31.5.09

Ricardo Schott pediu para avisar:

"Não, a revista SET não acabou. De jeito nenhum. Sem chances. Não, não. Uma revista de cinema como a SET, que, em vez de leitores, tem fãs, não vai jamais morrer. No próximo dia 5 chega às bancas de todo o Brasil a NOVA SET, melhor, mais bonita e mais integrada com o mercado nacional. A revista, que traz um especial sobre 'O exterminador do futuro - A salvação', está sendo editada agora por uma equipe carioca formada por Mario Marques (publisher) e Carlos Helí de Almeida, Marco Antonio Barbosa, Nelson Gobbi e Robert Halfoun (editores). A SET é reforçada com três novos colunistas: Luiz Noronha (Ex-editor do Segundo Caderno do Globo, sócio da Conspiração Filmes), Pedro Butcher (crítico da Folha de São Paulo e editor do site Filme B) e Marcelo Cajueiro (correspondente no Brasil da revista 'Variety')." 

30.5.09

SHOGUN ASSASSIN (1980), de Robert Houston

Em 1980 estreou nos Estados Unidos essa pequena peça do cinema oriental carregando o nome do diretor americano Robert Houston nos créditos. Trata-se, na verdade, de uma espécie de picaretagem das mais disfarçadas. O fato é que o diretor, também produtor, fã dos chambara movies, comprou os direitos dos dois primeiros filmes da série Lone Wolf (ou Lobo Solitário, como ficou conhecido aqui no Brasil), e resolveu editar, pegando sequencias dos dois filmes, transformando num filme único que se chamou SHOGUN ASSASSIN!

Eu recomendaria os originais antes de assistir a esta obra, mas eu mesmo nunca vi algum filme da série Lone Wolf, e para falar a verdade, nem sabia do lance da picaretagem, mas tudo bem. Procurando informações sobre o caso, deparei-me com algumas diferenças entre a série de filmes do personagem com o filme de Houston que valem a pena comentar. Um das principais é, obviamente, o áudio em inglês, isso provavelmente aconteceu por dois motivos suspeitáveis: 1) o filme foi dublado para que os americanos retardados não precisassem se esforçar na árdua leitura de legendas; 2) Dublando as falas, pode-se manipular o enredo do filme fazendo com que os personagens digam o que os roteiristas quisessem.

Prefiro acreditar na segunda hipótese, embora seja estranho um bando de japoneses do período feudal trocando idéias entre si em inglês, mas também não restam dúvidas de que os americanos são realmente retardados ao ponto de dublarem os filmes para não ler legendas.

Outra questão: o filme possui uma narração em off realizada por Daigoro, o filho do protagonista, ainda criancinha, atuando como a consciência narrativa, com um ponto de vista ingênuo, fantasioso e com um efeito emocional muito maior que, com certeza, os filmes originais devem conter. O próprio diretor afirma que essa narração pode ajudar o publico americano a simpatizar-se pelos aspectos mais humanos da estória. Na minha opinião, a narração só serve pra encher linguiça, ou para justificar os exageros do filme por se tratar da visão de um menino.

Fazendo a mixagem de dois filmes, SHOGUN ASSASSIN acaba possuindo apenas um fiapo como argumento, trazendo como protagonista um virtuoso samurai (Tomisaburo Wakayama) que bate de frente com o Shogun local. Este último pede a cabeça do nosso herói, que passa a vagar com seu filho, dentro de um carrinho, por bucólicos cenários japoneses. E só! Durante essa jornada, ele enfrenta os assassinos contratados do Shogun ou arranja algum serviço como matador profissional. É como os saudosos video games que jogávamos no inicio dos anos 90, em 2D, onde o personagem só tinha uma direção a tomar e encontrava os oponentes para lutar e seguir em frente até encontrar com o chefão da fase.

Até mesmo a trilha sonora contribui bastante com isso, uma melodia moderna produzida por sintetizadores e guitarras que não combinam em nada com filmes de samurai, mas é mais um elemento inconfundível adotado pela edição americana desta bagaça.

Os “chefões da fase” de SHOGUN ASSASSIN são os três senhores da morte, idênticos aos três mestres que aparecem em OS AVENTUREIROS DO BAIRRO PROIBIDO, de John Carpenter, que deve ser um fã da série Lone Wolf.

Os filmes do Lobo Solitário foram baseados em um mangá e fizeram parte deste subgênero pouco divulgado hoje em dia, conhecido como chambara. Para entender um bocado, é bem simples, imaginem um filme do mestre Akira Kurosawa, como OS SETE SAMURAIS, ou YOJIMBO, mas com um visual estilizado com muito mais intensidade e violência gráfica exagerada triplicada! As sequências de ação são preenchidas com muita dose de sangue jorrando e uma quantidade enorme de membros decepados em situações que beiram o absurdo. E apesar disso, as tramas sempre são contextualizadas e precisamente detalhadas dentro da história do Japão feudal.

Por si só, SHOGUM ASSASSIN é um filme bastante divertido e hoje em dia é considerado um clássico cult para os apreciadores de qualquer subgênero do cinema de exploração. Agora eu preciso criar vergonha nessa cara porca e assistir aos filmes originais da série.

29.5.09

Claro que eu não iria ficar de fora! 
Aderindo à campanha iniciada pelo Leopoldo Tauffenbach, faço também o meu manifesto pela busca do paradeiro deste senhor aí da imagem acima. Se alguém tiver alguma informação, favor entrar em contato. 

Grato.

28.5.09

THE BIG RACKET (Il Grande Racket, 1976), de Enzo G. Castellari

Já faz alguns dias que assisti a este poliziesco de primeiríssima qualidade com assinatura do mestre italiano Enzo G. Castellari, o mesmo que já nos brindou com clássicos como ASSALTO AO TREM BLINDADO, KEOMA, GUERREIROS DO BRONX e muitos outros. THE BIG RACKET é mais um filmaço do diretor, hours-concours do cinema policial italiano e obrigatório para qualquer criatura que deseja enveredar-se pelo subgênero mais cool do cinema carcamano!

Fabio Testi, ator magnífico, encabeça o elenco interpretando um policial do tipo linha dura que não se inibe ao utilizar métodos nada ortodoxos contra a bandidagem, principalmente quando se trata dos membros de uma organização criminosa que cobra dos pequenos comerciantes uma “taxa de proteção” absurda. E pior para aqueles que não aceitarem as condições dos bandidos, como é mostrado já nos créditos iniciais!

A coisa fica mais feia ainda quando os criminosos rolam o carro do protagonista por uma ribanceira abaixo - com ele dentro, diga-se de passagem - numa cena espetacular com a câmera dentro do carro filmando o próprio Fabio Testi experimentando a sensação de capotagem em um terreno bastante íngreme. E as iniqüidades não param por aí: toda vez que o personagem de Testi consegue prender de forma legal algum membro da organização, um advogado liberta o vagabundo com a maior facilidade. E se eu disser que as perversidades dos delinquentes ainda não param por aí, alguém acreditaria? Mas pra saber mais, você vai ter que assistir ao filme...

“O jeito é resolver a situação à base de chumbo grosso!”, assim pensa o nosso herói. Mas antes de agir como um vingador solitário armado até os dentes, como Charles Bronson em DESEJO DE MATAR, ele recruta alguns indivíduos que possuem conta em aberta com os bandidos e estão sedentos de vingança! E uma dessas vítimas ansiosa pelo seu dia de desforra, é interpretada pelo grande Vincent Gardênia. Alguns outros nomes também são bem conhecidos no meio dos subgêneros italianos como Orso Maria Guerrini e Joshua Sinclair.

Mas o que mais chama a atenção, dentre todas as qualidades que THE BIG RACKET possui, é mesmo a direção de Castellari nas cenas de ação. O sujeito deve ter acordado com o pé direito em todos os dias de filmagens. Duas sequencias, em especial, são verdadeiras aulas de como uma boa action scene deve ser filmada, com bastante estilo e sem frescuras: o tiroteio entre os vagões e claro, o grande final, uma das demonstrações mais expressivas de ação no cinema de Castellari, com direito as suas habituais câmeras lentas e brutalidade explícita. Mais um belo exemplar altamente recomendado!


Como não poderia deixar de fazer, indico um ótimo texto do Felipe M. Guerra sobre o filme. Basta clicar aqui.

26.5.09

ZERO WOMAN: RED HANDCUFFS (Zeroka no onna: Akai wappa, 1974), de Yukio Noda

Para quem está a fim de uma dose na veia de violência estilística, artsploitation apurado, nada melhor que este primeiro filme da série ZERO WOMAN, que rendeu diversas sequências ao longo dos anos, inclusive na década de noventa e nesta atual, que acabaram direto no mercado de DVD's. Não cheguei a ver nenhum filme mais recente da série, mas não devem ter o mesmo nível criativo e contextual deste clássico do cinema de exploração japonês.

ZERO WOMAN: RED HANDCUFFS é um autêntico Pink Violence, bastante elegante na sua concepção visual, na combinação dos filmes policiais dos anos setenta com uma brutalidade explícita e estilizada que rendem um belo culto à violência visceral. Infelizmente, peca um bocado pela misoginia, hoje vista pelos maus olhos da sociedade com muito mais afinco, mas na época devia fazer a alegria das bichas enrustidas, mas isso não estraga a diversão...

Resumindo consideravelmente a trama, Miki Sugimoto vive a policial de um departamento especial, a “Zero Womam” do título, com a missão de resgatar a filha de um poderoso político das mãos de seis seqüestradores, sem que a situação se torne pública, o que acarretaria num escândalo para o inescrupuloso homem do governo, que pretende se candidatar a primeiro ministro do Japão. Para isso, a heroína precisa exterminar todas as provas do crime, isso inclui os seis meliantes.

O líder dos criminosos é interpretado por Eiji Go, num excelente desempenho, bastante expressivo. O filme retrata os bandidos como sujeitos de índole profundamente má, capazes de praticar as mais puras bestialidades sem arrependimento, deixando gente como Frank, de Henry Fonda em ERA UMA VEZ NO OESTE ou o reverendo Harry Powell, de Robert Mitchum em O MENSAGEIRO DO DIABO, de cabelos arrepiados!

Mas tudo isso torna ainda mais gratificante quando o espectador assiste os vagabundos sendo tratados como lixo humano, bem ao estilo da Pink Violence, principalmente numa cena de tortura envolvendo um maçarico. Na verdade, a nossa heroína só consegue entrar em ação pra valer no final, já que, durante todo o processo da missão, Miki infiltra-se no bando e não ajuda em nada os policiais que estão prestes a encher os bandidos de chumbo.

Além da violência, há uma grande quantidade de nudez gratuita, quesito básico que não poderia faltar a este tipo de produção. Tralha que se aproveita de dotes femininos, situações perturbadoras como crueldade sexual e assassinatos com muita violência exagerada, mas com um tratamento visual acima da média, feita especialmente para os fãs de abobrinhas urgentes, mas muito divertida!

25.5.09

QUATRO NOITES COM ANNA (Cztery noce z Anna, 2008), de Jerzy Skolimowski


Estava com este filme aqui mofando há algum tempo, mas só agora resolvi colocar na agulha pra conferir, principalmente por ser o retorno, depois de quase vinte anos de abstinência cinematográfica, de um dos grandes monstros do cinema europeu, Jerzy Skolimowski. Sempre recomendo aos amigos ATO FINAL, filme do diretor que retrata a juventude de uma forma bastante expressiva, tanto como registro ideológico daquela época, quanto pelos fatores estéticos e cinematográficos. Um dos meus filmes favoritos da década de 70.

Mas vamos logo ao filme em questão, QUATRO NOITES COM ANNA, cujo título me lembra filme de sacanagem, mas não é nada disso (e não fiquem desanimados, ok?), trata-se de uma belíssima e melancólica estória de amor platônica e obsessiva, que na visão pessimista do diretor, literalmente dá de cara com o muro. Temos um sujeito meio excêntrico como protagonista que, por mais que a câmera de Jerzinho o acompanhe de perto, ficamos com a sensação de que nunca vamos entendê-lo. Mas não deve ser fácil trabalhar num crematório de hospital, tendo que manusear membros humanos decepados depois de tomar um café da manhã nutritivo; muito menos viver numa cidadezinha do interior polonês que mais parece um vilarejo da idade média. Lugar lindo, por sinal, típico ambiente que adoraria visitar, mas ficaria biruta se precisasse morar.
E pra piorar a situação do nosso amigo, ele vive atormentado pela lembrança de ter testemunhando um estupro do qual não fez nada para ajudar a vítima, a Anna do título. Mas acaba se apaixonando por ela, começa a persegui-la, praticar voyeurismo espiando pela janela, até que decide ir mais longe, invadindo a casa da arrombada, colocando sonífero em seu açúcar para visitá-la durante as noites. Aí não conto mais nada pra não estragar o desenrolar da trama, que é magistralmente conduzida pelo polonês, imprimindo um ritmo calmo por detrás de uma estética dark e bem carregada nos ambientes fechados, ou se aproveitando da  beleza natural do cenário inóspito. Pois é, criaturas, Jerzinho voltou em grande forma! 

Obs: Durante o hiato afastado do cinema, Skolimowski dedicou-se profissionalmente à pintura. Mais um bom exemplo de cineasta ligado às artes plásticas, que gerou um pequeno bate papo no último post sobre o tema. 

Obs2: Todos já receberam essa informação, mas devo dizer que gostei da vitória do Haneke no festival de Cannes, que se encerrou neste domingo. O sujeito merecia este prêmio há muito tempo!

22.5.09

HUNGER (2008), de Steve McQueen

Primeiramente, será que não havia ninguém para avisar ao diretor que o nome que ele utiliza já pertenceu à outra pessoa ligada ao cinema? Aliás, um dos maiores atores americanos de sua geração, pra ser ainda mais puxa-saco do ator! Enfim, isso não importa. O que vale é o resultado bem interessante deste trabalho aqui.

HUNGER descreve as penosas condições carcerárias e as brutais repressões que sofriam os ativistas do IRA, no início dos anos 80, em uma luta para serem reconhecidos como presos políticos. Nisso tudo, o filme basicamente se estrutura em duas partes. A primeira, até um tanto didática, mas sem cair na mesmice de outros filmes do gênero, mostra o dia a dia na prisão. A segunda ganha uma força maior quando a narrativa se concentra em Bobby Sands (Michael Fassbender), um dos líderes ativistas, que resolve fazer greve de fome. Também não deixa de ser didático, mas acompanhar o processo do cara definhando é algo muito tenebroso...

É legal observar a relação entre o olhar do diretor sobre o seu material com a estética carregada impregnada na construção narrativa. Principalmente porque o número de diálogos no roteiro é mínimo. Mas em certos momentos, McQueen até exagera e acaba se perdendo numa espécie de busca por uma edificação visual sem muita força de significado, mas quando acerta, acaba rendendo belas seqüências, como o longo plano estático e esfumaçado com duas personagens dialogando. O sujeito tem um talento e tanto pra amadurecer. Este é seu primeiro filme e aponta como forte revelação do atual cinema britânico.

Obs: Hoje é sexta feira, dia de atualização do Dia da Fúria. Tem texto meu sobre REVOLVER, ainda do Sergio Sollima e um textinho do único giallo que o Sollima fez, O CÉREBRO DO MAL, escrito pelo Rogério Ferraz. Não percam!

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...