12.7.09

Blog de Ouro

Apesar da falta de tempo da última semana que não me permitiu atualizar quando eu queria, agradeço ao colega visa incentivar o blogueiro e atesta a qualidade do seu trabalho. Enfim, valeu!

7.7.09

COMBOIO DO MEDO (Sorcerer, 1977), de William Friedkin


Outro exemplar das minhas obrigações cinematográficas que acabei matando neste último fim de semana foi esta extraordinária obra de William Friedkin. SORCERER é dedicado ao diretor francês Henry-George Clouzot, que em 1953 realizou uma primeira versão, O SALÁRIO DO MEDO, baseado no livro de Georges Arnaud. E que me perdoem os fãs deste último, que é um filmaço sem dúvida alguma, mas o trabalho de Friedkin neste remake é incrivelmente superior, provando que refilmagens de verdadeiros clássicos consagrados podem dar certo. Mas também não precisam exagerar como se faz atualmente em uma quantidade absurda de remakes que param nas mãos de vários diretorzinhos medíocres sem personalidade alguma.

Aqui é outro caso. William Friedkin já tinha no currículo OPERAÇÃO FRANÇA e O EXORCISTA, duas obras da maior importância em seus respectivos gêneros, além de possuir um talento único na direção e na concepção de suas idéias. Mesmo assim, são várias as histórias de bastidores sobre as dificuldades de levar SORCERER às telas de cinema; desde os problemas em arranjar dinheiro para a produção, as filmagens no local (que colocou em risco a vida da equipe em várias situações), um furacão que atrasou o trabalho e até mesmo na escolha do elenco. De todos os atores principais, apenas um desconhecido, chamado Amidou, foi a primeira escolha de Friedkin. Steve Mcqueen, Clint Eastwood e Jack Nicholson foram cotados para viver o protagonista. Todos recusaram por algum motivo. Acabou mesmo com o Roy Scheider, que já havia trabalhado com o diretor em OPERAÇÃO FRANÇA.

A trama principal é basicamente a mesma de O SALÁRIO DO MEDO, apenas muda a contextualização histórica, sobre um grupo de homens que tem a missão de transportar uma carga de dinamites velhas (com vazamento de nitroglicerina correndo o risco de explodir a qualquer movimento brusco; no caso do filme francês, era apenas a nitroglicerina liquida mesmo) em caminhões caindo aos pedaços, pelas florestas de um país tropical. Diferente do original também, Friedkin enriquece o seu filme ao aprofundar-se nos personagens, mostrando os motivos que os levaram a estar naquele vilarejo no fim de mundo, o que toma quase a metade do filme, mas não se preocupem, porque Friedkin nunca deixa que a narrativa perca sua força. É apenas uma preparação perfeita para a outra metade, a missão suicida que deixa o espectador tenso, vendo a avó pela greta.

O poder visual do filme sob a batuta da direção crua de Friedkin talvez seja o ponto mais significativo do filme, sempre tratando os eventos e a ambientação de miséria e violência com um realismo impressionante, com uma linguagem quase documental. A cena em que o comboio atravessa uma ponte completamente instável é um verdadeiro espetáculo cinematográfico, de colocar o publico de joelhos! Uma pena que SORCERER tenha sido um fracasso de bilheteria. Mas é um filmaço altamente recomendável.

5.7.09

FÚRIA MORTAL (Out of Justice, 1991), de John Flynn

Eu cresci assistido aos filmes do Seagal, incrível eu nunca ter visto justamente este aqui, provavelmente seu melhor filme! Mas vamos ser sinceros, né? Steven Seagal nunca foi exatamente um ator de verdade. Ele parece mais interessado em utilizar o cinema como veículo de divulgação de mensagens ecológicas e sociais sem profundidade alguma e aproveita que sabe muito de porrada para disfarçar tudo isso em filmes de ação que enchem os olhos dos adolescentes, como foi o meu caso. Claro que depois de uma certa idade eu percebei que a maioria de seus filmes não passam de besteiras, ainda que eu me lembre de alguns bem divertidos, como A FORÇA EM ALERTA...

Mas OUT OF JUSTICE é o tipo de filme que seria bom independente de quem fosse o protagonista, levando em conta outros atores de filmes de ação do fim dos anos 80 e inicio dos 90 (fico pensando como ficaria se estrelado por um Bruce Willis), mas calhou de ser o Seagal. E afirmo isso mesmo correndo o risco de alguém contestar: “mas outro ator não saberia lutar como ele”. Ok, mas quantos outros filmes de ação têm ótimas seqüências de luta sem que os atores tenham, sequer, noção de como aplicar um golpe? O Seagal no elenco é apenas um brinde pra quem gosta de artes marciais.

Na verdade, o ponto principal que favorece OUT OF JUSTCE é ter um mestre do cinema americano de ação conduzindo a bagaça. Estou falando do John Flynn, diretor subestimado de filmes como THE OUTFIT, ROLLING THUNDER e BEST SELLER, autênticas aulas de cinema que devem valer muito mais que alguns semestres de uma faculdade de cinema em qualquer instituição no Brasil. E aqui não é diferente. Pode-se considerar um filme menor do diretor, que já trabalhou com Robert Ryan, Robert Duvall, Tommy Lee Jones, James Woods e vários outros, mas o pulso firme para orquestrar alguns momentos são dignos de nota.

A simplicidade do enredo sem frescura também ajuda. Claro que aquelas mensagens de bom moço do Steven Seagal prevalecem algumas vezes, jogando na cara como ele é um sujeito integro, ético e bondoso com os animais, mesmo interpretando um policial casca grossa em busca de vingança, mas nada que perturbe a paz de quem está assistindo (contanto que ele não deixe de matar os caras maus com tiro na cara, não vejo problema algum). Seagal interpreta o policial nova-iorquino, descendente de italianos, Gino Felino (putz, mas que nomezinho cretino também) que após a morte de seu parceiro, Bobby, resolve fazer justiça com as próprias mãos (pedindo ao seu superior apenas uma espingarda e um tempinho pra realizar a tarefa).

O cenário da jornada é o submundo do Brooklyn. Gino cresceu no local, rodeado de gangsteres, e conhece todo mundo, inclusive o assassino de seu parceiro, Richie, interpretado por William Forsythe com a máxima personificação do mal. O sujeito é tão impulsivo, que logo após matar Bobby à sangue frio, atira na cabeça de uma senhora em pleno trânsito, pelo simples motivo de carros congestionados. E se para o sucesso de um bom filme ação um dos elementos é a criação de um bom vilão, então temos aqui um belo exemplar e Forsythe desempenha seu ofício com extrema perfeição.

Só que Richie não conta com a ajuda de ninguém nas ruas, a não ser alguns capangas. O sujeito é drogado, maluco e quer entrar para o crime organizado, mas com as atitudes que eu citei ali em cima e até a suposição da policia de que já esteja ligado ao crime organizado, faz com que até a máfia queira sua cabeça numa bandeja. E ainda há a própria policia comum que quer prendê-lo pelos crimes, com toda burocracia que envolve os processos de prisão, algo que Gino não quer de jeito algum.

Gino então possui dois problemas em sua missão: a) encontrar Richie antes da máfia e da policia, para que possa aplicar sua vingança com tranquilidade. Mas Richie está desaparecido e é meio complicado encontrá-lo. Pelo menos para quem está procurando, porque o facínora está sempre nos lugares mais óbvios. b) O roteiro ainda acrescenta novas idéias para deixar a trama ainda mais complexa (praticamente no patamar de um Tarkovsky). Gino cresceu no mesmo bairro de Richie e considera o pai deste seu segundo pai, e isso gera um conflito psicológico que bota Gino para esquentar os miolos, embora Steven Seagal, que é ator de alto nível, consiga manter a pose sem modificar a expressão (talvez algum músculo da parte inferior do queixo tenha contraído com mais força quando a mãe pede para não matar o seu filho).

Atuação por atuação, vamos ficar com o Forsythe que entra para uma galeria de vilões mais interessantes do cinema (?). Não, melhor não generalizar tanto. O cara é ótimo ator, seu personagem mata com a mesma facilidade que o ato de respirar, mas não é para tanto. Mas, sem dúvida, merece um destaque.

Assim como o Seagal não chega nem aos pés de Fosythe em termos de construção dramática na arte de interpretar, pelo menos se sai bem nas cenas de luta. Ah, nisso o cara é demais! E o Flynn se aproveita disso magnificamente em duas cenas especiais. A primeira é logo após uma perseguição de carro em alta velocidade que acaba dentro de um açougue onde Gino arrebenta uns cinco sujeitos utilizando objetos dos mais inusitados – dos quais deve ter aprendido no aprofundamento de sua arte marcial no Japão – uma linguiça, por exemplo. Outra cena muito boa é a do bar com as mesas de sinuca, uma das melhores seqüências de luta que o Seagal protagonizou.

Se você é fã de carteirinha de Steven Seagal e o acompanha hoje em dia com seus filmes mais recentes, ainda quebrando a cara de vagabundos, mesmo com a barriguinha saliente que adquiriu ao longo da idade, então OUT OF JUSTICE é feito para você (se bem que, para quem ainda o acompanha, este aqui, com certeza, já deve ter visto). Com uma história simples, curta, mas muita diversão garantida com boa dose de violência, Seagal distribuindo tiros, porradas e frases politicamente corretas, além de contar com direção de John Flynn, é indiscutivelmente um filme imperdível.

1.7.09

Top 10 do primeiro semestre

É vergonhosa a quantidade de filmes recentes que eu tenho assistido. Mesmo assim, seguem abaixo os dez melhores do primeiro semestre entre os filmes que assisti (incluindo os lançados por aqui no ano passado dos quais só pude ver este ano):

1. O LUTADOR (2008), Darren Aronofsky
2. VINYAN (2008), Fabrice Du Welz
3. QUATRO NOITES COM ANNA (2008), Jerzy Skolimowski
4. MR73 (2008), Olivier Marchal
5. TWO LOVERS (2008), James Gray
6. A FRONTEIRA DA ALVORADA (2008), Philippe Garrel
7. NÃO TOQUE NO MACHADO (2007), Jacques Rivette
8. A TROCA (2008), Clint Eastwood
9. MARTYRS (2008), Pascal Laugier
10. HUNGER (2008), Steve McQueen

29.6.09

TRANSFORMERS - A VINGANÇA DOS DERROTADOS (Transformers: Revenge of the Fallen, 2009), de Michael Bay


TRANSFORMERS 2 é um caso meio estranho. Até agora eu não consegui definir realmente se é um bom filme ou se é tão ruim quanto a maioria anda dizendo. O filme tem tantas falhas, 2h30m de excessos e situações ridículas, é claramente inferior e já não possui o impacto do primeiro. Mas eu me diverti tanto com a bagunça que aqueles robôs fazem destruindo tudo pela frente que acabei deixando de notar os vários problemas o filme.  Não sei se eu estou ficando tolerante demais para este tipo de produção, mas o fato é que o conjunto dos dados visuais/auditivos/sensoriais  teve um efeito positivo sobre minha percepção, independente da estupidez que é o filme.

Enfim, TRANSFORMERS 2 é o típico filme de verão (americano) dos últimos anos, com a característica habitual de ser consumível instantaneamente e logo depois descartado. Se for parar para pensar no que está vendo, é preferível assistir a um filme do Carpenter, Argento, Verhoeven, Ferrara, De Palma e não Michael Bay, pelo amor de Deus! Então desligue o cérebro e relaxe um pouco com esta masturbação visual sem sentido e tremendamente divertida, cuja única pretensão é fazer coisas explodirem freneticamente e robôs caindo na porrada!

ATÉ O ÚLTIMO DISPARO (99 and 44/100% Dead, 1974), de John Frankenheimer

Frankenheimer já era um diretor com uma carreira considerável nos Estados Unidos quando realizou ATÉ O ÚLTIMO DISPARO, um filme que rompe totalmente com a construção clássica de vários trabalhos anteriores, mas de uma maneira meio que extravagante demais ou, dependendo do ponto de vista, um filme de vanguarda, muito à frente de seu tempo (e é como eu prefiro enxergá-lo). O problema é que nem a crítica nem o público se interessaram na época e o filme acabou sendo esquecido. Mesmo assim, Frankenheimer prosseguiu em frente com um aspecto mais solto, influenciado pelos jovens diretores que estavam modificando de vez o cinema americano nos anos 60 e 70.

Seu trabalho seguinte, OPERAÇÃO FRANÇA II já demonstra claramente isso, mas nada se compara ao estilo bizarro deste aqui, uma mistura de Roy Liechtenstein com Chuck Jones numa trama de guerra de gangsteres, tiroteios estilizados, um vilão com vários apetrechos no lugar da mão, um cemitério aquático cheio de corpos com os pés presos em blocos de concreto, trilha sonora espertinha e Richard Harris como o protagonista anti-herói que parece ter saído de um quadrinho. Preciosidade que merece uma redescoberta urgentemente.

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...