14.4.09

Marilyn Chambers

Levei um susto quando entrei no blog do Leandro Caraça e fiquei sabendo que a Marilyn Chambers havia passado pro outro lado.

Chambers ficou famosa estrelando produções da fase áurea do cinema pornô americano na década de 70, como o clássico do gênero ATRÁS DA PORTA VERDE (Behind the Green Door, 72). Mas pode ser vista também como a protagonista de RABID (77), de David Cronenberg.

Ela foi encontrada morta dentro de sua casa no domingo. Tinha apenas 56 anos...

DEAD SNOW (Død snø, 2009), de Tommy Wirkola


Aproveitando a boa onda de filmes de terror que os países nórdicos têm exportado mundo afora, como no ano passado quando tivemos o maravilhoso filme sueco DEIXA ELA ENTRAR, agora é a vez de DEAD SNOW, ótimo filme de zumbis nazistas nas montanhas geladas da Noruega, segundo filme do diretor Tommy Wirkola, mais conhecido por KILL BULJO: THE MOVIE, sua paródia do filme KILL BILL. DEAD SNOW foi lançado no festival de Sundance deste ano e trabalha de uma maneira bastante criativa e divertida um dos subgêneros mais surtados que o cinema já desenvolveu.

A estória trata de um grupo de estudantes de medicina que vai passar um feriado em uma cabana isolada no meio das montanhas em algum lugar da Noruega. Certa noite, um andarilho chega à porta e resolve fazer uma visita e contar-lhes a lenda que ronda o local, que fala sobra uma área ocupada por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o sujeito, o batalhão cometeu furtos, assassinatos e estupros contra os habitantes de um vilarejo, que logo se levantaram contra os nazistas que tiveram que se esconder nas montanhas.

Eles nunca mais foram vistos e, supostamente, morreram congelados, mas quando os estudantes encontram ouro dentro de uma caixinha na cabana onde estão hospedados, os zumbis nazistas resolvem retornar e reivindicar o que é seu. E aí a coisa fica feia pro lado dos pobres estudantes isolados na neve.

Para quem já é fã de um zombie movie, principalmente dos filmes do George A. Romero ou Lucio Fulci, vai perceber que os zumbis daqui não tem quase nada de tradicional. É bem diferente até dos zumbis mais modernos do Zack Snyder e Danny Boyle. Aqui eles não andam capengando, são bem ágeis e utilizam armas (mas também desmembram o corpo humano com facilidade e arrancam uma lasca do seu pescoço com os dentes, se bobear); podem ser mortos sem que precise destruir os cérebros; não parecem muito preocupados em devorar suas vítimas, na verdade, querem mesmo é ter seu ouro de volta, não sei pra que... mas vamos respeitar.

DEAD SNOW pode ser dividido em duas partes bem contrastadas. A primeira onde os personagens são desenvolvidos, mostrando as caracteristicas de cada um, como um dos caras que tem nojinho de sangue mesmo sendo estudante de medicina; e um gordo nerd que entende tudo de filme de terror; e por aí vai seguindo os vários detalhes que diferenciam os protagonistas, como todo filme tem que ter, só que aqui a coisa flui muito bem, com uma dose de humor que ajuda também a configurar o contraste com a outra parte, quando os zumbis surgem em cena de forma definitiva, para a nossa alegria.

O filme se transforma num festival de violência gráfica em momentos que certamente vão entrar para a história do subgênero. Cabeças partidas ao meio, decapitações aos montes, vísceras, desmembramentos, um verdadeiro banho de sangue! E tudo muito bem realizado por uma equipe técnica que preza por efeitos especiais e maquiagens a moda antiga, às vezes apela para o um CGI, mas nada que estrague a diversão.
Entra fácil na minha lista de melhores filmes de terror do ano!

11.4.09

MR. VAMPIRE (Geung si sin sang, 1985), de Ricky Lau


Em MR. VAMPIRE, o diretor Ricky Lau, sua equipe técnica e elenco conseguem demonstrar porque os orientais sãos os cabras mais criativos do cinema e desenvolvem, a partir de um enredo dos mais simples, um filme genial utilizando apenas conceitos culturais como trampolim para uma mistura de comédia, terror e um toque de artes marciais! O resultado é um dos filmes mais divertidos que existe! E só vai achar que eu estou ficando maluco quem ainda não assistiu!

O que temos aqui, e que você precisa saber no momento, é um vampiro causando uma confusão danada; uma galeria de personagens interessantes tentando parar o ser das trevas a qualquer custo; e as várias situações absurdas que pontuam os confrontos frenéticos. Inclusive, surge uma subtrama envolvendo uma bela fantasma que rende mais algums seqüências fantástias.

Existem alguns detalhes que vocês precisam saber sobre os vampiros (ou zumbis) orientais, como a forma que, em determinado estágio, eles se locomovem dando pulinhos com os braços esticados; podem ser controlados por encantos Taoístas; transformam suas vítimas em vampiros com as unhas pontiagudas e azuladas, além, é claro, da habitual mordidinha no pescoço; e mais um punhado de coisas que se descobre assistindo a esta belezura.

A primeira meia hora é bem leve apresentando os personagens centrais, como o mestre Gau com sua “monocelha” e milhares de feitiços anti-vampiros que ultrapassam o limite da criatividade, interpretado pelo grande Lam Ching-Ying. O humor dá conta do recado nesse período com um tipo de comédia física e universal que rendem ótimas gargalhadas.

Mas logo depois o bicho pega de verdade e é ação até o desfecho! A coisa é tão frenética que realmente contagia o espectador com a mistura de tensão e comédia. Imagine um EVIL DEAD com coreografias de kung fu e você terá uma idéia do que estamos tratando aqui. As cenas de luta são fantásticas, principalmente aliadas à trilha sonora e os efeitos especiais artesanais que dão de dez a zero em qualquer coisa feita de CGI atualmente.

É o tipo de filme que eu poderia gastar vários parágrafos relatando os detalhes e as situações, mas chega por aqui. MR. VAMPIRE é riquíssimo e a partir dele surgiram algumas continuações e vários outros filmes se aproveitando da idéia dos “vampiros saltitantes”. Engraçado, tenso, original, um filme que precisa ser visto e ter seu lugar garantido entre os melhores filmes de comédia-horror de todos os tempos! Quem já viu vai concordar comigo. E recomendo o texto do Bruno C. Martino, para o site Boca do Inferno para saber muito mais sobre o filme.

E lembre-se disso, os vampiros só conseguem detectar a presença humana pela respiração!

10.4.09

THE SPIRIT (2008), de Frank Miller

Quando estou com uma espectiva baixa, eu acabo gostando de certos filmes por algum motivo ou outro, acho que acontece com todo mundo. Mas eu estava com uma expectativa tão baixa para THE SPIRIT, mas tão baixa, que nem fazendo força pra gostar eu consegui retirar algo interessante do filme. Frank Miller simplesmente perdeu a noção de seu espaço. Já foi um dos grandes criadores do ramo dos quadrinhos, mas dar uma de diretor depois de ter feito um “estágio” com Robert Rodriguez em SIN CITY, valha-me Deus!

THE SPIRIT não funciona pra nada, absolutamente nada! E ainda ofende os fãs do personagem criado por Will Eisner. É um retrocesso total do avanço rumo à maturidade que as adaptações de HQ’s em Hollywood estava alcançando com filmes como IRON MAN, THE DARK KNIGHT e WATCHMEN. É um completo desastre...

Os personagens são mal explorados, mal desenvolvidos, mal dirigidos, na verdade, a direção, de um modo geral, parece não existir. Miller simplesmente ligou a câmera com os atores em frente de um fundo verde e os deixou proferindo as falas decoradas de um roteiro vagabundo que o próprio Miller escreveu. E os pobres atores nem se esforçaram pra tentar amenizar o papel ridículo que estavam fazendo...

E que desperdício! Tantas beldades num filme... se pelo menos o Miller tivesse culhões pra fazer algo mais picante com as atrizes que tinha em mãos. O máximo foi uma bundinha de nem dois segundos da Eva Mendes. E o pobre Samuel L. Jackson – que eu adoro fazendo um papel caricato – está ridículo no pior sentido possível. E não digo nada do atorzinho que interpreta o Spirit (que eu não sei o nome, nem estou com vontade de olhar no google).

As cenas de ação também não ajudam em nada, não conseguem quebrar o ritmo da série de vergonha alheia. A única coisa que poderia ajudar é o visual (mas não se engane, caro leitor, até isso prejudica o andamento). Miller parece tão encantado com os artifícios estéticos que esquece que tem um roteiro narrativo a executar. Fora que este estilo adotado em THE SPIRIT, além de já estar batido, não tem sentido algum de haver, a não ser para desviar a atenção do publico (já que os quadrinhos de Eisner não possuem este visual), diferente de um SIN CITY, por exemplo, que utiliza para se aproximar com a estética da própria graphic novel adaptada.

Pura sorte não ter conseguido assistir a essa bomba no cinema...

Miller fingindo que é diretor de cinema.

8.4.09

10.000 DÓLARES PARA DJANGO (10.000 dollari per un massacro, 1967), de Romolo Guerrieri

Mais um Western Spaghetti pra moçada que curte o gênero. 10.000 DÓLARES PARA DJANGO, como o título já anuncia, trata de mais um belo exemplar que aproveita o lendário personagem que Franco Nero, Terence Hill e até o ítalo-brasileiro Anthony Steffen deram vida outrora. Típico desses italianos espertinhos usufruindo do sucesso de outro filme, mas ok, contanto que façam coisas boas como é o caso deste aqui.

Talvez nem fosse necessário explorar a figura do mítico Django – aliás, o título original nem apela nesse sentido – porque o filme possui um lado significativo de boas idéias, personagens interessantes e uma realização técnica das melhores possíveis, que por si só renderia uma obra única. Por outro lado, tem um dos enredos mais estranhos no qual o espectador é sempre surpreendido pelas reviravoltas, o que nem sempre é bom quando há em excesso. No mais, uma parte compensa a outra de tal modo que no fim, os fãs do bang bang à italiana não têm do que reclamar!

Quem encarna o personagem desta vez é Gianni Garko (sob o pseudônimo de Gary Hudson), figurinha carimbada do western macarrônico tendo interpretado outros grandes indivíduos como Sartana e Camposanto. Em 10.000 DÓLARES PARA DJANGO, o protagonista é um caçador de recompensa que parte para um ultimo serviço, já que sua próxima vítima vale os 10.000 dólares do título que ele tanto almeja para largar essa vida e ir viver com uma bela francesinha (Loredana Nusciak). Mas isso é basicão da trama, durante o percurso, rola o seqüestro de uma moça, assalto a uma diligencia, questões de amizade, confiança e vingaça!

O contraponto de Django é Claudio Camaso, que interpreta o perigoso vilão da estória, Manuel. O problema é que Camaso parece que está sempre de rímel nos olhos e fica com cara de viado, não que isso prejudique o andamento da coisa, mas o ator precisa demonstrar a masculinidade diversas vezes pra provar que é macho de verdade e mesmo assim, ainda fiquei com dúvidas...


nofa!
Ah, vai me dizer que não é rímel?

Mas deixando esses detalhes de lado, temos a direção de Romolo Guerrieri que é ótima desde a abertura do filme (que é genial, Django acordando à beira da praia com um defunto do lado) até o desfecho melancólico; Guerrieri é bastante seguro nos enquadramentos, nas seqüências de ação e na direção de atores; e a linda trilha de Nora Orlandi ajuda a intensificar a dramaticidade da obra, como todo bom e velho western à parmegiana tem que ser. Então, podem ir sem medo: 10.000 DÓLARES PARA DJANGO é, sem dúvida, um dos grandes momentos deste gênero italiano que eu tanto adoro!

6.4.09

DRUNKEN MASTER (Jui kuen, 1978), de Yuen Woo-Ping


Sempre tive esperança de que a carreira do Jackie Chan pré-Hollywood fosse bem superior, já que o único filme dele desta fase que eu me lembro bem de ter visto foi UM KICKBOXER MUITO LOUCO nas tardes do SBT e era fanático! Simplesmente genial. Vi alguns outros também, mas era muito novo e já não tenho recordações, mas basicamente, só o conhecia pelos filmes americanos mesmo e isso é bem desanimador.

Bom, finalmente resolvi arriscar numa produção mais antiga do Chan e assisti ao DRUNKEN MASTER neste fim de semana e, lógico, não me arrependi. O filme é uma verdadeira pérola do cinema de artes marciais e reúne a direção mega-ultra-talentosa para cenas de luta de Yuen Woo-Ping com o humor pastelão de Jackie Chan (que também sempre foi um puta talento em cenas de luta). Um casamento perfeito, diga-se de passagem.

O enredo é bem simples, mas contém os elementos suficientes pra recheá-lo com bastante ação e momentos engraçados. Chan interpreta Hung, sujeito encrenqueiro, uma vergonha para a família cujo pai é um famoso professor de artes marciais. Depois de se meter em uma série de confusões, seu pai decide deixá-lo sob os cuidados de Su Hua Chi (na tradução da legenda da versão que eu vi é Mendigo Sam, mas não sei se é correto chamá-lo assim), um dos mestres mais rigorosos que há! E que vai ensinar para nosso herói a poderosa técnica dos oito deuses embriagados!!!

Literalmente, o sujeito tem de estar bêbado para realizar tal técnica e Jackie Chan lutando embriagado é uma antologia do cinema de porrada, aliás, todas as cenas de luta possuem coreografias perfeitas e muito bem conduzidas sob a direção de Woo-Ping, que é totalmente diferente do estilo seco e grosseiro dos filmes do Sonny Chiba, por exemplo. Chan utiliza tudo em sua volta para abater seus oponentes e até mesmo partes do corpo não muito utilizadas para desferir golpes, como na cena em que dá uma bundada num sujeito!

As cenas de lutas são bem divertidas e quem aprecia os filmes de Chan atuais (o que não é o meu caso) vai se surpreender ainda mais com a desenvoltura do sujeito em DRUNKEN MASTER, e ainda morrer de rir com situações engraçadíssimas envolvendo o protagonista e Su Hua Chi, interpretado pelo patriarca do clã Yuen, Yuen Siu Tien. Agora pretendo ver o DRUNKEN MASTER II, que segundo os amigos Herax e Takeo, consegue ser melhor que este aqui. Se fosse do mesmo nível já estava bom demais, imagine melhor...

2.4.09

MANGUE NEGRO (2008), de Rodrigo Aragão


Finalmente consegui prestigiar o famigerado longa capixaba de terror MANGUE NEGRO e de quebra ainda tive o prazer de conhecer o diretor Rodrigo Aragão. Foi um encontro bem rápido – e estava em cima da hora de começar o filme – e só consegui trocar algumas palavras, mas deu pra notar que é um cara que conhece o tipo de cinema que está fazendo e que foi influenciado pelos grandes mestres do horror, inclusive ele disse que sua maior referência foi Lucio Fulci. Uma ótima referência por sinal...

A produção do filme, totalmente independente sem ajuda de leis de incentivo, é cercada de fatos interessantes. Rodrigo começou a rodar MANGUE NEGRO sem um centavo no bolso, com toda equipe trabalhando de graça. Depois de realizar 15 min de filme dessa forma, conseguiu um produtor pra bancar o restante. Teve lançamento no Fantaspoa e foi muito elogiado.

E não pra menos, MANGUE NEGRO é realmente surpreendente em vários sentidos. O filme foi inteiramente rodado num manguezal localizado em Guarapari (ES) e na trama a poluição atinge uma proporção tão intensa no mangue que acaba contaminando os habitantes locais transformando-os em zumbis. Realmente referências e elementos que remetem a Fulci, Romero e Ossório não faltam, e ainda há uma direção bem ao estilo de um Peter Jackson e Sam Raimi nos inícios de suas carreiras, além da atmosfera que lembra uma espécie de CANNIBAL HOLOCAUST tupiniquim com uma pitada de crítica ecológica!

Mas o resultado deixa bem claro que MANGUE NEGRO não tem pretensão alguma de ser algo além daquilo que realmente é: um filme de terror de qualidade – tratando de um filme de baixo orçamento feito no Espírito Santo – feito por um apaixonado pelo gênero, com um roteiro pra lá de criativo cheio de sacadas ótimas e um humor negro muito bem inserido; um trabalho técnico preciso (principalmente nas maquiagens e efeitos especiais); muita violência explicita com litros e mais litros de sangue derramados, muitas vísceras e membros decepados sem piedade e com um realismo exagerado digno de um filme de terror italiano do final dos anos 70.

Não vale a pena falar dos defeitos que o filme possui, porque grande parte deles provém da falta de recurso e muitos são perfeitamente driblados com criatividade pelo diretor. Vale mais destacar os incríveis efeitos especiais e maquiagens desenvolvidas pelo próprio Rodrigo e que são de encher os olhos, uma coisa absurda de alto nível que eu tenho certeza que faria um Gino De Rossi ficar orgulhoso.

E é uma pena que o grande público ainda não leve a sério as produções do gênero aqui no Brasil. Salas vazias são constantes e até mesmo o filme do Mojica não teve uma boa bilheteria no ano passado. Culpa das distribuidoras, de um publico preconceituoso e tantos outros fatores que precisam ser resolvidos para desmistificar esse problema de que “todo filme de terror brasileiro é piada trash”. É um desabafo, mas com um tom de esperança porque ainda temos grandes caras como o Rodrigo Aragão, o amigo Davi de Oliveira Pinheiro (diretor do aguardado PORTO DOS MORTOS), e alguns outros cabras com coragem de preencher a tela de sangue com o bom e velho filme de horror!

Rodrigo Aragão e suas criaturas...

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...