes de seu bairro após assassinarem seu único e velho amigo. Caine demonstra que não perdeu a intensidade como cabra durão apesar da idade, como fazia nos anos 70 com atitude e estilo. Certo, o filme não é nenhuma obra prima e perde muito de sua força à medida que caminha para o final, mas basta sua primeira metade para colocá-lo entre os melhores visto (até agora).

20.1.10

PIRANHA 3D - imagens e trailer

Algumas imagens bem interessantes dos sets de PIRANHA 3D, novo filme dirigido por Alexandre Aja e que está para sair este ano. Estou ansioso por este aqui.

E o trailer:

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...