9.12.08

Nesta próxima quinta, 11 de dezembro, às 20:00 horas, estarei defendendo minha tese de graduação.
Torçam por mim! =)

8.12.08

O VIZINHO (Lakeview Terrace, 2008), de Neil LaBute

Acho que ninguém vai assistir a este filme buscando algo mais que uma diversão boba e passageira que não ofenda o espectador. Até que O VIZINHO consegue atender a estas exigências, mas realmente não vai passar disso, principalmente pela mão pesada do Labute, tratando o material com uma seriedade que não precisava, além de outros motivos. Mas pelo menos temos Samuel L. Jackson pra salvar o dia no papel de um policial que transforma a vida de seus novos vizinhos um inferno.

O grande - e talvez único – atrativo de O VIZINHO é mesmo Jackson. Nada que não tenhamos visto antes em termos de interpretação, mas é divertido vê-lo à vontade em um personagem motherfucker racista, abelhudo e perturbado que se encarrega de dar ao filme alguns bons momentos de atuação e dramaticidade, já que o resto do elenco não é lá grande coisa e o roteiro frágil resulta em um filme bastante irregular e provavelmente nem funcionaria sem a presença de Jackson.

6.12.08

Top 10 Martin Scorsese

1. TAXI DRIVER (76)
2. TOURO INDOMÁVEL (80)
3. DEPOIS DE HORAS (85)
4. OS BONS COMPANHEIROS (90)
5. CAMINHOS PERIGOSOS (73)
6. CASSINO (95)
7. O REI DA COMÉDIA (82)
8. GANGUES DE NOVA YORK (02)
9. VIVENDO NO LIMITE (99)
10. ALICE NÃO MORA MAIS AQUI (74)

5.12.08

SPARROW (Man jeuk, 2008), de Johnnie To

É algo inusitado deparar-se com duas obras de peso, possíveis candidatos a melhores filmes do ano, na mesma semana. Pelo menos pra mim sempre foi e eu ainda não me recuperei de DEIXA ELA ENTRAR. Mas já era de se esperar que isso fosse acontecer quando coloquei pra rodar o novo filme de Johnnie To, que atualmente tem acertando todas. Não assisti quase nada anterior à ELEIÇÃO, mas a partir deste, o diretor vem destruindo com seu cinema singular cuja grandiosidade é proporcional à falta de pretensão de cada obra.

SPARROW é um desses casos. Uma pequena obra prima que passa a sensação de que o diretor e seu elenco estão se divertindo horrores com a brincadeira de filmar. E o publico sente isso na tela através da leveza dos planos, das referencias (uma espécie de PICKPOCKET, do Bresson, filmada por Demy), da manipulação temporal (eita, cigarro bem fumado!), da utilização magnífica do som, do espaço, principalmente quando os personagens interagem com a cidade ou no primor da coreografia na seqüência do “balé dos guarda chuvas”, uma das cenas mais sensacionais do ano.

Não sei se concordo com os amigos Herax e Leandro que afirmaram recentemente em seus blogs que Johnnie To é o maior diretor em atividade, mas com certeza ele está lá, entre os grandes da atualidade, isso não restam dúvidas.

30.11.08

DEIXA ELA ENTRAR (Låt den rätte komma in, 2008), de Tomas Alfredson

O filme sueco DEIXA ELA ENTRAR foi um desses que conseguiu me pegar em cheio. Estraçalhou-me completamente. Se eu estivesse em uma sala de cinema (aqui em Vitória-ES o filme deve chegar lá no ano de 2015) teria que ser carregado pra casa ao sair da sessão. Reação semelhante em 2008 só com SANGUE NEGRO, ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO.

Acho que se engana quem pensa que o filme é essencialmente sobre vampiros e afins. É acima de tudo uma experiência humana com total respeito pela realidade, sobre com ser adolescente e descobrir o amor nessa fase da vida e que, por um acaso, temos uma vampira de 12 anos no meio da trama. O diretor Tomas Alfredson faz um magnífico confronto entre as coerências do mundo real com os elementos do fantástico, do horror. Tudo parece plausível nesse universo irreal. A câmera sempre distante, serena, apenas enquadrando, compondo, trabalhando o foque e o desfoque, reflexos, sem muitos cortes nem os artifícios que parecem fazer parte da cartilha americana de “como criar ‘suspense’ em filmes de terror”.

Como disse, não considero um filme de vampiro, mas não deixa de ser um filme de terror. Ser adolescente é um terror. Pelo menos pra mim foi. E pode até parecer meio besta dizer isso, mas me identifiquei bastante com o Oskar, o garoto solitário, alvo de implicância dos colegas encrenqueiros que o filme busca transmitir com tanta sinceridade. E o final... que final! Acho que foi ele quem deu o tiro de misericórdia e me arrebentou depois de todo vislumbre anterior. Penso até que seria desnecessário a cena do trem que fecha o filme. Por mim poderia acabar ali mesmo naquele plano aberto da piscina mostrando o horror!

2008 foi um ano bom para o cinema de terror. Depois de DIÁRIO DOS MORTOS, THE MIST, [REC] e até o retorno de Zé do Caixão com ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO, uma obra extraordinária como DEIXA ELA ENTRAR também ajuda a reascender as esperanças para o cinema de gênero. Pena que são tão poucos com essas qualidades...

THE MACHINE GIRL (Kataude Mashin Gâru, 2008), de Noboru Iguchi

Aquele típico filme que aparece de tempo em tempo pra reafirmar o grau de insanidade dos japoneses. Completamente vazio e sem sentido, THE MACHINE GIRL é uma parábola oca sobre vingança que resulta não mais que um simples espetáculo visual de violência explícita, gráfica até o talo, com direito a litros de sangue, membros decepados e cenas de luta e ação exageradas que lembram uma mistura de anime com uma versão gore dos Changemans, ou algo assim.

A trama é sobre uma garota que vive sozinha com seu irmão. Seus pais cometeram suicídio, mas ela possui uma vidinha pacata, vai a escola, pratica esporte, etc. O problema é que seu irmão se envolve com o filho de um Yakuza e acaba assassinado. A garota então parte pra vingança e nem mesmo depois de perder um braço, desiste de vingar a morte de seu irmão. A solução é colocar uma metralhadora no lugar do braço, só para vocês terem uma noção do negócio...

Referencias à outros filmes e diretores é que não falta em THE MACHINE GIRL. A já citada metralhadora no braço é bem ao estilo de PLANETA TERROR, e ainda há uma cena com uma serra elétrica na perna, algo como UMA NOITE ALUCINANTE III (só trocam os membros em ambos os casos, mas é mais uma viagem minha mesmo, foram filmes que me lembrei na hora). Há uma cena onde a mocinha enfia uma faca em cima da cabeça de uma vítima e vara na boca da mesmíssima maneira que Lucio Fulci fez em A CASA DO CEMITÉRIO e outra onde vários pregos são enfiados no rosto de um sujeito, assim como em ICHI - THE KILLER, do Takashi Miike.

Achei a direção meio porca, digamos assim, e a edição de algumas seqüências de ação não contribui em nada para o ritmo. O que ganha o espectador são os exageros e a criatividade, a vontade de fazer um filme diferente no geral, nem que tenha de chupar outros filmes aqui e ali, além de colocar toneladas de gore gratuito para que os fãs deste tipo de material saiam satisfeitos. Outro detalhe interessante e original é a versão infantilizada de situações de máfia em alguns momentos. Enfim, apesar dos pezares, THE MACHINE GIRL garante a diversão de quem se propõe a encarar o filme da forma correta, sem levar muito a sério a brincadeira.

25.11.08

PINEAPPLE EXPRESS (2008), de David Gordon Green

Texto meio cretino para um filme que merece mais, mas tudo bem. Pineapple Express pareceu-me uma junção perfeita entre os roteiristas de Superbad com o diretor David Gordon Green, um dos poucos cineastas da sua geração que conseguem imprimir uma visão de autor dentro do cinema americano atual, independente do gênero em que trabalha. O que poderia então esperar de uma "comédia de drogas" recheada de piadas infames, muito tiroteio, explosões e pancadaria dirigida por um sujeito que sempre trabalhou com um modesto orçamento em filmes de grandezas puramente cinematográficas? A resposta é Pineapple Express, um filme que consegue ser engraçado sem ser asqueroso ou dispensável, e para os mais experimentados é visível as influencias do cinema politicamente incorreto dos anos setenta e oitenta em cada situação que os personagens de Seth Rogen e James Franco despencam (estes, aliás, estão excelentes) e possui ritmo e elementos suficientes para não deixar espectador algum bocejar.

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...