12.11.09

4o. Curta Fantástico em São Paulo

Agora é a vez de DEMENTIA 13 marcar presença!

No último fim de semana do festival, nos dias 13, 14 e 15 de novembro, estarei em São Paulo participando de uma oficina de maquiagem e efeitos especiais ministrada pelo Rodrigo Aragão, diretor de MANGUE NEGRO, e aproveito para assistir alguns filmes da programação. Até lá!

10.11.09

DIFÍCIL DE MATAR (Hard to Kill, 1990), de Bruce Malmuth

Digamos que para nós, fãs do astro Steven Seagal, o homem entrou no mundo do cinema com pé direito em NICO – ACIMA DA LEI, um puta filme policial de ação, sensacional, que a grande maioria tem preconceito justamente porque é estrelado pelo ator de rabinho de cavalo. E olha que ele nem usava ainda o rabinho em sua estréia! DIFÍCIL DE MATAR é o seu segundo trabalho e confirma que o sujeito veio para ficar, detonar com muitos bandidos e fazer a alegria da moçada!

DIFÍCIL DE MATAR pode até não ser melhor que NICO, mas para quem quer apenas sentar no sofá e assistir ao nosso herói distribuindo bala, quebrando alguns braços e jogando os malandros por vidraças, este aqui é o filme ideal, principalmente pela simplicidade do tema, sem a ênfase política de seu trabalho anterior (embora não deixe de ter). Quer apenas divertir seu público e faz isso muitíssimo bem.

Para quem não se lembra (o que eu acho improvável, já que o filme passava toda semana nas tardes do SBT), a trama é uma variação da estória do sujeito que quase morre depois de ter a carcaça perfurada a balas, entra em coma, depois de vários anos acorda, descobre que sua mulher e seu filho foram mortos, treina para ficar forte de novo e sai para vingar-se dos responsáveis que estragaram sua vida. Lembrando que KILL BILL veio muito tempo depois deste aqui...

Steven Seagal vive o policial Mason Storm que, já na cena de abertura, aparece espreitando por entre os becos escuros de uma doca com uma câmera para tentar registrar a reunião de um grupo de suspeitos. Acaba descobrindo um plano para matar o senador, mas sua presença é logo descoberta, mesmo assim consegue escapar sem precisar partir para a violência. Como ninguém viu seu rosto, segue tranquilo seu caminho, passa numa loja de licores para comprar um champanhe para estourar com a patroa, mesmo tendo em mãos uma verdadeira bomba prestes a explodir. A organização, que conta com policiais corruptos já sabe muito bem quem era o abelhudo das docas.

A cena que se passa na loja de licores é interessante porque serve para explorar um pouco quem é o nosso herói, o que se significa que vamos ter uma sequência de luta!!! Totalmente à parte da trama principal, um grupo de ladrõezinhos de quinta categoria invade o local para assaltar, mas acaba deparando-se com Storm, que utiliza todo seu conhecimento em artes marciais par quebrar a cara dos malandros. Depois disso, leva o champanhe pra casa, porque ninguém é de ferro...

Chegando, encontra a esposa em trajes íntimos o esperando para estourar o inebriante. Mas os bandidos empatam a foda atirando pra tudo "quanté" lado, matando a esposa e alvejando o sujeito, que não morre, entra em coma e só vai acordar daqui a sete anos com sede de vingança porque como o título auto explicativo informa, ele é DIFÍCIL DE MATAR!!! O filho do casal acaba se safando pela janela deixando os meliantes putos da vida. Estes espalham cocaína pelo quanto pra dar a impressão de que se tratava de um dirty cop... não basta matar, tem que amaldiçoar as próximas gerações também.

No hospital, o médico informa o que ninguém nem imagina. Mason Storm ainda está vivo, mas em coma. Kevin O'Malley, um dos poucos policiais confiáveis do distrito e amigo do protagonista, pede ao médico que não deixe vazar a informação, ou Storm estaria correndo risco de vida. E assim, nosso herói passa sete anos sossegado, tendo a bundinha limpa por enfermeiros. Aliás, por uma enfermeira que eu faria questão de me machucar feio só pra ficar sob seus cuidados. Estou falando de Kelly Le Brock, a mulher nota 1000, e esposa do Seagal na época.

Resumo da ópera: Storm acorda com uma barba extremamente engraçada, de pijamas e já precisa fugir do hospital, onde um assassino deseja terminar o serviço mal feito realizado sete anos antes. Le Brock ajuda o protagonista a escapar e o leva para a casa de um médico que está na China. Lá, Storm se recupera, treina como dar socos novamente, conta suas histórias de vida, de como aprendeu a lutar, etc, claro que vai aproveitar para apagar o fogo da enfermeira, que desde quando estava em coma, já elogiava a manjuba do sujeito. Porque além de fodão, o sujeito tem que ser o kid Bengala...

Como disse o meu amigo Luiz Alexandre, seria interessante fazer um filme com um personagem fodão, mas que sofre por ter o membro mal desenvolvido... seria bem dramático. Algo que um casca grossa como Steven Seagal nunca aceitaria fazer. Além disso, DIFÍCIL DE MATAR é o único filme da carreira de Seagal que ele tem relações sexuais com duas mulheres diferentes na trama. Algo inadmissível em filmes posteriores quando seus personagens vão se tornando cada vez mais solitários e nem família possui, diferente dos primeiros filmes. É nesses filmes solitários que ele deveria fazer o filme sugerido pelo Luiz... mas enfim.

Depois de descobrir que seu filho não morreu e está muito bem sob os cuidados de O'Malley, é hora de limpar seu nome e vingar-se. O legal é que ele nem precisou ir atrás da bandidagem. Os próprios malfeitores o encontram na casa do médico que está na China, e vai levar um susto daqueles quando retornar e notar o estado de sua sala, cheio das decorações orientais estraçalhadas... sem contar os corpos que Seagal deixou antes de fugir com seu jipe à prova de balas. A sequência da fuga é bem bacana, com Seagal revezando tiros e golpes de Aikido em seus inimigos, cada vez mais convencidos de que o sujeito é realmente difícil de matar!

O filme tem muita ação, todas trabalhadas organicamente, servindo muito bem a narrativa. Onde quer que Storm passe, sempre há um engraçadinho pronto pra levar um pontapé, ou ser jogado através de uma vidraça. O principal alvo do nosso herói é o atual senador, o mesmo de sete anos antes, quando ainda era o vereador, que planejava a morte do então senador. Quem encarna o vilão é ninguém menos que o William Sadler, ator subestimado pelo grande publico, mas sempre marcando presença com ótimas performances. A cena em que mostra seu personagem numa banheira de hidromassagem em sua mansão, com uma gatinha de topless, recebendo a notícia de que Storm poderia chegar a qualquer momento é impagável! “Listen, We’re not gonna make the ballet tonight. GET LOST!

O grande mérito de DIFÍCIL DE MATAR é o roteiro escrito por Steven McKay, na qual teve a sabedoria de contar um estória simples, com todos aqueles clichês que sabemos previamente que vamos encontrar, mas que é justamente o que buscamos ao assistir a um filme como esse. Ou alguém aí vai parar para assistir a um trabalho de Steven Seagal tentando encontrar reflexões humanistas que vão te inspirar a escrever um texto de uns 15 parágrafos? Claro que não! Aqui, o máximo de humanismo que você encontra é o personagem de Seagal gritando “NOOOOO” no momento em que sua esposa leva um balaço de escopeta!

O roteiro ainda é responsável por colocar bastante situações de ação acompanhadas de várias frases para os fãs de cinema Bad Ass se deliciarem, como quando Storm reconhece quem é o verdadeiro vilão da estória, o atual senador, comentando na TV que não acrescentaria novas taxas, impostos, etc, e que levassem isso para os bancos, e o protagonista diz para si mesmo, mas em voz alta, “I’m gonna take you to the bank, senator. To the blood bank”!!! Demais!

A direção é por conta de Bruce Malmuth, que não chega a ser um Andrew Davis, muito menos John Flynn, mas cumpre bem o papel com seriedade e eficiência como um bom artesão, algo meio difícil de se encontrar no cinema de ação americano atual. É o responsável por outro filme bem legal que eu comentei por aqui há algum tempo, FALCÕES DA NOITE, com Sylvester Stallone.

DIFÍCIL DE MATAR é um filme que eu realmente adoro e representa muito todo um cinema de ação dos anos 80 e 90 em sua essência non sense de exageros e falta de pretensão, a não ser a de divertir seu público, com muita liberdade criativa, elementos feitos sob medida, sem qualquer obrigação com a realidade. É isso que importa e por isso dou muito mais valor a este tipo de cinema do que essas frescuradas de hoje, com raríssimas exceções! E se preparem que vem mais Steven Seagal por aí! E também mais Van Damme, Stallone, Arnoldão, Bruce Willis, Dolph Lundgren, etc, etc...

Outros textos de Steven Seagal: NICO - ACIMA DA LEI e FÚRIA MORTAL.
E o texto sobre FALCÕES DA NOITE, do Bruce Malmuth

8.11.09

Filmes recentes...

TETRO (2009), de Francis Ford Coppola

Isso sim eu chamo de um verdadeiro retorno (E não o YOUTH WITHOUT YOUTH, de 2007)! Coppola coloca muito sentimento neste belíssimo trabalho e filma com o coração. Tetro (Vincent Gallo) é um escritor que resolveu cortar ligações com sua família, cujo pai é um grande maestro, e foi viver na Argentina, até que, passado alguns anos, recebe a visita de seu irmão mais novo que possui uma fixação enorme no mais velho. E é claro que isso vai gerar muita reação em torno dos personagens, com todo o passado intocado e misterioso que Tetro procurou esquecer e esconder voltando à tona...

Fotografado num preto e branco lindíssimo, com alguns momentos coloridos e beirando ao surrealismo, o visual, no cenário argentino, acaba sendo um dos grandes destaques do filme, mas desta vez a estória também possui um grande valor, um drama familiar muito bem conduzido por Coppola. É o primeiro roteiro original que o diretor escreve desde A CONVERSAÇÃO, de 1974, e resgata alguns temas auto biográficos. Provavelmente seu projeto mais pessoal. TETRO é tocante, dos melhores que o diretor já fez em muito, muito tempo e um dos meus favoritos de 2009.

MOON (2009), de Duncan Jones

Aquele poster todo retrô não estava para brincadeira. MOON é ficção científica das boas, essencialmente à moda antiga e se inspira na maior sci fi de todos os tempos, 2001 – UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, de Staley Kubrick, para narrar a estória de um astronauta solitário que trabalha numa estação espacial lunar depois que desenvolveram uma nova fonte de energia extraída do nosso satélite natural.

O filme é surpreendentemente simples e muito bem sustentado por Sam Rockwell interpretando o astronauta visto em praticamente todas as cenas. Mexe com questões atuais, mas os efeitos especiais discretos e o visual minimalista e retrô reforçam ainda mais o tom “kubrickiano” do filme, principalmente com a presença de GERTY, uma espécie de HAL atualizado para os nossos dias e que Kevin Spacey empresta a sua voz.

OS SUBSTITUTOS (Surrogates, 2009), de Jonathan Mostow

Fraquinho como entretenimento, mas não tão ruim quanto eu imaginava, e consegue colocar pra refletir um bocado sobre algumas questões (nem que seja durante o filme, ou uns 5 minutos após, porque depois disso OS SUBSTITUTOS já se torna descartável). No futuro as pessoas não saem mais de casa. Ao invés disso, utilizam andróides que são verdadeiras imagens projetadas da maneira como uma pessoa gostaria de ser vista. Bruce Willis, por exemplo, é um agente da CIA tentando resolver um caso. Ele é velho, barrigudo e feio, mas seu “substituto” – como são chamados – tenta parecer um galã de cinema com um cabelinho ridículo.

Mas não é exatamente isso que acontece hoje com a internet, sites de relacionamentos, Second Life e salas de bate papo virtual? Quem te garante que a pessoa que se descreve como uma morena, linda, olhos cor de mel e se chama Joyce num chat, não é na verdade um sujeito gorducho, careca, querendo sacanear com uns trouxas? É, isso acontece...

O CAÇADOR (The Chaser, 2008), de Na Hong-jin

Meu amigo Herax, sempre antenado, já havia nos alertado sobre esse filme coreano há tempos, mas acabei deixando passar. Agora que começaram a comentar sobre ele é que resolvi conferir. É um filme impressionante sobre um ex-policial que virou cafetão e precisa dar uma detetive quando algumas de suas “empregadas” começam a desaparecer.

A narrativa é bem intensa e frenética, tudo é muito bom, mas é um pouco longo e chega em um determinado ponto que eu precisei dar umas bocejadas. Mas nada que incomode. O ator Kim Yun-seok, que faz o cafetão, é um puta ator e a atmosfera de violência marca bastante. O final é de deixar qualquer espectador indignado (no bom sentido).

THE SNIPER (2009), de Dante Lam

Bem mais ou menos este aqui, um filme policial focado em três atiradores de elite. Um instrutor da polícia, seu aprendiz e o vilão, um ex-policial que agora joga no outro time. As intenções do diretor até que são boas, mas ele parece meio perdido entre quais dos três personagens deve dar mais atenção, acaba tudo muito vazio, por mais que se tente construir detalhes que acrescente algo a eles. Algumas sequências de ação são muito boas e é a única coisa que presta mesmo no resultado final. Não chega a ser ruim, mas poderia ser bem melhor.

Hoje ainda devo assistir ZOMBIELAND. Depois digo o que achei.

BLACK DYNAMITE - trailer

5.11.09

JOGO BRUTO (Raw Deal, 1986), de John Irvin

Dos filmes do Arnold Schwarzenegger que sempre estiveram presentes, me acompanhando durante a pré-adolescência, o único que eu ainda não havia revisto era JOGO BRUTO, um filme considerado menor na carreira do Arnoldão, mas ainda muito bom como veículo de ação para o ator. E somente este ano fui rever esta pequena pérola dos anos 80, que foi realizada entre dois filmes que obtiveram um sucesso bem maior que este aqui, COMANDO PARA MATAR e PREDADOR.

O personagem de Arnoldão é apresentado de uma forma bizarra, mas muito criativa e bem agitada, numa perseguição em alta velocidade onde dirige um jipe atrás de um policial de motocicleta! Quantas vezes você já viu um protagonista sendo introduzido ao filme perseguindo um policial? Pois então, é uma coisa linda de se ver. Mas logo depois, tudo acaba sendo bem explicado. Arnoldo interpreta um xerife de uma pequena cidade e o tal policial é apenas um sujeito que se passa por oficial para subornar os cidadãos indefesos. Uma excelente maneira de começar um filme...

Aos poucos vamos conhecendo mais a fundo a história do personagem de Arnoldão, que se chama Mark Kaminsky. Os roteiristas do filme devem ter suado um bocado para construir um personagem tão complexo: Kaminsky é um ex-policial de Nova York que quase acabou expulso da corporação por certos atos que julgou ser ético de sua parte, mas seus superiores classificaram como acima da lei. Graças a um amigo, conseguiu esse trabalho de xerife nessa cidadezinha do interior que sua mulher odeia e passa o dia inteiro bebendo e resmungando. Pobre Arnold...

Enfim, esse mesmo amigo que o ajudou num momento difícil, agora volta a entrar em contato com Kaminsky para que lhe retribua o favor. O filho desse velho amigo, que também era policial, foi morto enquanto protegia uma testemunha de um processo judicial na qual prejudicaria uma organização mafiosa, então ele oferece ao personagem de Arnoldo uma chance de ter seu velho emprego na cidade grande de volta. Basta que ele se disfarce de bandido, se infiltre entre os mafiosos e descubra os responsáveis pela morte do filho do amigão. Claro que isso é mais uma missão de vingança do velho do que qualquer outra coisa, mas também é uma oportunidade para que o protagonista dê um novo rumo à sua vida.

Kamisnky aceita, claro, mas antes ajeita alguns pequenos detalhes: finge sua morte, pinta o cabelo e muda o penteado, cria uma nova identidade, etc, essas coisas todas que sempre vemos nos filmes. Adota o nome falso de Joseph P. Brenner e voilà, temos aí um infiltrado na máfia pra nenhum defensor de CONFLITOS INTERNOS botar defeito! E o sujeito vira um casca grossa, chama a atenção ao brigar no cassino da gangue rival, é contratado e logo passa a conquistar a confiança de seus chefes. Só pra ter uma noção de como o sujeito é graúdo, em uma cena um sujeito desconfiado lhe pergunta “Josheph P. Brenner... What’s the “P” stand for?” e eis a resposta: “Pussy”.

Er… é um diálogo realmente muito bem bolado!

Um dos roteiristas de JOGO BRUTO se chama Norman Wexler. É interessante conhecer um pouco sobre esses caras pra tentar entender o gênio que existe na cabeça deles. Wexler, por exemplo, foi considerado promissor entre os roteiristas americanos no inicio da década de 70. Em 1972 foi preso por ameaçar matar Richard Nixon (!!!) e em 1974 quase recebeu um Oscar pelo roteiro de SERPICO. Enfim, são curiosidades fúteis, mas ajudam a conhecer os responsáveis por um diálogo como aquele ali em cima.

O diretor John Irvin, hoje praticamente esquecido (e com razão, já que não faz nada muito interessante há um bom tempo) deu sua contribuição para o cinema de ação dos anos oitenta em filmes como DOGS OF WAR, com o Christopher Walken. Faz um bom trabalho por aqui também, sem dúvida, mas convenhamos, o grande destaque é o Arnoldão (outra grande figura que aparece em cena é o Robert Davi, como o mafioso desconfiado, sempre tentando atrapalhar o disfarce de Kaminsky).

O Arnoldo foi um sujeito que conseguiu fazer umas boas escolhas durante a carreira (tirando algumas comédias chatas dos anos 90 e alguns dos últimos filmes que fez) e um sujeito que tem no currículo CONAN – O BÁRBARO, os dois EXTERMINADORES, O VINGADOR DO FUTURO, COMANDO PARA MATAR, O SOBREVIVENTE e PREDADOR, merece mais respeito daqueles que dizem que ele é apenas uma montanha de músculo que não sabe atuar (ok, ele não sabe, mas pelo menos é um gênio na escolha de seus personagens). JOGO BRUTO também merece mais destaque. Não é tão consistente quanto seus outros filmes do mesmo período, mas a diversão é garantida.

3.11.09

THE CHILDREN (2008), Tom Shankland

Um dos filmes que eu pude conferir neste último fim de semana (com direito a feriado) foi este terror da recente safra, muito bem resolvido como exemplar do gênero e me surpreendeu bastante em alguns pontos pela forma como articula algumas coisas. THE CHILDREN é sobre duas famílias inglesas, aparentemente normais, que se reúnem numa casa isolada para o natal. O cenário é lindamente aproveitado pelo diretor Tom Shankland. A floresta coberta de neve e as árvores quase sem folhas do inverno britânico criam uma atmosfera bem interessante... Alguma força da natureza começa, subitamente, a afetar as crianças que passam a agir de uma maneira estranha colocando em risco a vida dos adultos. Embora seja baseado numa estória de Paul Andrew Williams, o filme bebe da mesma fonte de alguns títulos que me vieram em mente durante a projeção, como ¿QUIÉN PUEDE MATAR A UN NIÑO?, de Narciso Ibáñez Serrador, e A CIDADE DOS AMALDIÇOADOS, de John Carpenter. Dos pontos que me chamaram a atenção, destaco a maneira como se manifesta esse “mal” nas crianças, que o filme acaba não explicando os motivos, apenas sugere e deixa rolar, confiando na perspicácia do público. No início achei meio esquisito, mas a forma como os adultos reagem ao ataque às crianças é outro detalhe que me agradou bastante, principalmente porque remete a um tom de pesadelo que incomoda bastante. Os atores estão bem, em especial as crianças, a direção é ótima, a estória é simples, mas bem bolada e algumas imagens ficam gravadas na mente por um bom tempo.

1.11.09

COMMAND PERFORMANCE (2009), de Dolph Lundgren

Juro pra vocês que estava doido para postar uma “rasgação” de elogios para este novo trabalho escrito (em parceria com Steve Latshaw), dirigido e estrelado pelo Dolph Lundgren, mas o sujeito me desperdiça uma PUTA oportunidade de realizar um autêntico filme de ação casca grossa à moda antiga como o trailer sugeria. COMMAND PERFORMANCE é uma tentativa fracassada de ser a azeitona da empada dos filmes de ação.

A trama vem sendo definida como uma espécie de DURO DE MATAR num show de rock. Lundgren interpreta o baterista de uma banda russa e durante uma apresentação se vê obrigado a agir quando um grupo de terroristas invade o local e mantém o presidente da Rússia e suas filhas como reféns. Ou seja, temos aqui a premissa perfeita para um ótimo filme, sem grandes pretensões, mas com bastante ação e diversão pra moçada! E até certo ponto ocorre tudo bem, os terroristas são bem sádicos, matam inocentes civis a sangue frio, há uma boa dose de violência, muito sangue (algum feito em CGI, mas releve...), etc.
É Dolph, tem que comer muito arroz e feijão ainda pra chegar ao nível de seu amigo Stallone...

O problema é quando começa a parte burocrática da coisa, um excesso de conversa fiada das autoridades que querem resolver a situação, muita ladainha por parte dos terroristas, o roteiro começa a apresentar furos e a se preocupar demais com personagens que não tem interesse algum e Dolph Lundgren destruindo tudo e matando a vontade que é bom, nada! A maior parte do tempo, assistimos ao sujeito se esgueirando e não fazendo porra nenhuma.

Tá certo que eu não esperava um novo COMANDO PARA MATAR, mas pelo amor de Deus, Lundgren tinha tudo pra fazer algo bem acima da média. As poucas cenas que o sujeito entra em ação não duram mais que 10 segundos, são esporádicas e mesmo os lampejos de criatividade – como enfiar a baqueta na cabeça de um terrorista, que é algo bem legal – não conseguem salvar o resultado final. Ao invés do filme ser bom pelo que é, acabo tendo que ser tolerante pra não perder viagem, e fico caçando detalhes que me agradam. Até acho algumas coisas, como por exemplo, a direção do Lundgren, que tem melhorado bastante. Ele precisa agora aprender a não ficar inventado moda e colocando frescuradas na estória.

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...