31.10.08

CONSCIÊNCIAS MORTAS (1943), de Willian A. Wellman

Bom filme o Consciências Mortas (43), de Willian A. Wellman, cuja reputação é totalmente justificável. Trata-se de um western com forte apelo ético, anti-linchamento, provavelmente levantou algumas sobrancelhas na época do lançamento. Hoje não funcionaria nem como panfleto, mas ainda induz à reflexão sobre leis e justiça (principalmente neste país de merda onde vivemos). Mas deixando de lado as questões sociais, sobra ao filme cinema de puríssima qualidade. São apenas 75 minutos, mas muito bem enxugados e que valorizam as composições visuais de Wellman, além de trazer no elenco grandes nomes como Henry Fonda, Dana Andrews e Anthony Quinn em bons momentos de suas carreiras.

30.10.08

Top 10 Brian De Palma

1. BLOW OUT (81)
2. O PAGAMENTO FINAL (93)
3. DUBLÊ DE CORPO (84)
4. VESTIDA PARA MATAR (80)
5. SCARFACE (83)
6. OBSESSION (76)
7. OS INTOCÁVEIS (87)
8. DÁLIA NEGRA (06)
9. CARRIE (76)
10. FEMME FATALE (02)

29.10.08

INGLORIOUS BASTARDS (1977), de Enzo G. Castellari

Com Quentin Tarantino filmando neste momento a sua homenagem aos filmes de guerra, principalmente Inglorious Bastards (77), acabei parando pra assistir logo de uma vez este clássico do italiano Enzo G. Castellari, porque daqui a pouco a febre começa e vai ser cult ter assistido as referencias que o Tarantino coloca em seus filmes (Espero que entendam a minha ironia).

Mas o próprio Inglorious Bastards é uma homenagem declarada aos filmes de guerra e isso fica claro pela maneira que o roteiro aborda os clichês do gênero dosando humor e seqüências de ação exacerbadas, criando uma jornada onde os “bastardos sem glória” rumam ao calvário bélico. A história é repleta de situações elaboradas, o ritmo e o timing para as cenas de ação e comédia são perfeitos, mas no final das contas é a contagem de corpos que prevalece e Castellari se destaca nestes momentos, especialmente no final, quando resolve se soltar e filmar em câmera lenta as metralhadoras cuspindo chumbo, explosões desenfreadas e dublês “morrendo com estilo”. Uma coisa linda de se ver.

Recomendo o texto do Felipe M. Guerra em seu blog para saber muito mais sobre Inglorious Bastards.

28.10.08

Anos 50

Finalmente chegamos nos anos 50 nesta série de tops dos melhores filmes de cada década. E paro por aqui. Não que eu não tenha visto filmes das décadas de 40, 30 e 20, mas ainda não tenho bagagem pra fazer uma boa lista sem repetir diretores e com muitas opções em vista. Com certeza faremos um dia...

Portanto, segue o ultimo Top das décadas, no mesmo esquema das anteriores: ordem cronológica, um filme por diretor e os meus cinco preferidos em negrito.

NO SILENCIO DA NOITE (50, Nicholas Ray)
A MALVADA (50, Joseph L. Mankiewzick)
CREPÚSCULO DOS DEUSES (50, Billy Wilder)
OS ESQUECIDOS (50, Luis Buñuel)
CAPACETE DE AÇO (51, Samuel Fuller)
MILAGRE EM MILÃO (51, Vittorio de Sica)
CANTANDO NA CHUVA (52, Gene Kelly e Stanley Donen)
OS SETE SAMURAIS (54, Akira Kurosawa)
JANELA INDISCRETA (54, Alfred Hitchcock)
A PALAVRA (55, Carl T. Dreyer)
SINDICATO DE LADRÕES (54, Elia Kazan)
A MORTE NUM BEIJO (55, Robert Aldrich)
RASTROS DE ÓDIO (56, John Ford)
VAMPIROS DE ALMAS (56, Don Siegel)
MOBY DICK (56, John Huston)
UM CONDENADO À MORTE ESCAPOU (56, Robert Bresson)
O SÉTIMO SELO (57, Ingmar Bergman)
DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA (57, Sidney Lumet)
GLÓRIA FEITA DE SANGUE (57, Stanley Kubrick)
NOITES DE CABÍRIA (57, Federico Fellini)
QUANDO VOAM AS CEGONHAS (57, Mikhail Kalatosov)
O GRITO (57, Michelangelo Antonioni)
O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU (57, Jack Arnold)
A MARCA DA MALDADE (58, Orson Welles)
MEU TIO (58, Jacques Tati)
NOITES BRANCAS (58, Luchino Visconti)
OS INCOMPREENDIDOS (59, François Truffaut)
ONDE COMEÇA O INFERNO (59, Howard Hawks)
HIROSHIMA MON AMOUR (59, Alain Resnais)
BOM DIA (59, Yasujiro Ozu)

27.10.08

Anotações sobre alguns filmes deste fim de semana:

A Última Amante (07) não é a Catherine Breillat que estamos acostumados, e isso na verdade pouco importa pra mim, principalmente por se tratar de um belíssimo filme sobre o amor irracional numa Paris do século XIX com bom uso da localização temporal, da recriação histórica, da estrutura narrativa. Mas tudo não passaria do convencional se não fosse Asia, a obra prima de Dario Argento. Breillat deposita toda a força de seu filme em Asia Argento, e esta, como vem fazendo a cada filme, corresponde à altura. O filme é a Asia com sua presença física de sensualidade expressiva e talento que não se esgota, de novo, assim como em Boarding Gate do Assayas e, provavelmente, deve ser em Go Go Tales do Ferrara.

Beau Travail (99) me lembrou os primeiros trinta minutos de Nascido para Matar do Kubrick, só que de uma maneira bem prolongada pra preencher os noventa minutos que o filme tem. O ritmo e a ausência de uma trama me incomodaram um bocado. Denis apresenta o cotidiano de um pelotão de legionários da maneira mais realista e distante possível e acho que até seria muito mais interessante se tivesse filmado um documentário com verdadeiros legionários, já que não há uma história definida, e a única preocupação parece ser em retratar o corpo humano. A fotografia é excelente e a presença do ator Denis Lavant garante bons momentos, mas não ocupam o vazio.

O nome é um tanto ridículo, mas Ainda me Chamam Campo Santo (71), de Giuliano Carnimeo, é um western spaghetti que me pegou de surpresa. Tem suas imperfeições, principalmente em questões técnicas de decupagem ou continuidade e essas besteiras que pouco importam num filme desse tipo, contanto que caminhe dentro do espírito do bom e velho western spaghetti e é exatamente o que acontece por aqui. Principalmente com a galeria variada de personagens marcantes e o tom de humor que às vezes excede um bocado, mas divertem tranquilamente. A cena que um sujeito tem o bigode “raspado” à bala já vale o filme.

John Huston coloriu O Pecado de Todos Nós (67) em tons de sépia que, a princípio, impressiona bastante. É um forte apelo estético que poderia ter a função de manter o deslumbre com as imagens de rigor extremo caso o filme tivesse pontos baixos. Não vem ao caso. O Pecado de Todos Nós é um dos melhores e mais ousados trabalhos de Huston. E não é só colocar um Marlon Brando interpretando um oficial homossexual reprimido, ou Elizabeth Taylor como sua mulher adúltera ou várias outras figuras traumatizadas e perturbadas. Mas é Taylor fazendo um striptease para provocar Brando sob o olhar dourado de Robert Foster, ou a cena onde ela chicoteia seu marido no rosto em frente aos convidados na festa. Pequenos detalhes que demonstram porque Huston era um dos grandes.

24.10.08

EMANUELLE IN AMERICA (1977), de Joe D'Amato


Quando se fala em Emanuelle, muita gente vai se lembrar da famosa série erótica onde a personagem infestava as mentes dos pré-adolescentes que ficavam até altas horas das madrugadas de sábado para assistir o Cine Privé da Band. Bons tempos aqueles, mas não é exatamente desta Emanuelle que hoje vamos falar, mas sim, da misteriosa e sensual Black Emanuelle vivida pela musa Laura Gemser, que encarnou a personagem pela primeira vez no filme Emanuelle Nera, de Bitto Albertini.

Com o passar dos anos, vários diretores utilizaram a personagem em seus filmes, e sempre com Gemser interpretando seu papel e nem exigia muito dela. Laura Gemser tinha uma beleza exótica magnífica e explodia em sensualidade. Bastava tirar a roupa e dizer as falas que os enquadramentos dos planos e uma ótima fotografia ficavam a cargo de um resultado satisfatório. O nosso famigerado Joe D’Amato foi um desses diretores que trabalhou com a personagem em diversos filmes, inclusive tomou Laura Gemser como musa nos mais variados tipos de produção.

Emanuelle in América é um dos melhores exemplos desta parceria entre D’Amato e Gemser. A história gira em torno de uma repórter que investiga o submundo do sexo entre milionários excêntricos até se encontrar no meio do perigoso universo dos snuff movies (filmes que mostram assassinatos reais de seus intérpretes). A trama se passa com certa lentidão, onde temos muitas cenas de nudez e sexo entre as investigações. Vale lembrar que algumas cenas são de sexo explícito (sem a Gemser, óbvio), detalhe que faz parte de uma das principais características de D’Amato, sempre em busca do choque visual, misturando tais cenas com tramas de suspense ou terror, como em Porno Holocausto e Erotic Nights of Living Deads, por exemplo.

D’Amato chega a filmar uma mulher excitando um cavalo em uma reuniãozinha dos milionários (da mesma forma que fez em sua versão de Calígula), embora não mostre o ato sexual da mulher x cavalo, é um dos momentos mais impressionantes do filme junto, é claro, com as famosas cenas de snuff movie, que são de um realismo extraordinário e causou muita polêmica na época. Foi quando surgiu a lendária história que D’Amato havia conseguido cenas de Snuff com a máfia russa! Genial!

21.10.08

ESPELHOS DO MEDO (2008), de Alexandre Aja


Não sei se eu li direito, mas acho que a grande maioria não gostou deste novo trabalho do francês Alexandre Aja, que é mais uma refilmagem de um terror coreano. Uma pena, porque dentre todas essas versões americanizadas desses filmes orientais, Espelhos do Medo foi o que eu achei mais interessante e divertido. Não vi o original, então não posso fazer algum tipo de comparação, mas é um belo exercício de construção do medo que Aja consegue desenvolver com aquelas imagens refletidas. Para ser mais franco, eu me borrei em quase todas as vezes que o personagem de Kieffer Sutherland resolvia entrar no shopping incendiado pra encarar os espelhos. Sutherland nunca foi um excelente ator, mas parece que se descobriu ao viver o Jack Bauer da série 24 horas. Aqui ele praticamente faz uma versão sombria de Bauer, que resulta, lógico, em uma boa atuação do sujeito, ainda mais se comprarmos com o baixo nível do resto do elenco que não é lá grandes coisas. Mas dá pro gasto.

Há um sério problema no roteiro, pra ser mais exato, nos diálogos que são terríveis e em alguns momentos constrangedores, além de ser previsível e auto explicativo por demais e falta para os fãs de Aja um pouco mais de situações de gore e violência, diferente do que acontece em Haute Tension e Viagem Maldita, mas isso também não estraga a brincadeira do espectador mais interessado em curtir um bom e velho terror atmosférico, principalmente com um diretor criativo como este francês para induzir arrepiantes sentimentos com seqüências de gelar a espinha ou criar o choque visual com violência extrema (embora sejam poucos), como é o caso da cena da banheira. Gostei também do desfecho. Nada muito original, mas é uma sacada interessante. Acho que vale a pena conferir.

MUDANÇA DE CASA

Depois de um feedback por aqui e na página do Dementia¹³ no facebook , resolvi tomar mesmo a decisão de fechar as portas por aqui e me muda...