16.9.09

MCQUADE - O LOBO SOLITÁRIO (Lone Wolf McQuade, EUA, 1983), de Steve Carver


MCQUADE, O LOBO SOLITÁRIO não é somente um dos melhores filmes estrelados pelo Chuck Norris, é também uma das mais eficazes misturas de spaghetti western com kung fu antes de KILL BILL! Assisti a esta belezinha há muitos anos e não me lembrava de nada, mas fiquei bastante satisfeito, e com um sorrisão durante toda a revisão que fiz recentemente, quando percebi que ele continua tão divertido quanto antes, na época em que este tipo de filme fazia sucesso nas locadoras de vídeos nos anos 80.

O filme apresenta J.J. McQuade (Norris), uma espécie de Dirty Harry do texas, um ranger solitário de uma pequena cidade que procura defender a lei sem seguir as normas, sempre enfurecendo seus superiores, resolvendo os casos à base de chumbo grosso ou de golpes de kung fu. Possui uma filha adolescente que vive com a ex-mulher e um lobo de estimação que serve de companhia nas horas de folga, quando pratica tiro ao alvo. Na trama, McQuade investiga a misteriosa aparição de armamento pesado nas mãos de simples ladrões de cavalos e descobre que está se metendo onde não deve... num grande caso de tráfico de armas.

O problema maior começa quando sua filha vai com o namorado a um lugar isolado para fazer bobiças, mas testemunham um roubo de armas do exército americano e acabam descobertos pelos bandidos, que metralham o pobre rapaz e jogam o carro numa ribanceira com a moça dentro, sobrevivendo por um milagre. Quem lidera a ação é Rawley Wilkes, vivido pelo eterno gafanhoto David Carradine, que se esconde atrás da máscara de homem de negócios e do título de campeão mundial de karatê. Decidido a encontrar os culpados a qualquer custo, McQuade vai em busca de justiça com as próprias mãos, mesmo sendo afastado pelos seus superiores, chegando até Wilkes, que possui um verdadeiro exército a sua disposição.

Eu sei que é difícil de ouvir/ler sobre boas atuações de Chuck Norris; seus filmes ganhavam o publico por causa da ação e pancadaria desenfreada, geralmente não estamos nem aí quanto à capacidade dramática do ator. Ao contrário, o jeitão grosseiro de atuar é que faz o seu charme. Não vou dizer que aqui o sujeito merecia um prêmio de interpretação, mas é na pele de McQuade que ele demonstra que pode (ou poderia) construir um personagem com sentimento e expressividade sem perder a pose de durão. O sujeito realmente tem uma bom desempenho!

O diretor Steve Carver, além de fazer um ótimo filme de ação, acaba realizando uma autentica aula de metalinguagem com os elementos do spaghetti western. Os créditos iniciais e a trilha sonora de Francesco De Masi (compositor de vários filmes deste gênero popular italiano) poderiam passar por um filme dirigido por um Leone ou Corbucci na década de 60. Tanto que meu velho – que assistiu ao filme comigo – nem acreditou quando eu disse que o filme era contemporâneo, até que aparece um helicóptero, logo no inicio, comprovando que eu estava certo. Isso tudo sem contar os enquadramentos e detalhes típicos do western italiano que Carver sempre procura trabalhar.

As sequências de tiroteio, em especial, se revelam muito bem executadas e poderiam ter saído de um bang-bang, não fossem as metralhadoras e as granadas. Já no final, o estilo western é meio que deixado de lado e Chuck Norris se transforma em Braddock, personagem que viveu em MISSION IN ACTION e em outras duas continuações. É nesta sequência que, depois de um tiroteio frenético contra os capangas de Wilkes, temos o clássico e épico confronto entre Norris e Carradine. Ah, bons tempos em que os filmes de ação ainda prezavam por uma boa luta final entre o mocinho e o vilão. E tendo essas duas figuras de respeito encenando socos, pontapés e outros movimentos, a coisa fica ainda mais genial.

Claro que este é aquele tipo de produção onde existem os mesmos clichês de sempre, várias falhas técnicas, os bandidos são péssimos atiradores e só os mocinhos acertam e sobrevivem mesmo estando em menor número, surge de vez em quando alguma situação altamente absurda, como ser enterrado vivo dentro de um carro e conseguir se desenterrar "engatando a primeira", mas para quem quer 90 minutos de diversão inofensiva, MCQUADE, O LOBO SOLITÁRIO é uma ótima pedida, sem dúvida.

Lista sci-fi inusitada

No post sobre DISTRICT 9, logo abaixo, acabou rolando um pequeno bate papo entre o editor deste blog e os companheiros Herax e Leandro Caraça sobre um gosto cinematográfico bem específico. Herax instigou o Leandro que fizesse um post em seu blog com os seus 10 melhores filmes de alienígenas preferidos, já que de acordo com o Herax, o Leandro já assistiu a todos os filmes que existem no mundo. Como a resposta veio parar na própria caixa de comentários deste blog, resolvi publicar a lista aqui por conter alguns títulos bem interessantes e que merecem uma divulgação:

THE GREEN SLIME (1968), de Kinji Fukasaku;
INVASÃO SINISTRA (The Incredible Invasion, 1971), de José Luis González de Leon; Jack Hill e Juan Ibáñez. No elenco: Boris Karloff;
WHAM BAM THANK YOU SPACEMAN (1975), de William A. Levey;
LASERBLAST (1978), de Michael Rae;
THE DARK (1979), John 'Bud' Cardos e Tobe Hooper (não creditado);

WITHOUT WARNING (1980), de Greydon Clark;
NIGHTBEAST (1982), de Don Dohler;
UM COMILÃO DE OUTRO MUNDO (Eat and Run, 1986), de Christopher Hart;
O DEMÔNIO DO ESPAÇO (Demonwarp, 1988), de Emmett Alston;
LOBSTER MAN FROM MARS (1989), de Stanley Sheff;
E de grunja, o Leandro ainda deixou alguns links de trailers interessantíssimos como forma de resposta por ter deixado de fora o clássico italiano PLANETA DOS VAMPIROS. Segundo ele, o filme do Mario Bava não tem isso:





14.9.09

Patrick Swayze

RIP
1952-2009

DISTRICT 9 (2009), de Neill Blomkamp

Apenas algumas impressões, já que um bando de amigos já iniciou o trabalho de elogiar este filme que deve estrear nos cinemas brasileiros em outubro. Eu só peço licença para me juntar ao bando: DISTRICT 9 é um FILMAÇO!

O estreante Neill Blomkamp pegou a brilhante premissa de seu curta ALIVE IN JOBURG, de 2005, e transformou neste longa que tem o neo-zeolandês Peter Jackson na produção. A trama transcorre vinte anos após a chegada de alienígenas no nosso planeta, mas a invasão é tratada de uma maneira inusitada em DISTRICT 9. Os seres do espaço chegam numa nave que bateu o motor, na cidade de Johannesburg, África do Sul, e a sua população, milhares de extraterrestres, estão fracos, doentes e desnutridos. A solução encontrada pelos governos é a criação de um espaço para que os visitantes possam habitar. Passado os vinte anos, o local virou uma verdadeira favela, com direito a tráfico de drogas (comida de gato é que deixa os ET’s chapados) e esconderijo de armas espaciais!

Oprimidos e rejeitados por nós, humanos, o governo resolve transferir os milhares de alienígenas para uma área mais afastada da cidade e é nesta situação que o filme é narrado, com uns 80 % em forma de pseudo documentário, com entrevistas e câmeras de reportagens buscando o maior realismo possível. Os mais ortodoxos não se preocupem com o formato. Poucas vezes vi, nos últimos anos, certos cacoetes do cinema moderninho usados com tanta eficiência e inteligência, e isso não inclui somente a direção, mas também a utilização sóbria dos efeitos em CGI, enfim, tudo bem amarrado, ótimo roteiro, personagens, bons atores, não somos poupados de uma boa dose de violência extrema, crítica social muito bem inserida, etc... FILMAÇO!

E finalmente temos um exemplar cuja trama envolve um acontecimento de tamanha magnitude, típica de um filme de verão americano, com um impacto de proporções globais, e nada da intervenção dos Estados Unidos na qual estamos acostumados a ver em quase todos os casos deste tipo. Nada de Casa Branca explodindo ou Estátua da Liberdade indo a baixo, muito menos aquele patriotismo babaca de sempre. É algo a se estranhar, no melhor sentido possível.

10.9.09

mais dois filmes do feriadão...

RATOS - A NOITE DO TERROR (Rats - Notte di Terrore, 1984), de Bruno Mattei

Sempre ouvi dizer que RATOS é um dos piores filmes que existe e, realmente, ao assistir a esta bagaceira, tudo ali reforçava a fama de tralha velha que a obra havia conquistado. Mas é fácil driblar a problemática. Primeiro: o diretor é o Bruno Mattei, também considerado um dos piores diretores de todos os tempos. Então já conhecemos o terreno onde estamos pisando, ninguém vai sentar para assistir ao filme pensando que vai ver algo do nível de um Mario Bava ou Dario Argento, certo? Esqueça qualquer tipo de virtuose cinematográfica. Segundo: arranje algumas bebidas, uns petiscos, chame uns dois amigos que tenham bom humor e que gostem pelo menos um pouco de filmes de terror sem grandes pretensões.

Bom, foi assim que eu me deparei com RATOS. A diversão é garantida e é impossível não ficar tirando sarro das situações risíveis criadas pelo roteirista Claudio Fragasso, as atuações ridículas do elenco e de todo trabalho técnico da produção que parecia não ter dinheiro nem pra bancar um lanchinho para a equipe depois das filmagens. A trama se passa num futuro pós apocalíptico, quando um grupo de personagens que parecem ter saído dos filmes MAD MAX acaba numa cidade abandonada onde resolve passar a noite, mas algo terrível acontece: eles são atacados por ratos!!!

E tome baldes de ratos de borracha pra cima dos atores! Está certo que o Bruno Mattei não queria que sua obra virasse motivo de chacota, mas é bem melhor que tenha se tornado essa comédia involuntária divertidíssima que virou do que uma simples porcaria sem degustação que não serve para nada.

INFERNO CARNAL (1977), José Mojica Marins


Belo filme do Mojica este INFERNO CARNAL, mas que funcionaria bem melhor se fosse um curta, ou até mesmo um média, mas que não tivesse a encheção de linguiça durante a metade do filme. Ou talvez seja mais um exemplar que deveria ser assistido sob as condições que eu citei acima sobre RATOS. Mas ainda assim gostei bastante deste trabalho meio esquecido do diretor brasileiro.

O próprio Mojica interpreta um cientista ricaço que dá mais atenção aos seus experimentos do que para sua esposa que o trai com seu melhor amigo. Os dois pombinhos então resolvem assassinar o marido para ficarem com sua fortuna. Mas em vez de matar de uma vez, o casal apenas joga um ácido na cara do sujeito e coloca fogo em seu laboratório. O cientista acaba sobrevivendo e prepara uma lenta e dolorosa vingança!

INFERNO CARNAL não chega nem aos pés de algum filme da série estrelada pelo Zé do Caixão ou alguns dos trabalhos do Mojica anterior a este, mas ainda assim possui bons momentos, como as cenas de Helena Ramos toda desinibida mostrando sua nudez ou o desfecho sádico que faz a alegria dos fãs do homem.

9.9.09

ALGUÉM ATRÁS DA PORTA (Quelqu'un derrière la porte, aka Someone Behind the Door, 1971), Nicolas Gessner

Assisti a vários filmes durante o feriadão (o meu feriado foi mais prolongado, começou na quinta passada e só hoje voltei a trabalhar), mas dentre os vistos, o que mais me impressionou foi este suspense psicológico, que eu achei num sebo em BH por 10 mangos, no qual temos Charles Bronson dividindo a tela com Anthony Perkins e Jill Ireland (na época, esposa do Bronson). Na verdade, o protagonista de ALGUÉM ATRÁS DA PORTA é Perkins, que interpreta um médico que resolve levar um paciente amnésico (Bronson) para sua casa, isolada nas montanhas de algum lugar litorâneo da Inglaterra, para lhe fazer uma terapia mais intensiva.

Mas o andamento da estória nunca deixa muito claro quais são as verdadeiras intenções do médico, inclusive, a principio, eu cheguei a pensar que o personagem de Perkins fosse homossexual (e era, na vida real), mas logo o próprio enredo descarta essa possibilidade mostrando a esposa do sujeito (Ireland) que se prepara para sair em uma viagem habitual. Então os planos são outros, e a coisa é intrigante, isso eu garanto. Mas não digo mais nada para não estragar a surpresa.

O diretor húngaro Nicolas Gessner mantém um suspense legal até determinado ponto, quando finalmente a motivação do protagonista começa a clarear-se. Nada que possua uma originalidade estupenda no objetivo do médico, e que já foi abordada milhares de vezes no cinema sob a batuta da busca do "crime perfeito", mas compensa tranquilamente toda a ambiguidade da trama, principalmente quando temos dois grandes atores contracenando com uma firmeza interessante.

Perkins está estranho e ótimo como sempre, mas a grande maioria vai se surpreender é com a atuação do velho Bronson, em plena fase européia (o filme é uma produção francesa), numa performance de verdade, convencendo como um homem que sofre de amnésia. É um filme perfeito para calar a boca de qualquer um que só viu as tralhas da Cannon que o Bronson fez nos anos 80 e pensa que ele só fez aquele tipo de filme / personagem (e que eu também adoro, diga-se de passagem, por pior que sejam).

Outros filmes que vi no feriado incluem A ILHA DOS HOMENS PEIXES, do Sergio Martino; RATOS: A NOITE DO TERROR, do Bruno Mattei; INFERNO CARNAL, do Mojica e uma revisão de THE TOXIC AVENGER, do Lloyd Kauffman.

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...