31.8.09

RESPOSTA ARMADA (Armed Response, 1986), de Fred Olen Ray

Último post do mês será sobre esta pérola meio obscura dos anos 80, que é o típico filme que me conquista só de ver o pôster com os nomezinhos de David Carradine e do grande Lee Van Cleef juntos, fazendo expressões de poucos amigos. De cara já dá pra perceber que a diversão é garantida com RESPOSTA ARMADA, um filme de ação sem frescuras e sem compromisso, que não está nem um pouco a fim de se tornar um clássico do gênero ou coisa parecida, em compensação, é uma experiência totalmente agradável para os autênticos fãs de cinema classe B.

A trama é bem simples, centrada na família Roth, cujo pai, Burt (Cleef), e seus filhos Jim (Carradine), Clay (David Goss) e Tommy (Brent Huff), tornam-se alvos de um mafioso oriental, Akira Tenaka, vivido pelo ator japonês Mako, depois de tomarem posse de uma estátua que possui certo valor para o gangster. Como não estamos lidando com nada muito original ou complexo por aqui, o enredo acaba sendo movido mesmo pelas cenas de ação que acontecem ao longo da trama e, claro, pelas figuras ilustres que vão surgindo, interpretados por algumas estrelas dos filmes de baixo orçamento que já estamos acostumados a encontrar neste tipo de produção.

Além de Carradine, Cleef e Mako, o elenco se completa com participações de Dick Miller, o bizarro Michael Barryman e Ross Hagen. Impossível não se divertir com um elenco deste porte. Mas é o gafanhoto David Carradine quem deixa sua marca com uma ótima atuação. Seu personagem, o único com espessura, é um veterano do Vietnã que encara o problema como um verdadeiro soldado traumatizado pela guerra. Ah, mas meu personagem favorito é sem dúvida o calejado Lee Van Cleef, que está muito bem no papel do velho rabugento que não leva desaforo para casa e mesmo com a idade já avançada, participa da ação tranquilamente distribuindo chumbo e sopapos para cima dos bandidos.

A direção é do Fred Olen Ray, eu costumo a dizer que ele é uma espécie de herdeiro de Joe D’Amato e Jess Franco em termos de quantidade produtiva. O sujeito realiza mais filmes em um ano do que o Manoel de Oliveira em 100. Exageros a parte, a maioria são tralhas, mas são das boas, daquelas que divertem facilmente os entusiastas do bom e velho cinema de baixo orçamento, como este belo exemplar aqui.

RESPOSTA ARMADA foi lançado no mercado de VHS aqui no Brasil.

29.8.09

Filmes recentes...

Alguns filmes da nova safra que eu andei vendo, começando com esta belezinha chamada THE HURT LOCKER (2008). Precisou de uma visão feminina para sair um filme realmente bom sobre a guerra do Iraque, talvez porque Kathryn Bigelow não esteja tão preocupada em denúncias ou panfletagens, é mais provável que seu sucesso seja porque o núcleo narrativo se concentra apenas no drama dos homens que estão lá realizando seus trabalhos. É uma visão muito interna da guerra. Basicamente, o enredo se resume em documentar a rotina de um esquadrão anti bombas do exército americano em Bagdá, um trabalho que coloca em risco a vida de muitos homens, principalmente quando um dos protagonistas do filme, um perito em desarmar bombas, é um sujeito que está pouco se lixando em correr riscos desnecessários. Bigelow trabalha o tema minuciosamente, mas as seqüências nunca caem para o didatismo de uma forma negativa, ela utiliza esta ferramenta para criar uma atmosfera de tensão das mais eficazes e a cada bomba desarmada ou situação que envolva uma carga de ação se torna uma verdadeira aula de cinema. Melhor e o mais ousado filme sobre a esta guerra estúpida.

G.I. JOE - A ORIGEM DO COBRA (2009), baseado nos bonecos que eu brincava quando ainda era moleque, é diversão abobalhada. Poderia ter se saído muito melhor? Talvez, mas poderia ser bem pior também. O roteiro é o clichezão de sempre, com um cientista maluco, uma poderosa arma em mãos, uma base/esconderijo submarino e o grupo de heróis tentando salvar o mundo. Os diálogos são fraquíssimos, há um excesso de flashbacks para encher lingüiça, os atores são ruins, mas e daí? o bom é que é rápido, tem muita ação, climão de desenho animado dos anos oitenta, sem muita frescura. Toda a sequência de ação em Paris é bem bacana. Desligue o cérebro um bocado e divirta-se.

SE BEBER, NÃO CASE (The Hangover, 2009) conta a estória de quatro sujeitos que vão à Las Vegas para realizar a despedida de solteiro de um deles. Acordam no outro dia sem se lembrar de nada e justamente o futuro marido está desaparecido. Os outros três terão que reconstruir os fatos da noite anterior para entender o que aconteceu e encontrar o amigo sumido. E aí se vão 100 minutos de situações engraçadíssimas envolvendo, entre tantas coisas, um bebê, uma striper, um tigre, um japonês mafioso que sai pelado de dentro do porta malas e até mesmo o Mike Tyson! Além do ótimo roteiro, o elenco é outro grande destaque. Uma das melhores comédias que eu vi este ano.

Os dois últimos filmes que eu irei comentar são exatamente o extremo oposto um do outro. TOKYO SONATA (2008) é um grande filme, último trabalho do mestre Kiyoshi Kurosawa, um dos meus diretores orientais favoritos ainda em atividade ao lado de Takashi Miike, Takeshi Kitano, Tsai Ming Liang, Ji-woon Kim, Johnnie To e alguns outros que eu não devo estar me lembrando. No filme, Kurosawa desconstrói uma família japonesa a partir dos conflitos internos de cada membro, como o pai, por exemplo, que perde o emprego e tenta manter escondido da mulher e dos dois filhos.

O que me impressiona nos filmes deste cara, além da estética apurada, é como ele possui uma maneira tão singular de fazer cinema, independente do material. Um drama familiar com este aqui possui os mesmos elementos e estilo narrativo que “seus” filmes de terror. E “seus” é com aspas mesmo, porque os filmes de terror de Kurosawa possuem características que o diferem de qualquer outro diretor, exatamente porque não utiliza os elementos que o cinema de terror costuma utilizar. Posso até estar exagerando, mas arrisco a dizer que o grande nome do horror atual é o de Kiyoshi Kurosawa. Mas isso é argumento para uma análise mais aprofundada que eu não pretendo fazer e nem poderia. Sobre TOKYO SONATA ainda, só digo que é um dos melhores filmes de 2009, sem duvida alguma.

E se o filme acima é um dos melhores do ano e este aqui é extremo oposto, então já deu pra sacar qual é a do MEGA SHARK VS GIANT OCTOPUS (2009). Não, infelizmente desta vez não é o caso de filme que de tão ruim chega a ser bom. E olha que eu adoro as tralhas que de tão toscos, mais divertidos e engraçados ficam. Aqui a coisa é feia! Tem que ser muito, mas muito fã da produtora The Asylum para gostar de uma bagaceira como esta. Mas vamos lá. Eu não ligo para as atuações péssimas (Lorenzo Lamas e Debbie Gibson?! Demais!), nem para os furos e estupidez de roteiro, muito menos para efeitos especiais horríveis, estilo o seriado do Hércules que passavam no SBT. O problema é que o filme simplesmente não cumpre o que promete! O título já supõe que os dois animais se enfrentarão, mas a batalha praticamente não acontece, é pura enrolação durante todo o filme, e quando finalmente parece que vai ter o quebra pau, antes que você consiga dizer “papibaquígrafo”, a luta já acabou. Claro que a Asylum, não ia conseguir bancar o filme que eu pensava que seria, mas não imaginei que chegasse a este ponto.

Mas nem tudo está perdido. Ao mesmo tempo em que temos aqui um dos piores filmes do ano, temos também uma das cenas mais geniais e que pode ser visto no vídeo abaixo. Enjoy, folks!

27.8.09

O GOSTO DA VINGANÇA (A Bittersweet Life, aka Dalkomhan insaeng, 2005), de Ji-woon Kim

Revi O GOSTO DA VINGANÇA ontem. Sempre gostei do filme, mas não lembrava de muitas coisas, por exemplo de como Ji-woon Kim faz um trabalho poético muito convincente que mistura neo noir com filme de ação em um profundo estudo de personagem. Ah, mas eu me lembrava da pancadaria e da violência que rola solta, pontuando a narrativa com ótimas sequências. Não sei porque acabei não escrevendo sobre o filme quando vi na época. Não posso perder esta oportunidade agora. E se você ainda não viu, não sei o que está esperando...

Ji-woon Kim, que dirigiu o ótimo filme de terror A TALE OF TWO SISTERS (aqui no Brasil recebeu o título de MEDO) e THE GOOD, THE BAD AND THE WEIRD (que eu não sei se passou aqui no Brasil, mas é bem legal), também roteiriza O GOSTO DA VINGANÇA, um filmaço cuja trama é bastante simples, mas transcende para questões humanas muito interessantes que fogem do senso comum do tema de vingança. O inicio dá o tom sublime que permeia ao longo da estória, mostrando em preto e branco as folhas de uma árvore se movendo com o vento. Aos poucos, a imagem ganha cor e uma voz começa a narrar uma parábola sobre um discípulo que pergunta ao mestre se são os galhos que se movem por si só ou se o vento soprando é traz o movimento, o mestre lhe responde através de uma esfinge curiosa dizendo que o que se move na verdade é o seu coração e sua mente.

Acho que a grande maioria ainda se lembra, mas O GOSTO DA VINGANÇA trata de Sun-Woo, um sujeito sério e de passado misterioso que tem servido o seu patrão, o presidente Kang, fielmente nos últimos sete anos, tanto como gerente de hotel quanto realizando o serviço sujo da organização mafiosa da qual fazem parte. Seu chefe mantém um caso com uma jovem garota e suspeita que ela esteja lhe traindo. Prestes a fazer uma viagem, Kang pede a Sun-woo que vigie a moça e tente descobrir se, de fato, estão lhe crescendo galhos na cabeça. Caso se comprove esta situação, Sun-woo tem de matar o casal de pombinhos. O problema se inicia quando o protagonista se apaixona pela tal, desencadeando um erro crucial, que faz Sun-woo realizar uma verdadeira descida ao inferno.

De um lado temos um dos chefes da máfia local, com um exército de guarda costas o protegendo, do outro, o solitário Sun-woo que acabou espancado, torturado, humilhado e enterrado vivo pelo erro que cometeu e agora deseja se vingar.

A ação do filme é visceral! A sequencia em que Sun-woo escapa dos capangas que o enterraram é absurda, extrema, violenta e realista na mesma medida que é inverossímil. Puta direção do Ji-woon Kim, que vai do mais puro enquadramento simétrico, poético e cinematográfico à brutalidade da câmera nervosa da ação frenética. O filme em toda sua totalidade é muito sofisticado na direção. Cada plano possui seu cuidado estético e a narrativa é tratada com a paciência necessária, sem as afetações da grande maioria dos filmes atuais de ação que pensam que é requisito obrigatório contar uma estória em ritmo de vídeoclip. Ji-woon Kim tem um estilo visual próprio muito interessante, mas em alguns momento de O SABOR DA VINGANÇA eu reparei uma certa semelhança com o cinema de Michael Mann... ou estou ficando doido?

Mas é difícil não deixar de destacar a performance arrebatadora de Byung-hun Lee no papel de Sun-woo, que não só desempenha cenas de lutas como um autêntico ator de filmes de ação como tem uma presença muito interessante em cena, com rosto inexpressivo, bem ao estilo do Alain Delon de LE SAMOURAI (bem apontado pelo Osvaldo Neto em sua resenha há uns dois anos atrás).

Às vezes o prazer do cinema não está em assistir um grande número de filmes, mas ter a capacidade de rever os filmes no momento certo. O GOSTO DA VINGANÇA cresceu muito com esta revisão e sem dúvida alguma, é um dos meus filmes de ação preferidos desta década.

25.8.09

MACHETE

Como se não bastasse só o fato de, realmente, estarem filmando MACHETE, os produtores ainda escalam um elenco dos mais sensacionais para competir com OS MERCENÁRIOS do Stallone em 2010. Além do Trejo, obviamente fazendo o personagem título, o filme vai contar com Robert De Niro, Steven Seagal, Cheech Marin, Don Johnson, Jessica Alba, Jeff Fahey, Michelle Rodriguez e há rumores de que Carlos Gallardo e Tom Savini também participem. Filme já está mais que obrigatório!

24.8.09

NEMESIS (1993), de Albert Pyun

As perguntas da entrevista com o diretor Albert Pyun já foram enviadas para ele e estamos agora aguardando as respostas. Não esperem um Truffaut/Hitchcock dos filmes B, mas acho que se tudo correr bem, vamos ter algo bem legal. Enquanto isso, eu vou assistindo a alguns filmes do homem que eu ainda não havia visto, como por exemplo TICKER, de 2001, que nem vale a pena comentar de tão ruim, mas tem o Tom Sizemore como um dos protagonistas, o único que tenta salvar esta barca furada, e nem com Dennis Hopper, Steven Seagal e Peter Greene à bordo, deixou de afundar.

NEMESIS é um dos filmes mais divertidos do Pyun e me chamou muito a atenção pelo tratamento visual de algumas cenas e pelas várias sequências de ação de tirar o fôlego, muito bem dirigidas e coreografadas. O diretor retorna aos temas futuristas, cenários pós apocalípticos com estética cyberpunk e a presença de cyborgs ocupando seus espaços. São elementos que obtiveram bons resultados em outros filmes do Pyun como em CYBORG – O DRAGÃO DO FUTURO e RADIOACTIVE DREAMS (que só não me lembro de haver cyborgs, mas o resto...).

A trama já possui certo grau de complexidade que por si só deixa o espectador interessado, ou confuso. Olivier Gruner – que é um robô na vida real – vive Alex Rain, um policial que peleja, no ano de 2027, contra uma organização terrorista que perturba a sociedade, que já não é lá muito tranquila neste período. Ferido diversas vezes, Alex é metade humano e metade máquina, mas ainda é capaz de salvar um cãozinho indefeso quando é preciso. Mas decide se aposentar e conviver com suas dualidades sossegado num canto qualquer. Mas se isso realmente acontecesse, não teríamos o filme, então o chefe de policia determina uma última missão a Alex e para obrigá-lo a realizar tal tarefa, eles implantam uma bomba perto de seu coração. Aí não tem escapatória. Mas à medida que realiza a missão, o nosso herói descobre que está envolvido em uma conspiração cujo objetivo é a conquista do mundo pelas máquinas, e que os terroristas que ele passou a vida exterminando estão, na verdade, lutando pela raça humana!!!

E as referências são bem diversificadas, vai de BLADE RUNNER e FUGA DE NOVA YORK à EXTERMINADOR DO FUTURO, com direito a esqueleto metálico em stop motion azucrinando a vida do protagonista. Mas NEMESIS também pode se orgulhar por ter influenciado a estética de alguns filmes futuristas, principalmente o figurino bem ao estilo MATRIX, com os sobretudos, óculos escuros, ternos pretos, roupas de couro...

O elenco é ótimo. Além do Gruner, temos Tim Thomerson, Cary-Hiroyuki Tagawa, Vincent Klyn, Brion James, e até mesmo uma pequena participação de um jovem Thomas Jane, apanhando de mulher nua, a gata Deborah Shelton.

Sobre as sequências de ação, temos o inicio do filme, os primeiros 15 minutos, que é um dos melhores momentos da carreira do Pyun, um tiroteio frenético muito bem filmado e editado num cenário magnífico. É um trabalho muito interessante que se sobressai ao restante do filme, que nunca consegue atingir o mesmo nível, uma pena. Ainda assim, Pyun não deixa a peteca cair. O seguimento que transcorre no hotel também é bacana e temos Olivier Gruner atravessando o chão fazendo burados com sua metralhadora, como nos desenhos animados. O final até que é legal com um sinistro Tim Thomerson seguindo Gruner e sua parceira por uma floresta em volta de um vulcão, mas não sei, o futuro da humanidade sendo decidido à beira de uma cachoeira é uma coisa feia. Prefiro muito mais os prédios tombados, a atmosfera de destruição e o cheiro de concreto queimado do inicio do filme. Mas tudo bem, o que importa é que NEMESIS é divertido pacas!

20.8.09

DOLPH LUNDGREN em dose dupla!

E uma dose como esta é para derrubar qualquer um mesmo. Geralmente, só aguenta duas sessões de Dolph Lundgren em um curto espaço de tempo quem é muito fã do sujeito ou perdeu o amor próprio e resolveu praticar auto tortura. Eu me considero um grande fã do Lundgren e decidi me aventurar em algumas produções mais recentes dele como espécie de preparativo para o COMMAND PERFORMANCE, filme escrito (em parceria com Steve Latshaw) e dirigido pelo próprio Lundgren, que eu estou bastante ansioso para ver (e espero que seja bem melhor que estes dois aqui).

Dos filmes antigos do Lundgren que eu gosto (e fizeram parte da minha infância) estão os clássicos MASSACRE NO BAIRRO JAPONÊS, com Brandon Lee no elenco e SOLDADO UNIVERSAL, que possui um dos personagens mais interessantes que o sujeito já viveu, um sargento do vietnã que faz um colar com as orelhas de seus soldados após ficar doidão e ainda tem o baixinho Jean Claude Van Damme como o mocinho; ah! FUGA MORTAL! Assisti a este na Tela Quente quando passou pela primeira vez e nunca me esqueci. Eu devia ter uns 12 anos e ficava vidrado com o tiroteio sangrento entre as Ferraris; MESTRES DO UNIVERSO, claro, e devem ter mais alguns que eu não me lembro agora...

DIAMOND DOGS (2007) até que não é todo ruim. Dolph Lundgren, obviamente, nunca vai ser um Lawrence Olivier da vida, e nem pretende, eu acho, mas até que está melhorando e o que tem ajudado um pouco é a escolha e construção dos seus personagens para este tipo de produção. Aqui ele interpreta Ronson, um ex-boina verde que acabou não voltando para os Estados Unidos depois da guerra do Vietnã. Muitos anos se passaram e atualmente sua academia de seguranças e guarda costas, em algum lugar da Ásia (acho que na China, se não estou enganado), não recebe um aluno há um bom tempo, além de estar mais endividado que o Romário. Sobrevive praticando luta clandestina.

Ou seja, é um personagem, até certo ponto, profundo para este tipo de filme barato, que carrega uma carga dramática muito maior que os filmes do Steven Seagal realizados nos últimos 10 juntos. Lundgren incorpora muito bem o papel do cabra ferrado, apesar das habilidades que tem. Mas eis que a sorte chega para o nosso herói. Um sujeito chamado Chambers (William Schriver) propõe a Ronson que, por uma boa grana, ele seja o guia de uma expedição pela Mongólia em busca de um artefato adornado de diamantes. Claro que ele aceita.

DIAMOND DOGS tem clima de Sessão da Tarde, aventura de caça ao tesouro e muitas cenas de ação. Pena que tecnicamente seja tão ruim. A direção é fraca nas seqüências de ação e sem criatividade alguma durante a narrativa. Quem comanda é um tal de Shimon Dotan, mas o próprio Lundgren deu uma mãozinha atrás das câmeras. O trabalho dos atores também é péssimo, exceto o astro da parada que, como eu disse, tem presença neste tipo de personagem. No fim das contas, é um filme divertido pelo tom de Sessão da Tarde dos velhos tempos, diferente dos filmes de animais falantes que passam hoje.

O segundo filme é o mais recente lançamento do ator: DIRECT CONTACT (2009). Fica quase ao mesmo nível do anterior, embora tenha o dobro da ação e, curiosamente, é bem mais fraco. Também consegue divertir por causa do Lundgren mais uma vez tentando atuar e da sucessão de momentos frenéticos de ação descerebrada que não para nem um minuto. O problema é que o roteiro é muito ruim, mais esburacado que a cara do Andrés Sanches. A trama não tem a mínima espessura para suportar tanta ação, e este elemento básico sem uma boa justificativa cansa o espectador.

O filme segue o mesmo esquema que o anterior, mudando apenas alguns detalhes. Dolph é um americano ferrado que trabalhava no serviço secreto, mas acabou numa prisão em algum lugar do Leste Europeu por tráfico de armas. Vê a chance de sair dali com um bom dinheiro no bolso quando um representante da embaixada de seu país (Michael Paré!!!) propõe que ele resgate uma americana (Gina May) seqüestrada por um mafioso do local. Claro que ele aceita.

Mas nem tudo na vida é tão fácil. Após o resgate descobrimos, juntamente com o personagem, que a coisa não é bem assim e tudo não passou de uma tramóia cheia de reviravoltas estúpidas que se acham espertinhas. O que precisamos saber é que todos querem a garota: a máfia, o representante da embaixada, o exercito local, até o tio dela aparece, e Dolph Lundgren corre para todo lado em perseguições de alta velocidade tentando protegê-la. Se o argumento fosse um pouco mais seguro até dava para engolir essa hitória. E também não dá pra exigir muito da parte técnica, produção barata da Nu Image, que reaproveita cenas de outros filmes para deixar tudo mais em conta. É uma espécie de BOURNE dos pobres, digamos assim.

Claro que não recomendo umas tralhas como estas pra qualquer um. Tem que estar vacinado para tirar proveito de alguma coisa, principalmente DIRECT CONTACT, nem que seja diversão descartável sem muita pretensão em 90 minutos, para assistir com os amigos rindo das situações de humor involuntário, frases de efeitos, atuações vergonhosas, furos de roteiros, cenas de ação absurdas, etc...

15.8.09

ARRASTE-ME PARA O INFERNO (Drag me to Hell, 2009), de Sam Raimi


Gostei bastante deste retorno de Sam Raimi ao gênero que o consagrou como revelação entre os jovens diretores nos anos 80. Quem sou eu para dizer, mas parece que fez muito bem a ele, cuja ocupação nos últimos anos foi a de adaptar para a telona as aventuras do Homem Aranha e sua turma, algo que começou bem e perdeu totalmente o controle no terceiro filme. Mas nem os dois primeiros filmes da série, que são divertidos pra dedéu, conseguem atingir o nível da série UMA NOITE ALUCINANTE e DARKMAN... e parece que vai pintar mais outro filme do “cabeça de teia”. Tomara que ARRASTE-ME PARA O INFERNO tenha dado uma clareada nas idéias do sujeito.

Bom, para quem ainda não sabe, a trama envolve Christine Brown (Alison Lohman), uma moça cheia de ambições que trabalha num banco e pretende fazer de tudo para ocupar a cadeira de gerente que está vaga. O problema começa quando uma senhora, mais estranha e misteriosa que a Bruxa do 71, vai ao banco e implora por uma extensão do empréstimo da hipoteca, pois está prestes a perder sua casa. Como Christine não consegue satisfazê-la, a velha faz uma maldição e coloca um espírito maligno para atormentar a vida da moça, que agora tem apenas três dias para se livrar da praga antes que o cão a leve para as profundezas. E como já dizia o fantasma em Hamlet de Shakespeare “...Se não me fosse proibido narrar os segredos das profundas, eu te revelaria uma história cuja palavra mais leve arrancaria as raízes da tua alma...”, ou seja, não deve ser um lugar muito aprazível...

ARRASTE-ME é terrorzão dos brabos então, né? Daqueles que você tranca e não deixa passar nem agulha quente? Mais ou menos... estamos falando de Sam Raimi, então prepare para se divertir a valer também. Na verdade, preciso me esclarecer em alguns detalhes. Não li nenhuma entrevista do Raimi sobre suas intenções para com o filme, não sei se de fato ele brinca com o gênero, trabalhando com um terror puro, mas com aqueles exageros cômicos que ele fazia no inicio da carreira ou se acabou errando a mão tornando algumas seqüências em verdadeiras comédias involuntárias, como a cena do nariz sangrando, a dos olhos voando na boca, a do “eu sou vegetariana” e vários outros momentos grotescos que Raimi deixa as sutilezas de lado. Nada disso interfere na minha apreciação, já que achei ótimo do jeito que está, mas realmente não sei qual era a dele.

Prefiro acreditar na primeira hipótese, a de que Raimi está fazendo seu próprio cinema, exagera conscientemente e desconcerta o publico com uma das mais brilhantes e híbridas misturas de terror/comédia que eu já pude ver. Incrivelmente assustador como nenhum outro filme do gênero nos últimos anos ao mesmo tempo em que diverte com as extravagâncias típicas do diretor. Estranho, mas ótimo!

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...