7.1.10

Filmes da década

Não são exatamente os melhores filmes dos últimos dez anos, mas aqueles que, de alguma forma, mexeram mais comigo, me fizeram ver cinema de uma maneira diferente...

Com certeza esqueci vários e poderiamos ficar discutindo sobre algumas ausências o restante desta década que se inicia, mas por enquanto é isso aí... Eu acho...

Colocar em ordem é algo que não vou fazer mesmo, mas se tivesse que escolher apenas um, fico com o filme do Cronenberg.

MARCAS DA VIOLÊNCIA (David Cronenberg, 2005)
SANGUE NEGRO (Paul Thomas Anderson, 2007)
MIAMI VICE (Michael Mann, 2006)
OS DONOS DA NOITE (James Gray, 2007)
A PROPOSTA (John Hillcoat, 2005)
BASTARDOS INGLÓRIOS (2009) e KILL BILL vol. I & II (Quentin Tarantino, 2003 e 2004)
EXILADOS (Johnnie To, 2006)
ZODIACO (David Fincher, 2007)
O GOSTO DA VINGANÇA (Ji-Woon Kim, 2005)
RAMBO 4 (Sylvester Stallone, 2008)
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (Joel e Ethan Coen, 2007)
GRAN TORINO (2008), SOBRE MENINOS E LOBOS (2003), MENINA DE OURO (Clint Eastwood, 2004)
REDACTED (2007), DÁLIA NEGRA (2006) e FEMME FATALE(Brian de Palma, 2002)
GANGUES DE NOVA YORK (Martin Scorsese, 2003)
CIDADE DOS SONHOS (David Lynch, 2001)
ADEUS, DRAGON INN (Tsai Ming Liang, 2003)
IRREVERSÍVEL (Gaspar Noé, 2002)
DANÇANDO NO ESCURO (2000) e DOGVILLE (Lars Von Trier, 2003)
A PROFESSORA DE PIANO (Michel Haneke, 2001)
OLDBOY (Chan Wook Park, 2004)
ICHI - THE KILLER (Takashi Miike, 2001)

5.1.10

FAVORITOS DEMENTIA 13 DE 2009

20. A FRONTEIRA DA ALVORADA (Philippe Garrel, 2008): Belíssimo conto filmado em tons granulados de um preto e branco expressivo, sobre um moço (Garrel filho) perturbado pelo fantasma de sua amada.

19. A TROCA (Clint Eastwood, 2008): Não é dos seus melhores, mas mantém o nível de excelência que Clintão vem demonstrando a cada filme. E ainda há uma boa atuação de Angelina Jolie. Do diretor ainda poderíamos ter GRAN TORINO em uma das primeiras posições (esse sim, uma peça grandiosa), mas acabou entrando na minha lista de 2008.

18. GIALLO (Dario Argento, 2009): Argento sem frescuras e sem grandes pretensões, trabalhando os elementos carimbados do suspense policial/serial killer, não podia dar outra: filmaço! As cenas das lembranças do protagonista demonstram que o italiano não perdeu a mão dos tempos áureos de SUSPIRIA ou PROFONDO ROSSO.

17. DISTRITO 9 (Neil Blomkamp, 2009): Fazia um tempinho que não tínhamos uma safra de ficção científica levada a sério. Dentre os vários bons exemplares do gênero, este aqui foi o que mais me impressionou, seja nas atuações, na estória simples, mas criativa, seja no uso de efeitos especiais.

16. BAD LIEUTENANT: PORT OF CALL – NEW ORLEANS (Werner Herzog, 2009): Bem diferente do original, de Abel Ferrara, Herzog manda muito bem neste retrato de personagem, com um Nicholas Cage inspiradíssimo, interpretando o policial politicamente incorreto, sujo, estuprador, viciado em drogas e em jogos, etc...

15. THIRST (Chan Wook Park, 2009): O diretor de OLDBOY está de volta e traz consigo uma releitura de filmes de vampiro muito interessante, com um padre chupador de sangue com peso na consciência e um humor negro pra lá de perspicaz. Viva Chan Wook Park!

14. ERVAS DANINHAS (Alain Resnais, 2009): É o que acontece quando um senhor já de idade avançada, um autêntico mestre consagrado mundialmente, que já deu contribuições significativas que mexeram nas estruturas da sétima arte e ainda continua brincando de fazer cinema, sem qualquer tipo de pretensão e com uma liberdade criativa que coloca a grande maioria dos cineastas atuais no chinelo.

13. MARTYRS (Pascal Laugier, 2008): Uma das grandes porradas do ano. Já nos primeiros momentos, Laugier faz uma boa apresentação de como estragar o café da manhã da burguesia francesa. Alta dose de violência extrema garante o choque visual e no fundo, tudo é justificado por conta da ótima estória.

12. TOKYO SONATA (Kiyoshi Kurosawa, 2008): Não existe muita diferença entre os filmes de terror habituais do diretor com este drama familiar cujo resultado talvez seja até mais assustador.

11. ARRASTA-ME PARA O INFERNO (Sam Raimi, 2009): O melhor trabalho de Raimi desde ARMY OF DARKNESS. O diretor precisou se desgrudar do Cabeça de Teia e voltar às suas origens para que isso fosse possível. Mas valeu a pena, pois temos aqui terror de primeira qualidade com todos os exageros típicos de Raimi. Nem os efeitos em CGI conseguiram atrapalhar a diversão.

10. ONDE VIVEM OS MONSTROS (Spike Jonze, 2009): Muita gente malha Spike Jonze, mas eu gosto do seu trabalho. Raro caso de estilo de direção “videoclíptico” que não vira palhaçada. O filme conta a estória de um menino comum que sai de casa, fantasia um mundo mágico em sua cabeça, com criaturas estranhas e cheio de aventuras, e depois volta pra casa. Me fez lembrar de algumas coisas boas de ser criança...

09. VINYAN (Fabrice du Welz, 2008): Prova que Welz não era fogo de palha e o talento apresentado em CALVAIRE amadurece ainda mais neste verdadeiro pesadelo filmado. Belo e perturbador.

08. GUERRA AO TERROR (Kathryn Bigelow, 2008): A rotina de oficiais do exército americano tendo a guerra do Iraque como cenário sob uma visão feminina. O melhor filme sobre o tema.

07. O LUTADOR (Darren Aronofsky, 2008): A direção de Aronofsky melhorou bastante ao longo de sua filmografia, mas quem carrega o filme nas costas é Mickey Rourke com uma interpretação magnífica. Filme sensível, poético, ao mesmo tempo grosso, violento e com um dos finais mais legais do ano.

06. VENGEANCE (Johnnie To, 2009): Inicialmente escrito para Alain Delon, o papel principal acabou nas mãos de Johnnie Halliday, que não está nada mal. O que importa mesmo é que Johnnie To continua com mão firme para comandar suas coreografias de ação regadas a chumbo grosso!

05. ANTICRISTO (Lars Von Trier, 2009): O diretor de OS IDIOTAS realizando um filme de terror só poderia dar numa das experiências mais intensas e assustadoras do ano. É provável que seja o melhor filme de Lars Von Trier.

04. TETRO (Francis Ford Coppola, 2009): Já estava começando a duvidar que o diretor fosse capaz de realizar um trabalho do nível de seus filmes mais aclamados. TETRO é visualmente impecável e o tema familiar é tratado com muita sensibilidade. Coppola finalmente está de volta!

03. AMANTES (James Gray, 2008): Personagens fortes, situações simples, mas profundas, uma pequena, e genial, demonstração que comprova porque James Gray está entre os melhores diretores da atualidade.

02. INIMIGOS PÚBLICOS (Michael Mann, 2009): Difícil colocar esta maravilha atrás de algum outro, mas depois de muito pensar, ficou em segundo com um aperto no coração. O filme possui algumas das cenas mais impressionantes do ano, como o tiroteio na floresta ou o “bye-bye blackbird” que encerra o filme. Genial.

01. BASTARDOS INGLÓRIOS (Quentin Tarantino, 2009): Está aí. Bem óbvio, mas não teve outro jeito. É simplesmente a obra prima de um diretor que NUNCA me decepcionou. Tarantino está no auge e basta a sequência inicial ou qualquer momento com Christoph Waltz em cena para perceber que estamos diante de um dos grandes filmes da década.

E é isso aí, pessoal. Alguns outros filmes que talvez merecessem um lugar na lista eu ainda não vi, como VINCERE, MOTHER, ADAM RESURRECTED, BRONSON e outros. Como vocês sabem, não sou muito ligado aos filmes novos e não assisto nem a metade que um cinéfilo normal assiste numa sala de cinema. Minha prioridade é com os clássicos obscuros a serem redescobertos.

Enfim, o DEMENTIA 13 retorna de seu pequeno descanso. Que em 2010 tenhamos um ótimo nível de filmes estreando nas salas de cinema. E se não tivermos, estaremos sempre descobrindo ou redescobrindo alguma preciosidade obscura esquecida por aí.

É provável que no próximo post eu traga os meus 20 melhores filmes da década.

24.12.09

22.12.09

AVATAR (2009), de James Cameron

Um monte de gente já disse tudo que havia para dizer sobre AVATAR, novo filme do James Cameron, que desde TITANIC (97) estava sem colocar a mão na massa.

Mas gostei do filme. Como uma boa aventura, um bom entretenimento, a coisa funciona tranquilamente. Mas é só. Quem esperava o velho Cameron da época de O EXTERMINADOR DO FUTURO II vai se sentir frustrado, porque a atenção do diretor aqui é somente no visual, nos efeitos especiais, em como utilizar os recursos do 3D, etc, deixando de lado a preocupação na forma, na estrutura, ritmo, conteúdo, personagens...

Mas nada disso faz muita diferença quando a pretensão do diretor era mesmo submeter o seu público a uma experiência visual impressionante e sem precedentes. De fato, Cameron cumpre o que prometeu com a ajuda da tecnologia ultra moderna. A concepção visual do universo desenvolvido por Cameron e seus artistas já pode ser considerada um marco na história dos efeitos especiais.

Então o negócio é sentar e relaxar, embarcar na aventurazinha cuja diversão é garantida. Não que o enredo seja ruim, mas muita gente tem reclamado da ingenuidade e de como Cameron perdeu a mão para certos detalhes que o diferenciava dos outros diretores. Realmente, AVATAR é repleto de clichês que poderiam ser evitados, como discursos encorajadores e vários outros momentos piegas em que o herói está em seu avatar.

Aliás, meus olhos sentiam um alívio visual quando o protagonista acordava e os atores em carne e osso podiam ser vistos (porque tanta masturbação sensorial me cansou um pouco), principalmente com o Stephen Lang em cena, de longe a MELHOR coisa do filme. Se existe algo que James Cameron comprova que não perdeu foi sua capacidade em construir vilões. Lang está perfeito em todos os sentidos. Tem presença e sabe atuar. Já havia roubado a cena em INIMIGOS PÚBLICOS e aqui o faz com maestria novamente. Incrível como esse sujeito não havia se destacado antes. 2009 é o ano de Stephen Lang! Está lançada a minha campanha!

Enfim, AVATAR não é a maior maravilha do cinema de todos os tempos (como muita gente parecia estar esperando) e está bem longe disso, mas possui seus méritos e merece ser visto como mais uma ótima diversão.

NINJA (2009), de Isaac Florentine

Quem acompanha o Dementia 13 sabe do meu caso de amor com os filmes de ação old school dos anos 70, 80 e 90. Época boa que não volta. Mas de vez em quando acaba surgindo algum exemplar feito à moda antiga para alegrar meu pobre coração. NINJA é um desses casos, um belo revival dos clássicos filmes oitentistas ao estilo AMERICAN NINJA, com um sujeito ocidental usando esses pijamas pretos com a cara coberta, tendo que demonstrar suas habilidades por algum motivo que não tem tanta importância. O que vale mesmo é a quantidade de vagabundos levando chutes na cara!

O único elemento que contextualiza a produção, tecnicamente, na época atual são os malditos efeitos especiais, embora sejam discretos, mais especificamente para recriar sangue artificial. No restante, NINJA funciona muito bem como filme de ação sem cérebro, divertido até o talo, com pancadarias a cada cinco minutos nos mais variados tipos de ambientes, desde becos escuros, terraço de um edifício ou o interior de um vagão de metrô em movimento.

As atuações são péssimas e Scott Adkins, apesar de promissor, não chega nem ao calcanhar de Michael Dudikoff (como se este fosse um excelente ator!!! hehe), mas isso é o de menos. Seu personagem, Casey, possui bastante semelhanças com Joe Armstrong do filme AMERICAN NINJA. Ambos são órfãos, recebem treinamento ninja e se apaixonam pela filha do mestre. Em NINJA, o protagonista ganha um desafeto com Masazuka, um oriental que tem inveja do americano, por isso tenta matá-lo em um ataque de raiva e acaba expulso da academia.

A grande motivação que os roteiristas encontraram para dar um gás à trama é uma caixa guardada pelo sensei, interpretado por Togo Igawa, cujo interior mantém os artefatos ninjas de um lendário guerreiro da antiguidade. Bem, a caixa precisa ser transportada, Casey é o escolhido para a tarefa (juntamente com outros estudantes, inclusive a filha do sensei). É aí que Masazuka volta em cena para sua vingança.

Masazuka é um vilão interessante, que consegue representar uma verdadeira ameaça para o herói. O filme ainda coloca uma seita religiosa no enredo da qual saem os capangas que Casey enfrenta. As seqüências de lutas são o grande destaque, com ótimas coreografias e direção firme de Isaac Florentine, famoso por episódios de Power Rangers que dirigiu nos anos 90. Trabalhou também com Dolph Lundgren e um de seus últimos trabalhos foi THE SHEPHERD, com um baixinho belga que adoramos!

NINJA é exatamente isso, uma diversão sem compromissos, sem grandes pretensões. Para quem não curte nem os autênticos clássicos dos anos oitenta, não suporta ver Franco Nero de bigode encarnando um ninja, não sabe o que é uma katana shinobi, não entende como aquelas pequenas estrelinhas matam tão rapidamente, etc... recomendo distância! Caso contrário, sinta-se em casa.

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...