15.8.09

ARRASTE-ME PARA O INFERNO (Drag me to Hell, 2009), de Sam Raimi


Gostei bastante deste retorno de Sam Raimi ao gênero que o consagrou como revelação entre os jovens diretores nos anos 80. Quem sou eu para dizer, mas parece que fez muito bem a ele, cuja ocupação nos últimos anos foi a de adaptar para a telona as aventuras do Homem Aranha e sua turma, algo que começou bem e perdeu totalmente o controle no terceiro filme. Mas nem os dois primeiros filmes da série, que são divertidos pra dedéu, conseguem atingir o nível da série UMA NOITE ALUCINANTE e DARKMAN... e parece que vai pintar mais outro filme do “cabeça de teia”. Tomara que ARRASTE-ME PARA O INFERNO tenha dado uma clareada nas idéias do sujeito.

Bom, para quem ainda não sabe, a trama envolve Christine Brown (Alison Lohman), uma moça cheia de ambições que trabalha num banco e pretende fazer de tudo para ocupar a cadeira de gerente que está vaga. O problema começa quando uma senhora, mais estranha e misteriosa que a Bruxa do 71, vai ao banco e implora por uma extensão do empréstimo da hipoteca, pois está prestes a perder sua casa. Como Christine não consegue satisfazê-la, a velha faz uma maldição e coloca um espírito maligno para atormentar a vida da moça, que agora tem apenas três dias para se livrar da praga antes que o cão a leve para as profundezas. E como já dizia o fantasma em Hamlet de Shakespeare “...Se não me fosse proibido narrar os segredos das profundas, eu te revelaria uma história cuja palavra mais leve arrancaria as raízes da tua alma...”, ou seja, não deve ser um lugar muito aprazível...

ARRASTE-ME é terrorzão dos brabos então, né? Daqueles que você tranca e não deixa passar nem agulha quente? Mais ou menos... estamos falando de Sam Raimi, então prepare para se divertir a valer também. Na verdade, preciso me esclarecer em alguns detalhes. Não li nenhuma entrevista do Raimi sobre suas intenções para com o filme, não sei se de fato ele brinca com o gênero, trabalhando com um terror puro, mas com aqueles exageros cômicos que ele fazia no inicio da carreira ou se acabou errando a mão tornando algumas seqüências em verdadeiras comédias involuntárias, como a cena do nariz sangrando, a dos olhos voando na boca, a do “eu sou vegetariana” e vários outros momentos grotescos que Raimi deixa as sutilezas de lado. Nada disso interfere na minha apreciação, já que achei ótimo do jeito que está, mas realmente não sei qual era a dele.

Prefiro acreditar na primeira hipótese, a de que Raimi está fazendo seu próprio cinema, exagera conscientemente e desconcerta o publico com uma das mais brilhantes e híbridas misturas de terror/comédia que eu já pude ver. Incrivelmente assustador como nenhum outro filme do gênero nos últimos anos ao mesmo tempo em que diverte com as extravagâncias típicas do diretor. Estranho, mas ótimo!

14.8.09

NICO, ACIMA DA LEI (Above the Law, 1988), de Andrew Davis

Estou no meio de uma fase estranha de assistir a filmes de caras fodões que marcaram a minha infância. Filmes antigos (que por algum motivo eu acabei não vendo na época) e recentes. Por isso, não se assustem quando começarem a pintar por aqui alguns textos sobre trabalhos de Jean Claude Van Damme, Arnold Schwarzenegger, Dolph Lundgren, Steven Seagal e muitos outros. Este último eu até comentei sobre um filmaço há algumas semanas, OUT OF JUSTICE (e para mostrar como eu sou um moço de bom coração, já deixo um link gratuito para poupar o trabalho de ficar caçando nos arquivos).

Ainda sobre o Seagal, para aliviar de vez com os seus filmes remotos que eu ainda não vi – e partir de uma vez para os mais atuais – me deparei com NICO, ACIMA DA LEI, que é o primeiro trabalho do sujeito (que nem usava ainda aquele rabinho de cavalo cretino) em frente às câmeras. Mas não se preocupem, porque a ausência do excesso de cabelo na nuca do ator não interfere em nada seu desempenho ao distribuir pancadas e tiros nos meliantes de plantão, a não ser, é claro, no aspecto visual dos enquadramentos, já que Steven Seagal sem cabelinho balangando é a mesma coisa que Jack Nicholson assistindo a um jogo dos Lakers sem óculos escuros.

Mas tudo bem. Seagal interpreta aqui um de seus melhores papéis, o policial Nico Toscani, que tem um histórico na CIA e uma passagem na Guerra do Vietnã. Atualmente ele investiga um caso de tráfico de drogas, mas como todo bom filme ação, o sujeito acaba se envolvendo no clichê de encontrar algo muito maior do que esperava e que põe a sua vida e a da sua família em risco, ou seja, a mesma coisa que já vimos em milhares de filmes, e por isso mesmo tão divertido!

O elenco é de primeira! Nico conta com a ajuda de sua parceira policial encarnada pela musa do blaxploitation: Pam Grier. Ainda temos Sharon Stone, como a esposa do protagonista e ninguém menos que o grande Henry Silva, vivendo um perigoso traficante com planos diabólicos e risada maquiavélica e que possui uma boa variação de técnicas para torturar pessoas de língua presa e que no Vietnã teve um desentendimento com Nico.

A direção é por conta do Andrew Davis, que era um cara legal no inicio da carreira. Realizou algumas coisas bacanas como CÓDIGO DO SILENCIO, com Chuck Norris, THE PACKAGE, com Gene Hackman e Tommy Lee Jones, e até A FORÇA EM ALERTA, que é um dos filmes mais divertidos do Seagal. Mas depois de O FUGITIVO, Davis deixou seu nível cair bastante. Em NICO, seu quarto filme, ele ainda tinha pulso firme para sequências de ação e porrada, elementos que não podem faltar num filme como este.

Tudo isso, aliado a boa história, que não traz nenhuma novidade, mas também não inventa moda, fazem de NICO, ACIMA DA LEI um dos melhores filmes do Steven Seagal. Aliás, o roteiro tem o dedo do ator, que aproveita para criar um personagem com tons auto-biográficos, incluindo sessão de fotos pessoais nos créditos de abertura.

Em posts futuros eu retorno com mais Steven Seagal em filmes atuais, com mais cabelo e com mais pança também!

13.8.09

Mr. Freeze

Estava eu assistindo ontem à noite ao saudoso seriado BATMAN E ROBIN dos anos 60 no canal TCM, aquele em que os heróis eram interpretados pelos inesquecíveis Adam West e Burt Ward. O episódio que passou foi o que o astuto vilão Mr. Freeze e seus capangas causam o terror em Gothan City, sequestrando uma Miss e tramando um problemão para a dupla dinâmica.

Mas pensem no susto que eu levei quando eu descobri quem era o ator que encarnou o fascínora gelado!

É isso mesmo, meu caros, nunca imaginei que o Otto Preminger chegasse a esse ponto. Simplesmente genial!

12.8.09

4 MOSCAS NO VELUDO CINZA (4 mosche di velluto grigio, 1971), de Dario Argento

A essa hora, todo mundo já deve estar sabendo da ótima notícia de que a competente Califórnia Filmes vai lançar o novo filme do Dario Argento, GIALLO, direto em DVD. Parabéns aos responsáveis desta maravilha de decisão e só espero que peguem a capinha do DVD e enfiem bem lá dentro no olho do c@#$%!

Mas enfim, já que nós temos que aturar este tipo de atitude de merda de distribuidoras Brasileiras, vamos celebrar um dos trabalhos antigos deste genial diretor, que não é um dos melhores filmes de sua carreira, mas não deixa de ser muito bom. 4 MOSCAS NO VELUDO CINZA é a terceira parte da famosa “trilogia dos bichos” que marcou o início da carreira de Dario Argento. Os outros filmes são O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL e O GATO DE NOVE CALDAS, todos os três estruturados no subgênero que Argento cristalizou, o subgênero do assassino de luvas pretas, chapéu fedora e sobretudo de couro, cujas vítimas quase sempre são moças indefesas e o principal suspeito, geralmente, é o herói que precisa correr contra o tempo para desvendar os mistérios e provar sua inocência, já que a polícia, na maioria das vezes, se revela incompetente. Yeah, estamos falando de giallo!

A trama envolve um baterista de uma banda de rock, interpretado por Michael Brandon, que se vê envolvido numa enrascada quando acaba matando acidentalmente um sujeito misterioso que o seguia. O problema é que alguém fotografou o crime culposo e começou a fazer chantagens com o pobre músico. Durante sua jornada, cheia de conflitos psicológicos, tentativa de resolver o caso e se segurar para não ir à policia e se entregar, o rapaz tenta contar com a ajuda de várias figuras interessantes, como o personagem vivido pelo grande ator italiano Carlo Pedersoli, mais conhecido como Budd Spencer, que fazia a alegria na Sessão da Tarde quando eu era moleque, e um detetive gay interpretado por Jean-Pierre Marielle.

Muita gente fala que 4 MOSCAS é uma prévia de PROFONDO ROSSO. E realmente eu concordo, principalmente no que confere aos procedimentos técnicos, na forma como Argento trabalha sua câmera em alguns momentos, na criação da atmosfera de suspense, são verdadeiros esboços do que ele faria em seu melhor filme. Mas isso não quer dizer que aqui ele esteja inseguro, várias seqüências são muito bem executadas e até a grande revelação do caso, por mais absurda que seja, parece plausível.

Outro destaque óbvio é a presença musical do mestre Enio Morricone, ingrediente fundamental em algumas cenas, como no desfecho, quando o belo e o brutal entram em perfeita sintonia como poucas vezes se vê por aí.

E este post eu dedico ao meu primo carcamano Stefano Zorzin, que vive enchendo meu saco pra eu falar mais sobre Dario Argento, giallo e terror italiano...

11.8.09

1 ano de blog!

Na verdade foi dia 8, mas só agora eu me lembrei. Agradeço sinceramente aos visitantes e fiéis leitores que me acompanharam até aqui. Como contribuição, segue o trailer do novo filme do Terry Gilliam, THE IMAGINARIUM OF DOCTOR PARNASSUS:

9.8.09

O EXTERMINADOR IMPLACÁVEL (Wanted: Dead or Alive; 1987), de Gary Sherman

Sorry folks, mas uma atualização teria que acontecer, não é mesmo? Embora esteja me dando uma pena danada atualizar o blog. O que ocorreu no último post foi algo único e que eu nunca poderia imaginar que um dia fosse acontecer. Mas vamos seguir em frente. A boa notícia é que vai rolar uma entrevista exclusiva com o Albert Pyun em breve. Então aguardem!

E para justificar este post “estraga prazer”, vou falar ao menos um pouco do único filme interessante que eu assisti nos últimos dias, trata-se de O EXTERMINADOR IMPLACÁVEL, uma releitura contemporânea de um seriado de faroeste estrelado por Steve McQueen do inicio dos anos 60. Aqui o Rutger Hauer interpreta um ex-agente da CIA, agora trabalhando como caçador de recompensas urbano, e que é escalado para a perigosa missão de capturar um perigoso terrorista árabe, encarnado pelo Gene Simmons, integrante da banda KISS.

O roteiro dá para o gasto, a direção do Gary Sherman é excelente e Hutger Hauer aproveita para se entregar a um personagem fodão interessantíssimo. Tudo isso compensa um ponto que me incomodou um bocado: o filme tem pouca ação. Estamos nos anos oitenta aqui, período dos filmes de ação desenfreados e exagerados, é claro que isso não é item obrigatório para aumentar o nível de alguma obra, tanto que vários filmes da época são excelentes, cuja ação é discreta, realista e sem exageros, como é o caso de VIVER E MORRER EM LA, por exemplo. Mas um pouquinho mais de ação não ia fazer mal a O EXTERMINADOR IMPLACÁVEL. Mas tudo bem, como eu disse, outros atributos compensam este pequeno detalhe e não deixa de ser um filme bem melhor do que 90% do que é feito atualmente dentro do gênero.

Ps: acabei esquecendo de avisar, mas nunca é tarde; o mês de agosto no Dia da Fúria é dedicado ao diretor chileno Alejandro Jodorowsky. Imperdível! Não deixem de prestigiar.

4.8.09

VIAGEM RADIOATIVA (Radioactive Dreams, 1985), de Albert Pyun

Para um diretor considerado um dos piores no ramo da sua geração, até que Albert Pyun se sai muito bem neste seu segundo filme. Pelo menos eu adorei, principalmente pelo tom nostálgico que eu acabo vivenciando quando assisto a essas produções que fizeram um relativo sucesso na era do VHS - embora eu fosse pequeno, com meus sete, oito anos naquela época e teimava em locar as mesmas fitas (A HISTÓRIA SEM FIM e LABIRINTO eram meus recordes de locação), meu pai sempre variava um pouco mais do que eu, por isso eu pude assistir a bastante coisa boa que eu nem me lembro, mas aos poucos vou resgatando.

Não é o caso deste aqui. Só fui assistir pela primeira vez a RADIOACTIVE DREAMS há pouco tempo, mas muita coisa realmente me agradou no filme, exceto, óbvio, a direção de Pyun, que é bem fraquinha. Mas vamos dar um desconto ao rapaz porque o roteiro foi ele quem escreveu a partir de uma idéia extraída de sua própria cabeça e a estória é ótima! Além disso, foi ele quem realizou o meu filme preferido do Van Damme, CYBORG – O DRAGÃO DO FUTURO, isso mesmo, aquele que os personagens têm nomes de marcas de guitarra...

Assim como no filme do Van Damme, RADIOACTIVE DREAMS se passa num período pós-apocalíptico, fruto da Terceira Guerra Mundial. Antes das bombas nucleares começarem a explodir, entretanto, dois garotos são colocados em um abrigo subterrâneo onde passam o tempo lendo livros policiais dos anos 30 e 40. Pyun, já treinando sua astúcia na criação de nomes para personagens, coloca Phillip Chandler (John Stockwell) para um e Marlowe Hammer (Michael Dudikoff!!!) para o outro. Quem conhece o mínimo de novelas policiais dos anos 40, deve ter percebido a esperteza do diretor/roteirista em homenagear os verdadeiros criadores do estilo noir. Após 15 anos vivendo no local, os garotos, agora um pouco mais velhos, conseguem sair do abrigo e se deparam com o mundo em um estado bem interessante...

Cyberpunks antropófagos, motoqueiros, roqueiros, mutantes e um rato monstro gigante, todos bastante hostis, são alguns exemplos de seres que estavam lá fora para receber os dois ingênuos rapazes que praticamente passaram a vida inteira olhando um para cara do outro dentro do abrigo subterrâneo e agora pensam que são dois detetives tentando resolver um caso. E o pior é que acabam entrando numa intriga envolvendo um par de chaves que aciona um míssil poderosíssimo, capaz de devastar toda a raça humana, e todo o tipo de figura estranha pretende colocar as mãos nas tais chaves, não me pergunte o motivo, mas acho que, como dizia o ex-presidente americano George W. Bush, uma única palavra resume a responsabilidade de qualquer governante, e essa palavra é “estar preparado”...

No campo das atuações, temos um Michael Dudikoff irreconhecível, bem diferente dos papeis sérios que encarnou nos filmes de ação que fazia a alegria da moçada. Aqui, o seu Marlowe é um sujeito afetado, age o tempo inteiro como se fosse uma bicha louca em “quarto escuro” de boate gay (não, nunca entrei num lugar assim e nem pretendo, antes que comecem a pensar gracinhas). Seu trabalho seguinte foi exatamente aquele que mudou o rumo de sua carreira: AMERICAN NINJA, grande clássico que também marcou minha infância. Já John Stockwell faz o tipo caladão e mais sóbrio da dupla. Stockwell já tinha um rosto um tanto famoso pela participação em CHRISTINE, do John Carpenter. Voltou a trabalhar com o Pyun em DANGEROUSLY CLOSE, antes de ser escalado em TOP GUN, de Tony Scott. Saiu debaixo dos holofotes, fez algumas pontas e dirigiu algumas coisas, foi ele quem realizou aquela tosqueira filmada aqui no Brasil e causou um rebuliço besta: TURISTAS. Ainda no elenco de RADIOACTIVE DREAMS temos os veteranos George Kennedy e Don Murray.

O roteiro louco que mistura ficção cientifica pós-apocalíptica, elementos do film noir e muita aventura no estilo MAD MAX II e er... BLADE RUNNER, só poderia gerar bons momentos de diversão para toda a família; e até mesmo a direção porca, sem qualquer noção de espaço, a fotografia péssima e a edição ridícula dão ao filme um charme singular, isso sem falar que a trilha sonora é sensacional, escolhida a dedo com várias canções bem datadas dos anos oitenta. Demais! Recomendo ao pessoal de bom gosto que sabe apreciar uma boa e velha tralha!

OBS: Um bom exemplo desse tipo de gente e que adora este filme é o meu amigo Osvaldo Neto, que está de volta, depois de alguns meses parados, ao Vá e Veja, um dos melhores blogs nacionais sobre “cinema de qualidade”! Grande retorno!

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...